{"version":"https://jsonfeed.org/version/1.1","title":"Blog Tirvu | Terceirização, ponto eletrônico e gestão de pessoas","home_page_url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/","feed_url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/feed.json","description":"Artigos, guias e novidades sobre terceirização, ponto eletrônico, conformidade trabalhista e gestão de operações em campo.","language":"pt-BR","_tirvu":{"audiences":{"rh":"Recursos Humanos","dp":"Departamento Pessoal","colaborador":"Funcionário"}},"items":[{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/escala-6x1-pec-senado-o-que-muda/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/escala-6x1-pec-senado-o-que-muda/","title":"Fim da escala 6x1: o que muda para RH e DP com a PEC no Senado","summary":"A PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas e garante duas folgas está no Plenário do Senado. Veja prazos, efeitos nas escalas e o que o RH deve simular.","content_html":"<p>O Plenário do Senado começou a discutir, em 6 de outubro de 2026, a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado sem corte de salário. O texto já passou pela Câmara, em maio, e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em setembro. Até 8 de outubro, três das cinco sessões de discussão do primeiro turno tinham sido concluídas, e a votação era esperada para a semana seguinte.</p>\n<p>Este texto reflete a tramitação na data de publicação, e o calendário pode mudar.</p>\n<h2 id=\"o-que-a-pec-muda\">O que a PEC muda</h2>\n<p>Segundo a Agência Senado, a CCJ aprovou, com parecer do relator Omar Aziz (PSD-AM), o mesmo texto que saiu da Câmara, onde um substitutivo uniu a PEC 221/2019 e a PEC 8/2025. Os pontos centrais:</p>\n<ul>\n<li><strong>Jornada:</strong> até 40 horas semanais e 8 horas diárias, com compensação e redução de horários por acordo ou convenção coletiva.</li>\n<li><strong>Descanso:</strong> dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.</li>\n<li><strong>Salário:</strong> a nova jornada vale para os contratos em vigor sem redução nominal ou proporcional, inclusive nos pisos.</li>\n<li><strong>Transição:</strong> 42 horas dois meses após a publicação da emenda e 40 horas um ano e dois meses após a publicação. Na fase de 42 horas, a negociação coletiva pode ampliar a jornada diária, mantidas as duas folgas.</li>\n<li><strong>Compensação:</strong> convenções e acordos podem compensar folgas, desde que a média do mês garanta dois dias de descanso por semana e ao menos uma folga a cada sete dias. Cláusulas incompatíveis perdem efeito dois meses após a publicação.</li>\n</ul>\n<p>Há ainda regras especiais. Empregados com diploma de curso superior e salário de pelo menos 2,5 vezes o teto do RGPS (cerca de R$ 21,2 mil em 2026) ficam fora das regras de duração e controle de jornada, salvo liberalidade do empregador ou previsão coletiva, mas mantêm as duas folgas. Segundo a Agência Senado, as novas regras de jornada também não valem para servidores públicos. Lei complementar poderá criar transição para MEIs e pequenas empresas, condicionada à manutenção do emprego.</p>\n<p>Nos contratos da administração pública com mão de obra terceirizada, a redução da jornada depende de aditamento, a ser feito em até um ano; sem ele, a redução vale ao fim do prazo. A segunda folga não depende de aditamento e vale dois meses após a publicação.</p>\n<h2 id=\"onde-esta-a-votacao\">Onde está a votação</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>Etapa</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>27/05/2026</td>\n<td>Câmara aprova em dois turnos: 472 a 22 e 461 a 19</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>02/09/2026</td>\n<td>CCJ do Senado aprova o relatório e rejeita 36 emendas</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>6 a 8/10/2026</td>\n<td>Três primeiras sessões de discussão no Plenário</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Semana de 13/10 (previsão)</td>\n<td>Duas últimas sessões e votação em primeiro turno</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Depois do 1º turno</td>\n<td>Mais três sessões e votação em segundo turno</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Publicação + 2 meses</td>\n<td>42 horas, duas folgas e fim das cláusulas incompatíveis</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Publicação + 14 meses</td>\n<td>40 horas semanais</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>A aprovação exige 49 dos 81 senadores em cada turno. Sem mudanças no texto, a emenda é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado; qualquer alteração a faria voltar à Câmara. A Agência Brasil citou 15 de outubro como data possível para o primeiro turno, mas há senadores pedindo mais tempo de debate, e o calendário coincide com a reta final das eleições, cujo segundo turno é em 25 de outubro.</p>\n<p>Exemplo: com publicação em 1º de novembro de 2026, as 42 horas valeriam a partir de 1º de janeiro de 2027, e as 40 horas, de 1º de janeiro de 2028.</p>\n<h2 id=\"quem-e-afetado-e-o-que-muda-nas-escalas\">Quem é afetado e o que muda nas escalas</h2>\n<p>Pela estimativa do relator, mais de 37 milhões de trabalhadores seriam beneficiados, mais de 57% deles mulheres. A mudança atinge empregados com carteira assinada que cumprem mais de 40 horas ou têm uma só folga por semana, situação frequente em operações contínuas como vigilância, limpeza, portaria e facilities.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Escala</th>\n<th>Hoje</th>\n<th>Com a PEC</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>6x1 (7h20 por dia)</td>\n<td>44 horas e uma folga</td>\n<td>Deixa de caber como escala fixa</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>5x2 (8h48 por dia)</td>\n<td>44 horas</td>\n<td>8h24 por dia com 42 horas (via negociação coletiva) e 8 horas com 40</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>12x36</td>\n<td>Média de 42 horas</td>\n<td>Não é proibida, mas a média passa a ser comparada a 40 horas</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>4x2 (8 horas por dia)</td>\n<td>Média de cerca de 37h20</td>\n<td>Tende a caber nos novos limites</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>A 12x36 é a escala típica dos postos 24 horas. Segundo a Agência Câmara, ela está entre os casos em que convenções e acordos coletivos poderão prever regime de compensação. A conta, porém, muda: com 12 horas de trabalho a cada 48, a média é de 42 horas semanais; com uma hora de intervalo usufruída, cai para cerca de 38h30. Simule os dois cenários e acompanhe o sindicato.</p>\n<h2 id=\"impacto-pratico-para-rh-e-dp\">Impacto prático para RH e DP</h2>\n<h3 id=\"salario-hora-e-horas-extras\">Salário-hora e horas extras</h3>\n<p>O divisor do salário-hora tende a cair de 220 para 200, como o TST já aplica a quem trabalha 40 horas semanais (Súmula 431). Na fase de 42 horas, a mesma conta (horas semanais × 5) leva a 210. Para um salário de R$ 2.200,00:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Jornada</th>\n<th>Divisor</th>\n<th>Salário-hora</th>\n<th>Hora extra (50%)</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>44 horas</td>\n<td>220</td>\n<td>R$ 10,00</td>\n<td>R$ 15,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>42 horas</td>\n<td>210</td>\n<td>R$ 10,48</td>\n<td>R$ 15,71</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>40 horas</td>\n<td>200</td>\n<td>R$ 11,00</td>\n<td>R$ 16,50</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>O salário mensal não muda, mas a hora fica 10% mais cara ao fim da transição, com reflexo em horas extras, adicional noturno e banco de horas.</p>\n<h3 id=\"cobertura-banco-de-horas-e-contratos\">Cobertura, banco de horas e contratos</h3>\n<p>Um posto 24 horas exige 168 horas de cobertura semanal, que hoje quatro profissionais em 12x36 fecham. Se a média de cada um cair para 40 horas, eles cobrem 160 horas, e faltam 8 horas semanais por posto. Em 50 postos, são 400 horas por semana, o equivalente a dez profissionais de 40 horas, entre folguistas, horas extras ou rodízio.</p>\n<p>Revise também os saldos do banco de horas e as cláusulas da convenção coletiva sobre jornada, folgas e 12x36. Nos contratos públicos, prepare os pedidos de aditamento com a memória de cálculo do novo custo; nos privados, vale o que cada contrato prevê sobre reajuste e reequilíbrio.</p>\n<p>Com escalas, banco de horas e ponto concentrados em um sistema como o TIRVU+, o RH levanta quantas horas, folgas e coberturas cada posto usa hoje, o ponto de partida dessas simulações. O registro da jornada segue as regras da <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/\">Portaria 671</a>.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-colaborador-precisa-saber\">O que o colaborador precisa saber</h2>\n<ul>\n<li>Nada muda antes da promulgação e dos prazos de transição: até lá, valem as regras atuais.</li>\n<li>O salário não pode ser reduzido por causa da nova jornada, nem de forma proporcional, inclusive para quem recebe o piso.</li>\n<li>Serão duas folgas remuneradas por semana, uma preferencialmente no domingo, e ao menos uma a cada sete dias.</li>\n<li>Quem já trabalha 40 horas ou menos mantém a jornada, mas ganha direito à segunda folga.</li>\n<li>Horas além da nova jornada seguem como horas extras ou banco de horas, conforme a CLT.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Levantar os colaboradores em 6x1, 5x2 de 44 horas, 12x36 e outras escalas, por posto e contrato</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Simular cada posto com 44, 42 e 40 horas, incluindo folguistas e coberturas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Recalcular salário-hora, horas extras e banco de horas com os divisores 210 e 200</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Mapear as cláusulas da convenção coletiva sobre jornada e folgas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Preparar aditamentos dos contratos públicos e revisar preços dos privados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Planejar a comunicação com as equipes, sem prometer datas antes da promulgação</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Acompanhar as votações no Senado</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-jornada-de-40-horas-ja-esta-valendo\">A jornada de 40 horas já está valendo?</h3>\n<p>Não. A PEC ainda precisa de duas votações no Senado, com 49 votos em cada, e da promulgação. Depois, as 42 horas valem em dois meses, e as 40 horas, em 14 meses.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-pode-reduzir-o-salario-junto-com-a-jornada\">A empresa pode reduzir o salário junto com a jornada?</h3>\n<p>Não, pelo texto aprovado até aqui. A redução da jornada e a segunda folga valem para os contratos em vigor sem redução nominal ou proporcional do salário.</p>\n<h3 id=\"a-escala-12x36-vai-acabar\">A escala 12x36 vai acabar?</h3>\n<p>O texto não a proíbe. Ela poderá seguir por negociação coletiva ou lei específica, mas a média semanal passa a ser comparada ao limite de 40 horas.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O fim da escala 6x1 ainda depende do Senado, mas o texto está consolidado e a transição é curta: dois meses para as 42 horas e as duas folgas. Em empresas com postos contínuos, o impacto aparece no salário-hora, na cobertura das escalas, no banco de horas e nos contratos com clientes. Outro tema que mexe com contratos e custos é a <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/pejotizacao-stf-tema-1389/\">pejotização no STF</a>.</p>\n<p>Quer mapear escalas, folgas e banco de horas da sua operação antes da mudança? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/08/fim-da-escala-6x1-passa-pela-3a-sessao-de-discussao-no-plenario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Senado: 3ª sessão de discussão no Plenário (08/10/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/174386\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Senado Federal: tramitação da PEC 221/2019</a></li>\n<li><a href=\"https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/09/02/aguardar-fim-da-escala-6x1-passa-na-ccj-e-vai-a-plenario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Senado: aprovação na CCJ (02/09/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.camara.leg.br/noticias/1277141-camara-aprova-em-dois-turnos-fim-da-escala-6x1-com-jornada-maxima-de-40-horas-semanais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Câmara: aprovação em dois turnos (27/05/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/alcolumbre-anuncia-sessoes-para-discutir-e-votar-fim-da-escala-6x1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: calendário de sessões no Senado (06/10/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/escala-6x1-pec-senado-o-que-muda.jpg","date_published":"2026-10-08T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["escala 6x1","jornada de trabalho","PEC 221/2019","banco de horas","terceirização"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"escala-6x1-pec-senado-o-que-muda","category":"Legislação","audience":["rh","dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/escala-6x1-pec-senado-o-que-muda.svg","cover_alt":"Ilustração de um calendário semanal com dois dias de descanso destacados em verde ao lado de um relógio que indica a jornada semanal menor","toc":[{"id":"o-que-a-pec-muda","text":"O que a PEC muda","level":2},{"id":"onde-esta-a-votacao","text":"Onde está a votação","level":2},{"id":"quem-e-afetado-e-o-que-muda-nas-escalas","text":"Quem é afetado e o que muda nas escalas","level":2},{"id":"impacto-pratico-para-rh-e-dp","text":"Impacto prático para RH e DP","level":2},{"id":"salario-hora-e-horas-extras","text":"Salário-hora e horas extras","level":3},{"id":"cobertura-banco-de-horas-e-contratos","text":"Cobertura, banco de horas e contratos","level":3},{"id":"o-que-o-colaborador-precisa-saber","text":"O que o colaborador precisa saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-jornada-de-40-horas-ja-esta-valendo","text":"A jornada de 40 horas já está valendo?","level":3},{"id":"a-empresa-pode-reduzir-o-salario-junto-com-a-jornada","text":"A empresa pode reduzir o salário junto com a jornada?","level":3},{"id":"a-escala-12x36-vai-acabar","text":"A escala 12x36 vai acabar?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo/","title":"NR-01 e riscos psicossociais: o que vale com as multas suspensas pelo STF","summary":"O STF prorrogou a suspensão das multas da NR-01 sobre riscos psicossociais, mas a gestão desses riscos no PGR segue obrigatória. Veja o que vale e o que fazer.","content_html":"<p>Em 24 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 90 dias a suspensão das multas e demais sanções baseadas nos trechos da NR-01 que tratam dos riscos psicossociais. A decisão, na ADPF 1.316, não suspende a norma: o novo capítulo de gerenciamento de riscos vale desde 26 de maio de 2026 e continua exigindo que as empresas identifiquem, avaliem e controlem esses riscos. Veja o que muda na prática.</p>\n<h2 id=\"o-que-aconteceu\">O que aconteceu</h2>\n<p>A Portaria MTE nº 1.419/2024 reescreveu o capítulo 1.5 da NR-01, sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), e passou a citar expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. A vigência, prevista para maio de 2025, foi adiada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para 26 de maio de 2026 (Portaria MTE nº 765/2025), e o primeiro ano virou fase educativa. Para as novas exigências, o MTE anunciou a dupla visita, com 90 dias iniciais de caráter orientativo.</p>\n<p>Em 25 de junho, na ação da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Mendonça suspendeu por 90 dias a eficácia sancionadora de cinco itens da norma, apenas quanto aos riscos psicossociais. Para o relator, em análise preliminar, conceitos abertos e subjetivos sobre condutas puníveis comprometem a segurança jurídica. Também suspendeu os efeitos de sanções já aplicadas e enviou o caso ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF.</p>\n<p>O Plenário referendou a liminar por unanimidade em 18 de agosto. Ações da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde, ADPF 1.333) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC, ADPF 1.340) tramitam em conjunto. Após a primeira reunião de conciliação, em 14 de setembro, as duas entidades pediram mais tempo, e o relator prorrogou a suspensão.</p>\n<h2 id=\"o-que-esta-suspenso-e-o-que-continua-valendo\">O que está suspenso e o que continua valendo</h2>\n<p>A suspensão alcança só o uso destes itens como base para autos de infração, multas e outras medidas coercitivas ligadas aos fatores psicossociais:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Item da NR-01</th>\n<th>O que estabelece</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>1.5.3.1.4</td>\n<td>O GRO abrange todos os riscos, incluindo os psicossociais</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>1.5.3.2.1</td>\n<td>As condições de trabalho da NR-17 (ergonomia) devem ser consideradas, incluindo esses fatores</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>1.5.4.4.2.1</td>\n<td>Ferramentas de avaliação adequadas ao risco</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>1.5.4.4.2.2</td>\n<td>Critérios de severidade, probabilidade e classificação documentados</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>1.5.4.4.5.3</td>\n<td>Probabilidade considera as exigências da atividade e a eficácia das medidas</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Conforme as decisões, a NR-01 continua em vigor e suas diretrizes devem ser observadas; a fiscalização pode inspecionar e emitir recomendações; e as empresas ainda podem ser autuadas com base em outras normas.</p>\n<p>O guia do MTE lembra que a redação anterior da NR-01 já mandava gerenciar todos os riscos ocupacionais, inclusive os psicossociais. O texto de 2024 apenas deixou isso explícito.</p>\n<h2 id=\"linha-do-tempo-e-proximos-passos\">Linha do tempo e próximos passos</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>O que aconteceu</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>27/08/2024</td>\n<td>Portaria MTE nº 1.419/2024 aprova o novo capítulo 1.5</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>15/05/2025</td>\n<td>Portaria MTE nº 765/2025 adia a vigência</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>26/05/2026</td>\n<td>Novo texto entra em vigor</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>25/06/2026</td>\n<td>Liminar na ADPF 1.316 suspende as sanções</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>18/08/2026</td>\n<td>Plenário confirma a liminar</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>14/09/2026</td>\n<td>Primeira reunião de conciliação no Nusol</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>24/09/2026</td>\n<td>Suspensão prorrogada por 90 dias</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Dezembro de 2026</td>\n<td>Fim previsto do novo prazo, salvo nova decisão</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Segundo o portal Migalhas, a Advocacia-Geral da União (AGU) propôs levar a discussão à Câmara de Promoção de Segurança Jurídica no Ambiente de Negócios (Sejan), e o relator pediu mais informações antes de decidir. Até a publicação deste texto, não havia acordo nem nova redação dos itens.</p>\n<h2 id=\"por-que-nao-vale-a-pena-esperar\">Por que não vale a pena esperar</h2>\n<ul>\n<li><strong>A obrigação continua.</strong> O que está travado é a punição com base em cinco itens, não o dever de gerenciar riscos.</li>\n<li><strong>O alívio é provisório.</strong> A conciliação busca critérios mais objetivos para punir, não o fim da regra.</li>\n<li><strong>O trabalho leva meses.</strong> Ouvir equipes e executar um plano não se faz às pressas, e o problema é concreto: em 2025, o INSS concedeu 546.254 benefícios por transtornos mentais, como mostramos no artigo sobre o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/saude-mental-afastamentos-inss-recorde/\">recorde de afastamentos por saúde mental</a>.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"passo-a-passo-para-o-rh-e-o-sst\">Passo a passo para o RH e o SST</h2>\n<p>O MTE publicou um guia sobre fatores de riscos psicossociais (2025), o Manual do GRO/PGR (2026) e perguntas e respostas sobre o capítulo 1.5 (abril de 2026). Com base neles:</p>\n<ol>\n<li><strong>Defina responsáveis.</strong> A norma não exige um profissional específico, mas pede conhecimento técnico compatível. Envolva o SESMT, quando houver, a CIPA e as lideranças.</li>\n<li><strong>Use os dados que você já tem.</strong> Afastamentos, Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT), indicadores do PCMSO, faltas e horas extras mostram por onde começar.</li>\n<li><strong>Identifique perigos no trabalho real.</strong> Observe a atividade e converse com as equipes. A lista do MTE inclui sobrecarga, falta de suporte, baixa autonomia, pouca clareza de papel, más relações, trabalho remoto e isolado, e assédio.</li>\n<li><strong>Ouça com anonimato.</strong> Questionários são opcionais. Os resultados devem ser analisados e incorporados à Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e ao inventário de riscos; sozinhos, não comprovam a gestão.</li>\n<li><strong>Documente os critérios.</strong> Severidade, probabilidade e níveis de risco precisam estar por escrito.</li>\n<li><strong>Monte o plano de ação.</strong> Com cronograma, responsáveis e indicadores. O MTE recomenda priorizar mudanças na organização do trabalho, como metas, pausas e tamanho das equipes.</li>\n<li><strong>Revise.</strong> A cada dois anos ou antes, como após mudanças no trabalho, adoecimentos ou pedido justificado dos trabalhadores ou da CIPA.</li>\n</ol>\n<p>Atenção: o exame médico periódico não substitui a avaliação de riscos, e microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas do PGR continuam obrigadas a fazer a AEP.</p>\n<h3 id=\"e-na-terceirizacao\">E na terceirização?</h3>\n<p>A NR-01 tem regras próprias para a prestação de serviços (item 1.5.8): o PGR da contratante deve incluir medidas para as contratadas que atuam em suas dependências, ou usar os programas delas, e as partes devem trocar informações sobre riscos. Pressão de metas do tomador e assédio por terceiros devem entrar no diagnóstico.</p>\n<h2 id=\"assedio-cipa-e-canal-de-denuncia\">Assédio, CIPA e canal de denúncia</h2>\n<p>O assédio está na lista de fatores de risco do MTE, e sua prevenção já tem base legal. Pela Lei nº 14.457/2022, as empresas com CIPA, hoje Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, devem ter regras de conduta, procedimentos para receber e apurar denúncias com anonimato, o tema nas atividades da CIPA e capacitações ao menos a cada 12 meses (art. 23).</p>\n<p>Dados agregados do canal, como volume e tipos de relato por área, ajudam a localizar perigos sem expor quem denunciou. No TIRVU+, o módulo Enquetes aplica pesquisas de clima, inclusive o questionário de riscos psicossociais da NR-01, com resultados em tempo real, e o Canal de denúncia recebe relatos anônimos com protocolo de acompanhamento. São insumos que o SST analisa e leva ao inventário de riscos.</p>\n<h2 id=\"o-que-os-colaboradores-precisam-saber\">O que os colaboradores precisam saber</h2>\n<ul>\n<li>A avaliação olha para as condições de trabalho, não para diagnósticos individuais nem para a vida pessoal.</li>\n<li>A NR-01 prevê consulta aos trabalhadores sobre a percepção de riscos e a comunicação das medidas adotadas.</li>\n<li>Pesquisas sobre o tema devem preservar o anonimato.</li>\n<li>Situações de assédio podem ser relatadas pelo canal da empresa, com anonimato garantido pela lei.</li>\n<li>Para apoio emocional, o CVV atende pelo 188, 24 horas e sem custo; no SUS, procure uma Unidade Básica de Saúde ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Verificar se o inventário de riscos já trata dos fatores psicossociais</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Documentar os critérios de severidade, probabilidade e classificação</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Planejar a escuta das equipes, com anonimato e aviso prévio</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Elaborar o plano de ação com prazos, responsáveis e indicadores</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar metas, escalas e horas extras nos postos mais críticos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Atualizar regras de conduta e o fluxo do canal de denúncia</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Alinhar com os clientes os riscos dos postos terceirizados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Acompanhar a ADPF 1.316 até o fim do novo prazo</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-nr-01-foi-suspensa-pelo-stf\">A NR-01 foi suspensa pelo STF?</h3>\n<p>Não. Está suspensa apenas a aplicação de sanções com base em cinco itens, na parte ligada aos riscos psicossociais. A norma está em vigor.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-e-obrigada-a-aplicar-um-questionario\">A empresa é obrigada a aplicar um questionário?</h3>\n<p>Não. O MTE não exige nem indica ferramenta específica. Se houver questionário, os resultados devem ser integrados à AEP e ao inventário.</p>\n<h3 id=\"o-que-acontece-quando-o-novo-prazo-terminar\">O que acontece quando o novo prazo terminar?</h3>\n<p>Depende da conciliação. O relator pode prorrogar ou rever a medida, e as sanções podem voltar a valer. Convém chegar lá preparado.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>A decisão do STF deu às empresas um respiro nas multas, não uma dispensa da obrigação. O debate no Supremo gira em torno de critérios mais claros, não do fim da regra. Quem usar os próximos meses para ouvir as equipes, documentar critérios e executar um plano de ação chega mais protegido a qualquer desfecho.</p>\n<p>Quer estruturar a escuta das equipes e um canal de denúncia seguro na sua operação? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na prática.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/manuais-e-publicacoes/2026/perguntas-e-respostas-gro-pgr-maio-2026\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: perguntas e respostas sobre a NR-1 (30/04/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/guia-nr-01-revisado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: guia sobre fatores de riscos psicossociais (2025)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-01-atualizada-2025-i.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: NR-01, texto atualizado</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-09/mendonca-volta-suspender-multas-sobre-saude-mental-no-trabalho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: Mendonça volta a suspender multas (25/09/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://conjur.com.br/2026-ago-19/stf-mantem-suspensao-de-penalidades-sobre-saude-mental-no-trabalho/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ConJur: punições seguem suspensas (19/08/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este texto reflete a situação do processo no STF em 7 de outubro de 2026, data de sua publicação.</em></p>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo.jpg","date_published":"2026-10-07T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["NR-01","riscos psicossociais","STF","PGR","saúde mental"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo","category":"Legislação","audience":["rh","dp"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo.svg","cover_alt":"Ilustração de um questionário digital com escala de respostas ao lado de um escudo e ondas suaves que representam o bem-estar no trabalho","toc":[{"id":"o-que-aconteceu","text":"O que aconteceu","level":2},{"id":"o-que-esta-suspenso-e-o-que-continua-valendo","text":"O que está suspenso e o que continua valendo","level":2},{"id":"linha-do-tempo-e-proximos-passos","text":"Linha do tempo e próximos passos","level":2},{"id":"por-que-nao-vale-a-pena-esperar","text":"Por que não vale a pena esperar","level":2},{"id":"passo-a-passo-para-o-rh-e-o-sst","text":"Passo a passo para o RH e o SST","level":2},{"id":"e-na-terceirizacao","text":"E na terceirização?","level":3},{"id":"assedio-cipa-e-canal-de-denuncia","text":"Assédio, CIPA e canal de denúncia","level":2},{"id":"o-que-os-colaboradores-precisam-saber","text":"O que os colaboradores precisam saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-nr-01-foi-suspensa-pelo-stf","text":"A NR-01 foi suspensa pelo STF?","level":3},{"id":"a-empresa-e-obrigada-a-aplicar-um-questionario","text":"A empresa é obrigada a aplicar um questionário?","level":3},{"id":"o-que-acontece-quando-o-novo-prazo-terminar","text":"O que acontece quando o novo prazo terminar?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/","title":"Portaria 671 e ponto eletrônico: guia completo para empresas","summary":"Guia da Portaria MTP nº 671/2021 sobre ponto eletrônico: REP-C, REP-A e REP-P, AFD, AEJ, comprovante e o que exigir do fornecedor, com foco em terceirizadas.","content_html":"<p>Se a sua empresa registra a jornada de forma eletrônica, a Portaria MTP nº 671/2021 é o manual que define quais sistemas são válidos, quais arquivos precisam existir e quais documentos você deve ter em mãos quando a fiscalização chegar. Para terceirizadas, com equipes espalhadas por dezenas de postos em clientes diferentes, dominar esses detalhes é o que separa uma operação sob controle de um passivo trabalhista silencioso. Este guia traduz a norma para a rotina de RH, departamento pessoal e operações.</p>\n<h2 id=\"o-que-e-a-portaria-mtp-n-671-2021\">O que é a Portaria MTP nº 671/2021</h2>\n<p>A Portaria MTP nº 671, de 8 de novembro de 2021, consolidou dezenas de normas trabalhistas em um único ato. A parte que interessa ao controle de jornada está na Seção IV do Capítulo V (arts. 72 a 101), que regulamenta a anotação da hora de entrada e de saída prevista no art. 74 da CLT. Essa seção entrou em vigor em 10 de fevereiro de 2022, e a Portaria revogou, entre outras normas, as antigas Portarias MTE nº 1.510/2009 e nº 373/2011.</p>\n<p>Dois pontos práticos:</p>\n<ul>\n<li><strong>Equipamentos antigos continuam valendo.</strong> Modelos certificados na vigência da Portaria 1.510 podem continuar a ser fabricados e utilizados (art. 96).</li>\n<li><strong>A norma muda com o tempo.</strong> A seção de ponto já foi ajustada por atos posteriores, como as Portarias MTP nº 1.486/2022 e nº 4.198/2022; consulte sempre a versão compilada no gov.br.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"quem-precisa-controlar-a-jornada-o-art-74-da-clt\">Quem precisa controlar a jornada: o art. 74 da CLT</h2>\n<p>Desde a Lei nº 13.874/2019, a Lei da Liberdade Econômica, o § 2º do art. 74 da CLT determina que <strong>estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores</strong> anotem a hora de entrada e de saída em registro manual, mecânico ou eletrônico, permitida a pré-assinalação do período de repouso. A contagem é por estabelecimento, não pelo total da empresa.</p>\n<p>Duas outras regras importam para equipes fora da sede:</p>\n<ul>\n<li><strong>Trabalho fora do estabelecimento (§ 3º):</strong> o horário deve constar de registro manual, mecânico ou eletrônico em poder do empregado.</li>\n<li><strong>Ponto por exceção (§ 4º):</strong> é permitido registrar apenas as exceções à jornada regular, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo. A Portaria 671 deixa claro que isso não se confunde com marcação automática, que é proibida (art. 74, II).</li>\n</ul>\n<p>Mesmo abaixo do limite legal, vale registrar a jornada. A Súmula 338 do TST, editada quando o limite da CLT ainda era de mais de dez trabalhadores, prevê que a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada alegada pelo trabalhador (item I) e que cartões com horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova (item III). Na prática, registro confiável é defesa.</p>\n<h2 id=\"rep-c-rep-a-e-rep-p-os-tres-tipos-de-registrador\">REP-C, REP-A e REP-P: os três tipos de registrador</h2>\n<p>A Portaria admite três tipos de sistema de registro eletrônico de ponto (art. 75). Todos funcionam em conjunto com um <strong>Programa de Tratamento de Registro de Ponto</strong>, o software que organiza as marcações e gera os relatórios.</p>\n<h3 id=\"rep-c-convencional\">REP-C (convencional)</h3>\n<p>É o relógio de ponto físico: um equipamento dedicado, cujo modelo precisa de certificado de conformidade emitido conforme os requisitos do Inmetro (arts. 76 e 90). Ele deve ficar sempre no local da prestação do serviço, disponível para o Auditor-Fiscal do Trabalho. Atenção, terceirizadas: o REP-C só pode conter empregados do mesmo empregador. As exceções são o trabalhador temporário da Lei nº 6.019/1974, no REP-C do tomador, e as empresas do mesmo grupo econômico (art. 76, § 3º). Em regra, portanto, seu colaborador não deve marcar ponto no relógio do cliente.</p>\n<h3 id=\"rep-a-alternativo\">REP-A (alternativo)</h3>\n<p>É um conjunto de equipamentos e programas autorizado por convenção ou acordo coletivo de trabalho (art. 77). Só pode ser usado enquanto o instrumento coletivo estiver vigente, já que a Portaria veda a ultratividade.</p>\n<h3 id=\"rep-p-via-programa\">REP-P (via programa)</h3>\n<p>É o software executado em servidor dedicado ou em nuvem, com certificado de registro de programa de computador no INPI (arts. 78 e 91). As marcações chegam por meio de <strong>coletores</strong>, que podem ser equipamentos, dispositivos físicos ou programas, como um aplicativo no celular ou um tablet instalado no posto (art. 75, parágrafo único). Os requisitos técnicos estão no Anexo IX: relógio sincronizado com a Hora Legal Brasileira, disseminada pelo Observatório Nacional; marcação off-line apenas em caráter excepcional, enviada assim que o coletor voltar a se conectar; e registros que não podem ser apagados nem alterados, protegidos por código hash (SHA-256).</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Tipo</th>\n<th>O que é</th>\n<th>Requisito-chave</th>\n<th>Onde fica</th>\n<th>Indicado para</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>REP-C</td>\n<td>Equipamento físico dedicado</td>\n<td>Modelo certificado conforme requisitos do Inmetro</td>\n<td>Sempre no local de trabalho</td>\n<td>Unidades fixas com fluxo concentrado</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>REP-A</td>\n<td>Sistema alternativo</td>\n<td>Convenção ou acordo coletivo vigente</td>\n<td>Conforme o instrumento coletivo</td>\n<td>Empresas com negociação coletiva própria</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>REP-P</td>\n<td>Software em servidor ou nuvem, com coletores</td>\n<td>Registro no INPI e requisitos do Anexo IX</td>\n<td>Onde o colaborador estiver, via app ou tablet</td>\n<td>Equipes distribuídas e postos em clientes</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Para operações com muitos postos, o REP-P tende a ser o caminho mais viável, por dispensar equipamento certificado em cada endereço. O ponto eletrônico do TIRVU+, com aplicativo para iOS e Android e tablet no posto, foi desenvolvido para atender à Portaria 671. Recursos como <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/cerca-virtual-geolocalizacao-ponto/\">cerca virtual</a> e <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto/\">reconhecimento facial com prova de vida</a> não são exigidos pela norma, mas ajudam a garantir que a marcação foi feita pela pessoa certa, no lugar certo.</p>\n<h2 id=\"afd-aej-espelho-e-comprovante-os-documentos-do-ponto\">AFD, AEJ, espelho e comprovante: os documentos do ponto</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Documento</th>\n<th>Quem gera</th>\n<th>Para que serve</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>AFD (Arquivo Fonte de Dados)</td>\n<td>O registrador: REP-C, REP-A ou REP-P</td>\n<td>Arquivo bruto com as marcações, entregue à fiscalização</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>AEJ (Arquivo Eletrônico de Jornada)</td>\n<td>Programa de tratamento</td>\n<td>Jornada já tratada, em leiaute oficial</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Espelho de Ponto Eletrônico</td>\n<td>Programa de tratamento</td>\n<td>Relatório para o trabalhador conferir a própria jornada</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Comprovante de registro de ponto</td>\n<td>REP-C e REP-P</td>\n<td>Prova individual de cada marcação</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Pontos de atenção:</p>\n<ul>\n<li><strong>AFD:</strong> todos os tipos de sistema devem gerá-lo, conforme especificações publicadas no gov.br (art. 81). No REP-A e no REP-P, ele deve ser prontamente gerado e entregue quando o Auditor-Fiscal solicitar.</li>\n<li><strong>Tratar não é editar:</strong> o programa de tratamento pode apenas acrescentar informações para complementar omissões, como ausências e banco de horas, ou indicar marcações indevidas (art. 82). A marcação original permanece intacta.</li>\n<li><strong>Prazo para a fiscalização:</strong> arquivos e relatórios do programa de tratamento devem ser apresentados no prazo mínimo de dois dias, a critério do Auditor-Fiscal (art. 85).</li>\n<li><strong>Assinaturas:</strong> no REP-A, no REP-P e no programa de tratamento, as assinaturas eletrônicas usam certificado ICP-Brasil, no padrão PAdES para o comprovante eletrônico do REP-P e CAdES para AFD e AEJ (art. 88).</li>\n<li><strong>Espelho:</strong> o trabalhador deve ter acesso às informações por sistema informatizado, mensalmente ou em prazo menor (art. 84).</li>\n<li><strong>Comprovante:</strong> traz, entre outros dados, o Número Sequencial de Registro (NSR), nome e CPF do trabalhador, data e horário da marcação e, para quem atua em atividade externa ou em instalações de terceiros, o local da prestação do serviço (art. 79). No formato eletrônico, é um PDF assinado, acessível após cada marcação, e o empregado deve conseguir extrair os comprovantes de, no mínimo, as últimas 48 horas (art. 80).</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-a-portaria-proibe\">O que a Portaria proíbe</h2>\n<p>O sistema deve registrar fielmente as marcações. O art. 74 proíbe, por exemplo:</p>\n<ul>\n<li>restrições de horário à marcação do ponto;</li>\n<li>marcação automática com horários predeterminados ou com o horário contratual;</li>\n<li>exigência, pelo sistema, de autorização prévia para registrar sobrejornada;</li>\n<li>qualquer dispositivo que permita alterar os dados registrados pelo empregado.</li>\n</ul>\n<p>Se comprovar adulteração de horários, dispositivos que permitam adulterar dados ou parametrizações e bloqueios na marcação, o Auditor-Fiscal deve apreender documentos e equipamentos e copiar programas e dados (art. 98).</p>\n<h2 id=\"o-que-exigir-de-um-fornecedor-de-rep-p\">O que exigir de um fornecedor de REP-P</h2>\n<p>Antes de contratar, peça e confira:</p>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Certificado de registro do programa no INPI</strong> (art. 91), cujo número aparece no comprovante. Ele comprova a autoria do software; quem declara que o sistema atende à Portaria é o fornecedor, no atestado técnico.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade</strong> (art. 89), assinado pelo responsável técnico e pelo responsável legal do fornecedor, em PDF com assinatura eletrônica qualificada no padrão PAdES. Sem ele, a empresa não pode usar o sistema; guarde-o para a fiscalização.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Comprovante eletrônico</strong> conforme os arts. 79 e 80.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Exportação de AFD e AEJ</strong> nos leiautes vigentes, com assinatura CAdES. Peça arquivos de teste.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Sincronismo com a Hora Legal Brasileira</strong>, com variação máxima de 30 segundos, e relógio com horas, minutos e segundos no coletor.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Regras claras para marcação off-line</strong>, com data e hora da marcação gravadas separadamente da data e hora de gravação do registro.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Trilha de auditoria</strong> de ajustes de relógio e de alterações cadastrais, que o Anexo IX manda registrar.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Alta disponibilidade e redundância</strong> do armazenamento.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Adequação à LGPD</strong>, que a própria Portaria manda observar (art. 101).</li>\n</ul>\n<h2 id=\"checklist-para-terceirizadas-com-equipes-em-varios-clientes\">Checklist para terceirizadas com equipes em vários clientes</h2>\n<ol>\n<li><strong>Mapeie estabelecimentos e efetivo.</strong> A obrigação do art. 74, § 2º, é por estabelecimento; defina com o jurídico como cada contrato se enquadra e, na dúvida, registre a jornada de todos.</li>\n<li><strong>Não registre seus empregados no REP-C do cliente</strong>, salvo nas exceções do art. 76, § 3º.</li>\n<li><strong>Padronize os coletores por posto:</strong> tablet compartilhado ou aplicativo no celular.</li>\n<li><strong>Garanta o local da prestação do serviço no comprovante</strong> de quem trabalha em instalações de terceiros.</li>\n<li><strong>Formalize o ponto por exceção</strong>, se adotado, por acordo individual escrito ou instrumento coletivo.</li>\n<li><strong>Crie um fluxo de ajustes:</strong> esquecimentos, abonos e <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/\">atestados médicos</a> entram como tratamento justificado, nunca como edição da marcação original.</li>\n<li><strong>Monte o dossiê de conformidade:</strong> atestado técnico, certificado do INPI, exportações de AFD e AEJ e espelhos mensais.</li>\n<li><strong>Dê visibilidade ao tomador.</strong> A contratante responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas do período em que o serviço foi prestado (Lei nº 6.019/1974, art. 5º-A, § 5º). No TIRVU+, o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente</a> permite que o contratante acompanhe presença, ocorrências e relatórios.</li>\n</ol>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-portaria-671-aceita-ponto-pelo-celular\">A Portaria 671 aceita ponto pelo celular?</h3>\n<p>Sim. A norma admite o REP-P, um programa registrado no INPI que segue os requisitos do Anexo IX e recebe as marcações por coletores, como um aplicativo no celular ou um tablet no posto (art. 75, parágrafo único). Sem o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade do fornecedor (art. 89), porém, a empresa não pode usar o sistema.</p>\n<h3 id=\"o-rh-pode-corrigir-uma-marcacao-de-ponto-errada\">O RH pode corrigir uma marcação de ponto errada?</h3>\n<p>Pode tratá-la, mas não editá-la. O programa de tratamento pode apenas acrescentar informações para complementar omissões, como ausências e banco de horas, ou indicar marcações indevidas (art. 82), e a marcação original permanece intacta. Esquecimentos, abonos e atestados médicos entram como tratamento justificado.</p>\n<h3 id=\"o-colaborador-terceirizado-pode-marcar-ponto-no-relogio-do-cliente\">O colaborador terceirizado pode marcar ponto no relógio do cliente?</h3>\n<p>Em regra, não, porque o REP-C só pode conter empregados do mesmo empregador. As exceções são o trabalhador temporário da Lei nº 6.019/1974, no REP-C do tomador, e as empresas do mesmo grupo econômico (art. 76, § 3º).</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>A Portaria 671 trouxe regras mais claras, e mais tecnológicas, para o controle de jornada. Para terceirizadas, o REP-P abre caminho para registrar a jornada em qualquer posto, desde que o fornecedor entregue os documentos exigidos e a empresa mantenha uma rotina disciplinada de tratamento, guarda e transparência.</p>\n<p>Quer ver como o TIRVU+ reúne ponto eletrônico, escalas, postos e portal do cliente em uma única plataforma? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e agende uma demonstração, ou conheça os <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/planos/\">planos</a>.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/legislacao/portarias-1/portarias-vigentes-3/WORDPortarian671de8denovembrode2021compilada21.07.2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portaria MTP nº 671/2021 (texto compilado, gov.br)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/fiscalizacao-do-trabalho/leiaute-do-arquivo-fonte-de-dados-afd.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leiaute do AFD, Arquivo Fonte de Dados (gov.br)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CLT, art. 74 (Planalto)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13874.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 13.874/2019, Lei da Liberdade Econômica (Planalto)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6019.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 6.019/1974 (Planalto)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.tst.jus.br/-/horarios-invariaveis-no-cartao-de-ponto-nao-valem-como-prova-de-horas-extras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Súmula 338 sobre cartões com horários uniformes (TST)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo.jpg","date_published":"2026-10-06T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["Portaria 671","ponto eletrônico","REP-P","CLT","terceirização"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo","category":"Legislação","audience":["rh","dp"],"featured":true,"reading_minutes":10,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo.svg","cover_alt":"Ilustração abstrata de um relógio digital ligado a um documento com selo de conformidade e a um celular, representando o ponto eletrônico regulado pela Portaria 671","toc":[{"id":"o-que-e-a-portaria-mtp-n-671-2021","text":"O que é a Portaria MTP nº 671/2021","level":2},{"id":"quem-precisa-controlar-a-jornada-o-art-74-da-clt","text":"Quem precisa controlar a jornada: o art. 74 da CLT","level":2},{"id":"rep-c-rep-a-e-rep-p-os-tres-tipos-de-registrador","text":"REP-C, REP-A e REP-P: os três tipos de registrador","level":2},{"id":"rep-c-convencional","text":"REP-C (convencional)","level":3},{"id":"rep-a-alternativo","text":"REP-A (alternativo)","level":3},{"id":"rep-p-via-programa","text":"REP-P (via programa)","level":3},{"id":"afd-aej-espelho-e-comprovante-os-documentos-do-ponto","text":"AFD, AEJ, espelho e comprovante: os documentos do ponto","level":2},{"id":"o-que-a-portaria-proibe","text":"O que a Portaria proíbe","level":2},{"id":"o-que-exigir-de-um-fornecedor-de-rep-p","text":"O que exigir de um fornecedor de REP-P","level":2},{"id":"checklist-para-terceirizadas-com-equipes-em-varios-clientes","text":"Checklist para terceirizadas com equipes em vários clientes","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-portaria-671-aceita-ponto-pelo-celular","text":"A Portaria 671 aceita ponto pelo celular?","level":3},{"id":"o-rh-pode-corrigir-uma-marcacao-de-ponto-errada","text":"O RH pode corrigir uma marcação de ponto errada?","level":3},{"id":"o-colaborador-terceirizado-pode-marcar-ponto-no-relogio-do-cliente","text":"O colaborador terceirizado pode marcar ponto no relógio do cliente?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo/","title":"13º salário 2026: prazos, cálculo com médias e o novo desconto do IR","summary":"1ª parcela até 30/11 e 2ª até 18/12, porque o dia 20 cai num domingo. Veja o cálculo com médias, os descontos, o eSocial e os direitos do colaborador.","content_html":"<p>A primeira parcela do 13º salário de 2026 deve ser paga até segunda-feira, 30 de novembro, e a segunda até 20 de dezembro, que neste ano cai num domingo: na prática, o pagamento precisa sair até sexta-feira, 18. É também a primeira gratificação de fim de ano com a redução do Imposto de Renda da Lei nº 15.270/2025, que zera o IR do 13º de até R$ 5 mil. Veja o calendário, um cálculo com médias, erros comuns e o que conferir.</p>\n<h2 id=\"como-funciona-o-13\">Como funciona o 13º</h2>\n<p>A Lei nº 4.090/1962 garante ao empregado 1/12 da remuneração de dezembro por mês de serviço, e a fração de 15 dias ou mais de trabalho conta como mês inteiro. A Lei nº 4.749/1965 divide o pagamento em duas parcelas:</p>\n<ul>\n<li><strong>Primeira parcela (adiantamento):</strong> paga entre fevereiro e novembro, corresponde à metade do salário do mês anterior. Pode sair em meses diferentes para cada empregado e vem com as férias de quem a pediu em janeiro.</li>\n<li><strong>Segunda parcela:</strong> até 20 de dezembro, com o valor total menos o adiantamento.</li>\n</ul>\n<p>O Decreto nº 10.854/2021 completa as regras: quem tem salário variável recebe 1/11 da soma das variáveis de janeiro a novembro, mais a parte fixa, com revisão até 10 de janeiro, quando entra dezembro. Faltas legais e justificadas não reduzem o 13º.</p>\n<h2 id=\"quem-tem-direito\">Quem tem direito</h2>\n<p>Todo empregado com carteira assinada, inclusive terceirizados; quem foi admitido no ano recebe de forma proporcional. Na rescisão, o 13º proporcional sai com as verbas rescisórias, exceto na dispensa por justa causa.</p>\n<p>Nos afastamentos, a conta se divide:</p>\n<ul>\n<li><strong>Auxílio por incapacidade temporária:</strong> a empresa paga os avos dos meses trabalhados, incluindo os 15 primeiros dias de afastamento, e o INSS, o abono anual proporcional ao benefício (Lei nº 8.213/1991, art. 40), consultável no Meu INSS.</li>\n<li><strong>Acidente de trabalho:</strong> pela Súmula 46 do TST, essas ausências não são consideradas no cálculo do 13º, mas a divisão entre empresa e INSS gera divergência. Confirme com o jurídico e a convenção coletiva.</li>\n<li><strong>Licença-maternidade:</strong> não reduz o 13º. Em regra, a empresa paga o valor e compensa nas contribuições previdenciárias a parte proporcional à licença.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"calendario-2026\">Calendário 2026</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>O que acontece</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Janeiro</td>\n<td>Prazo para o colaborador pedir a 1ª parcela junto com as férias</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Fevereiro a 30/11 (segunda-feira)</td>\n<td>1ª parcela, sem INSS e sem IR; incide FGTS de 8%</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Até 18/12 (sexta-feira)</td>\n<td>2ª parcela; contribuição previdenciária do 13º; folha anual no eSocial; FGTS da folha de novembro</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Até 10/01/2027 (domingo)</td>\n<td>Acerto de quem tem salário variável; programe para o dia útil anterior</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>20/01/2027</td>\n<td>FGTS e IRRF referentes à 2ª parcela</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>A antecipação segue a prática para prazos em fim de semana: em 2025, segundo a Agência Brasil, a 2ª parcela devia ser depositada até sexta-feira, 19. Para o INSS do 13º, o Decreto nº 3.048/1999 manda antecipar o vencimento quando não há expediente bancário no dia 20.</p>\n<h2 id=\"exemplo-de-calculo-com-medias\">Exemplo de cálculo com médias</h2>\n<p>Colaborador com salário fixo de R$ 3.080,00 e horas extras habituais. As variáveis de janeiro a novembro (horas extras e reflexos) somam R$ 2.772,00: média de R$ 252,00 por mês (R$ 2.772,00 ÷ 11), a mesma até outubro.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Etapa</th>\n<th>Valor</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>1ª parcela, até 30/11: (R$ 3.080,00 + R$ 252,00) ÷ 2</td>\n<td>R$ 1.666,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>FGTS sobre a 1ª parcela (8%)</td>\n<td>R$ 133,28</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>13º integral (12/12): R$ 3.080,00 + R$ 252,00</td>\n<td>R$ 3.332,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>(−) Adiantamento</td>\n<td>R$ 1.666,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>(−) INSS sobre R$ 3.332,00, calculado em separado</td>\n<td>R$ 288,44</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>(−) IRRF: 13º até R$ 5 mil, imposto zerado pela redução</td>\n<td>R$ 0,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>2ª parcela líquida, até 18/12</td>\n<td>R$ 1.377,56</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>FGTS sobre a 2ª parcela (8% de R$ 1.666,00)</td>\n<td>R$ 133,28</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>O INSS segue a tabela de 2026 por faixas: 7,5% sobre R$ 1.621,00, 9% sobre R$ 1.281,84 e 12% sobre R$ 429,16, total de R$ 288,44. Se dezembro mudar a média anual, a diferença sai no acerto de janeiro. Cada mês com menos de 15 dias trabalhados por faltas injustificadas tiraria 1/12, cerca de R$ 277,67 neste exemplo.</p>\n<p>Acima de R$ 5 mil, o IR volta: um 13º de R$ 6.000,00 tem R$ 385,10 retidos, como mostra o guia sobre a <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite/\">isenção do IR até R$ 5 mil</a>.</p>\n<h2 id=\"o-13-no-esocial\">O 13º no eSocial</h2>\n<p>Segundo o Manual de Orientação do eSocial:</p>\n<ul>\n<li><strong>1ª parcela:</strong> no S-1200 do mês do pagamento, na rubrica de natureza 5504 (adiantamento), só com incidência de FGTS.</li>\n<li><strong>Folha anual:</strong> S-1200 com indApuracao = 2 e período 2026, com a rubrica 5001 pelo valor integral e a 9214 para descontar o adiantamento, seguido do S-1299 anual. O prazo é 20 de dezembro, antecipado para o dia útil anterior; em 2026, dia 18.</li>\n<li><strong>S-1210:</strong> sem período anual; os pagamentos entram no mês em que ocorreram.</li>\n<li><strong>Acerto de variáveis:</strong> rubrica 5005 (13º complementar), na folha de dezembro ou de janeiro.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"erros-comuns\">Erros comuns</h2>\n<ol>\n<li>Pagar a 2ª parcela na segunda-feira, 21 de dezembro.</li>\n<li>Descontar INSS ou IR na 1ª parcela.</li>\n<li>Somar 13º e salário de dezembro para calcular o INSS.</li>\n<li>Esquecer médias de horas extras, adicional noturno e comissões, ou o reflexo do DSR das horas extras habituais (OJ 394 da SDI-1 do TST, para horas a partir de 20/03/2023).</li>\n<li>Descontar avos por faltas justificadas, como as cobertas por <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/\">atestado médico</a>.</li>\n<li>Esquecer o acerto de janeiro de quem tem salário variável.</li>\n<li>Rodar a folha sem a redução do IR no 13º.</li>\n</ol>\n<p>Pela tabela da Portaria MTE nº 1.131/2025, a infração às regras do 13º gera multa de R$ 176,03 por trabalhador prejudicado, dobrada na reincidência. Como médias e avos dependem de registros confiáveis, vale cruzar a folha com o ponto: no TIRVU+, ponto, escalas, banco de horas e absenteísmo ficam registrados por colaborador e posto, prontos para alimentar o sistema de folha que calcula o 13º.</p>\n<h2 id=\"para-o-colaborador-como-conferir\">Para o colaborador: como conferir</h2>\n<ul>\n<li><strong>Avos:</strong> conte os meses com pelo menos 15 dias trabalhados.</li>\n<li><strong>1ª parcela:</strong> cerca de metade do salário, com a média das variáveis, sem descontos.</li>\n<li><strong>2ª parcela:</strong> INSS sobre o 13º inteiro e IR zerado se o 13º for de até R$ 5.000,00.</li>\n<li><strong>Terceirizados:</strong> os direitos são os mesmos, e quem paga é a empresa prestadora. O tomador responde subsidiariamente pelo período do serviço (Lei nº 6.019/1974, art. 5º-A, § 5º). Em contratos públicos com dedicação exclusiva de mão de obra, a Lei nº 14.133/2021 permite à Administração depositar valores em conta vinculada e condicionar pagamentos à quitação trabalhista (art. 121, § 3º). Se o posto mudar de empresa, a antiga paga o 13º proporcional na rescisão, e a nova conta os avos a partir da admissão.</li>\n<li><strong>Não recebeu?</strong> Procure o RH com os holerites e, depois, o sindicato. A denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego pode ser feita on-line, com login gov.br e sigilo dos dados. Na Justiça do Trabalho, o prazo é de até dois anos após o fim do contrato, para créditos dos últimos cinco anos.</li>\n</ul>\n<p>No TIRVU+, o holerite do 13º fica no app pelo portal do colaborador, com assinatura eletrônica de validade ICP-Brasil.</p>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Listar quem já recebeu a 1ª parcela nas férias</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Conferir avos de admitidos, desligados, afastados e faltas injustificadas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Calcular médias de variáveis com reflexos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Pagar a 1ª parcela até 30/11 e a 2ª até 18/12</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Validar o IRRF do 13º com a redução da Lei nº 15.270</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Atualizar o CPF dos dependentes antes de 23/11, quando o eSocial passa a validá-los</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Enviar S-1200 e S-1299 anuais e recolher o INSS do 13º até 18/12</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Programar o acerto de variáveis até 08/01/2027</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Separar os comprovantes por posto e contrato para o tomador</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-empresa-pode-pagar-o-13-em-parcela-unica\">A empresa pode pagar o 13º em parcela única?</h3>\n<p>Sim, desde que o valor integral seja pago até 30 de novembro, prazo do adiantamento. Pagar tudo apenas em dezembro descumpre a lei.</p>\n<h3 id=\"quem-esta-afastado-pelo-inss-recebe-13\">Quem está afastado pelo INSS recebe 13º?</h3>\n<p>Sim, de duas fontes: a empresa paga os avos trabalhados, e o INSS, o abono anual proporcional ao benefício.</p>\n<h3 id=\"faltas-com-atestado-reduzem-o-13\">Faltas com atestado reduzem o 13º?</h3>\n<p>Não. Só faltas injustificadas que deixem o mês com menos de 15 dias trabalhados tiram 1/12.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>Em 2026, o 13º traz duas novidades práticas: a antecipação da segunda parcela para 18 de dezembro e o primeiro cálculo de fim de ano com a redução do IR. O resto segue as regras de sempre — avos, médias, descontos só na segunda parcela e folha anual no eSocial —, e é nesses detalhes que os erros aparecem.</p>\n<p>Quer chegar ao fechamento do 13º com ponto, faltas e banco de horas conferidos e o holerite assinado no app? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja como funciona na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4749-12-agosto-1965-377862-publicacaooriginal-1-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965 — Câmara dos Deputados</a></li>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2021/decreto-10854-10-novembro-2021-791950-publicacaooriginal-163808-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Decreto nº 10.854, de 10 de novembro de 2021 — Câmara dos Deputados</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica/manuais/mos-s-1-3-consolidada-ate-a-no-s-1-3-10-2026.pdf/@@download/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Manual de Orientação do eSocial S-1.3 — eSocial</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/credito-do-trabalhador/legislacao-do-governo-federal/portaria-mte-no-1-131-de-3-de-julho-de-2025-multas.pdf/@@download/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portaria MTE nº 1.131/2025, tabela de multas — Ministério do Trabalho e Emprego</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/segunda-parcela-do-decimo-terceiro-deve-ser-depositada-ate-dia-19\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Segunda parcela do décimo terceiro deve ser depositada até dia 19 — Agência Brasil</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo.jpg","date_published":"2026-10-05T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["13º salário","gratificação natalina","folha de pagamento","eSocial","terceirização"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo","category":"Folha e benefícios","audience":["dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo.svg","cover_alt":"Ilustração de um calendário de novembro e dezembro com as datas das duas parcelas destacadas ao lado de moedas empilhadas","toc":[{"id":"como-funciona-o-13","text":"Como funciona o 13º","level":2},{"id":"quem-tem-direito","text":"Quem tem direito","level":2},{"id":"calendario-2026","text":"Calendário 2026","level":2},{"id":"exemplo-de-calculo-com-medias","text":"Exemplo de cálculo com médias","level":2},{"id":"o-13-no-esocial","text":"O 13º no eSocial","level":2},{"id":"erros-comuns","text":"Erros comuns","level":2},{"id":"para-o-colaborador-como-conferir","text":"Para o colaborador: como conferir","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-empresa-pode-pagar-o-13-em-parcela-unica","text":"A empresa pode pagar o 13º em parcela única?","level":3},{"id":"quem-esta-afastado-pelo-inss-recebe-13","text":"Quem está afastado pelo INSS recebe 13º?","level":3},{"id":"faltas-com-atestado-reduzem-o-13","text":"Faltas com atestado reduzem o 13º?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/vale-refeicao-alimentacao-novas-regras-pat/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/vale-refeicao-alimentacao-novas-regras-pat/","title":"Vale-refeição e alimentação: novas regras do PAT e o que muda em novembro","summary":"Decreto 12.712 limitou taxas, vetou descontos às empresas e prevê VR e VA em qualquer maquininha em novembro. Veja o que RH, DP e colaboradores devem fazer.","content_html":"<p>Novembro de 2026 traz a etapa mais visível da reforma do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador): pelo Decreto nº 12.712/2025, os cartões de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) de qualquer operadora devem passar a funcionar em todas as maquininhas habilitadas da rede credenciada. As regras sobre taxas, repasses e descontos às empresas já valem desde fevereiro, e o decreto segue em vigor apesar da disputa judicial. No mesmo mês vence outro prazo: as empresas inscritas no PAT têm até 9 de novembro para se recadastrar no novo sistema do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).</p>\n<p>Este texto reflete as regras e o andamento dos processos na data de publicação.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-decreto-12-712-mudou\">O que o Decreto 12.712 mudou</h2>\n<p>Publicado em 12 de novembro de 2025, o decreto alterou o Decreto nº 10.854/2021, que regulamenta o PAT, e atingiu toda a cadeia do benefício. Os pontos centrais:</p>\n<ul>\n<li><strong>Teto de taxas:</strong> a taxa de desconto (MDR) cobrada de restaurantes e mercados fica limitada a 3,6%, com a tarifa de intercâmbio de até 2% já incluída. Cobranças adicionais são proibidas.</li>\n<li><strong>Repasse mais rápido:</strong> o estabelecimento recebe em até 15 dias corridos. Segundo o MTE, a média anterior era de 30 dias.</li>\n<li><strong>Arranjos abertos:</strong> operadoras com mais de 500 mil trabalhadores atendidos não podem mais concentrar emissão do cartão, credenciamento e liquidação numa rede fechada.</li>\n<li><strong>Interoperabilidade plena:</strong> os arranjos devem compartilhar a rede credenciada, sem discriminar transações de outras bandeiras.</li>\n<li><strong>Nada de vantagens para o empregador:</strong> o contrato não pode prever deságio, desconto sobre o valor contratado, prazos que descaracterizem o pré-pagamento nem benefícios alheios à alimentação, como academia, plano de saúde ou crédito. Contratos em desacordo não podem ser prorrogados.</li>\n</ul>\n<p>A vedação ao deságio já constava da Lei nº 14.442/2022. O decreto a reforçou: a operadora que oferecer essa vantagem fica sujeita à multa máxima e, se reincidir, perde o registro no PAT.</p>\n<h3 id=\"as-regras-valem-tambem-fora-do-pat\">As regras valem também fora do PAT</h3>\n<p>Em julho, o MTE informou que o decreto se aplica a todas as empresas que concedem VA ou VR, inscritas ou não no PAT, e considerou irregular separar o saldo do trabalhador em categorias como “Auxílio PAT” e “Auxílio CLT” para cobrar taxas ou prazos diferentes. As multas vão de R$ 5 mil a R$ 50 mil, em dobro na reincidência ou no embaraço à fiscalização, e quem descumpre pode perder incentivos como a dedução no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).</p>\n<h2 id=\"cronograma\">Cronograma</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>O que acontece</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>12/11/2025</td>\n<td>Decreto publicado; vedação de deságio e de vantagens indiretas já vale</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>10/02/2026</td>\n<td>Tetos de taxa, proibição de cobranças extras e repasse em até 15 dias</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>11/05/2026</td>\n<td>Arranjos com mais de 500 mil trabalhadores têm de ser abertos</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>22/07/2026</td>\n<td>MTE informa que as regras valem também fora do PAT</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Setembro/2026</td>\n<td>MTE abre prazo de 60 dias para o recadastramento no PAT</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>07/11/2026</td>\n<td>Fim do prazo de 360 dias para a interoperabilidade plena</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>09/11/2026</td>\n<td>Último dia do recadastramento, segundo o MTE</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>O MTE fala em interoperabilidade “em novembro de 2026”. A data de 7 de novembro segue a mesma contagem que levou a 10 de fevereiro e 11 de maio: 360 dias após a publicação. No mesmo prazo, operadoras com contratos com estados, Distrito Federal e municípios devem aplicar o repasse de 15 dias a eles.</p>\n<h2 id=\"a-disputa-na-justica\">A disputa na Justiça</h2>\n<p>Entre janeiro e fevereiro de 2026, grandes operadoras obtiveram liminares contra pontos do decreto. Em 24 de fevereiro, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), a presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) suspendeu a maior parte delas, segundo a Bloomberg Línea. Em maio, a associação das operadoras (ABBT) levou o tema ao Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 7962. Em setembro, segundo o ConJur, a relatora, ministra Cármen Lúcia, rejeitou a ação sem analisar o mérito, por entender que eventual inconstitucionalidade seria apenas indireta.</p>\n<p>O decreto está em vigor, mas o debate não acabou: a suspensão das liminares é provisória, e o mérito das ações ainda pode ser julgado.</p>\n<h2 id=\"o-que-muda-para-as-empresas\">O que muda para as empresas</h2>\n<h3 id=\"contrato-com-a-operadora\">Contrato com a operadora</h3>\n<p>Sem deságio, a negociação passa a girar em torno da taxa de administração, da rede credenciada e do atendimento. Peça por escrito o plano da operadora para a interoperabilidade, confirme se ela separa saldos com condições diferentes e revise as cláusulas antes de renovar.</p>\n<p>Um exemplo: uma empresa com 200 colaboradores que recebem R$ 800,00 de VA por mês credita R$ 160.000,00 nos cartões, e esse valor deve chegar inteiro aos trabalhadores, sem voltar para a empresa como desconto, bônus ou crédito. Na ponta, numa refeição de R$ 50,00, o restaurante paga no máximo R$ 1,80 de taxa (3,6%) e recebe o restante em até 15 dias.</p>\n<h3 id=\"recadastramento-no-novo-pat\">Recadastramento no novo PAT</h3>\n<p>As Portarias MTE nº 1.582 e nº 1.599, de setembro de 2026, exigem o recadastramento integral de empresas beneficiárias, fornecedoras, facilitadoras e nutricionistas no novo sistema (novopat.trabalho.gov.br), com login gov.br. Os dados antigos não são migrados, e quem perder o prazo é excluído automaticamente, podendo pedir nova inscrição depois, sob as regras vigentes. Segundo a ata da reunião de setembro do comitê gestor do PAT, só cerca de 25% das empresas beneficiárias tinham concluído o processo. Como o texto da portaria também admite contar o prazo desde 8 de setembro, o que o levaria a 7 de novembro, o mais seguro é não deixar para a última semana.</p>\n<h3 id=\"orientacao-a-equipe\">Orientação à equipe</h3>\n<p>O decreto atribui à empresa o dever de orientar os trabalhadores sobre o uso do benefício. No TIRVU+, VA/VR, VT, plano de saúde e seguros ficam registrados por colaborador e integrados à folha, e o portal do colaborador permite enviar comunicados pelo app a equipes espalhadas em vários postos.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-colaborador-precisa-saber\">O que o colaborador precisa saber</h2>\n<ul>\n<li><strong>O valor não muda.</strong> As regras tratam do funcionamento do sistema.</li>\n<li><strong>O uso segue restrito à alimentação.</strong> Não há saque nem troca por dinheiro, e o cartão não serve para academia, farmácia ou cursos.</li>\n<li><strong>O saldo é seu.</strong> Pelo Decreto 10.854/2021, o valor creditado pode ser usado mesmo depois do desligamento.</li>\n<li><strong>A aceitação deve crescer aos poucos.</strong> Após o prazo de novembro, o cartão deve passar nas maquininhas habilitadas dos estabelecimentos credenciados, de qualquer operadora. Segundo a ata do comitê gestor, parte dos supermercados ainda não atualizou o sistema de caixa para o trilho voucher, o caminho próprio das transações de benefício.</li>\n<li><strong>Se o cartão for recusado:</strong> confira a rede no app da operadora, peça para passar na opção voucher ou benefício, avise o RH e reclame na operadora. Irregularidades podem ser denunciadas nos canais do MTE.</li>\n</ul>\n<p>E a portabilidade? A troca gratuita de operadora a pedido do trabalhador está prevista na Lei 14.442/2022, mas ficou fora do cronograma do decreto e não tinha calendário oficial até esta publicação.</p>\n<h2 id=\"o-que-observar-em-novembro\">O que observar em novembro</h2>\n<ul>\n<li><strong>A interoperabilidade.</strong> O comitê gestor interministerial do PAT (MTE, Fazenda e Casa Civil) tratou o tema como prioridade em setembro e relatou conversas com credenciadoras e registradoras para remover obstáculos. Ele pode editar normas complementares e até alterar os tetos de taxa.</li>\n<li><strong>O prazo do novo sistema do PAT</strong>, já que a empresa excluída precisa refazer a inscrição.</li>\n<li><strong>Decisões judiciais</strong> que mudem o alcance das regras para operadoras específicas.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Recadastrar a empresa no novo sistema do PAT até 9 de novembro</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar contratos: sem deságio, desconto, bônus ou benefícios indiretos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Não renovar contrato em desacordo com o decreto</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Pedir à operadora o plano de interoperabilidade</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Verificar se o saldo dos trabalhadores é separado com taxas ou prazos diferentes</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Comunicar à equipe as regras de uso e o que fazer em caso de recusa</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar a política de benefícios e o orçamento de 2027</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Acompanhar o comitê gestor e as decisões judiciais</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-empresa-que-nao-esta-no-pat-precisa-seguir-as-novas-regras\">A empresa que não está no PAT precisa seguir as novas regras?</h3>\n<p>Sim. Segundo o MTE, as regras alcançam todas as empresas que concedem VA ou VR, além de operadoras e credenciadoras.</p>\n<h3 id=\"meu-cartao-vai-passar-em-qualquer-maquininha-em-novembro\">Meu cartão vai passar em qualquer maquininha em novembro?</h3>\n<p>Essa é a meta do decreto, mas ela vale para maquininhas habilitadas de estabelecimentos credenciados, e a implantação pode ser desigual no início.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-ainda-pode-receber-desconto-da-operadora\">A empresa ainda pode receber desconto da operadora?</h3>\n<p>Não. Deságio, desconto sobre o valor contratado e vantagens indiretas são proibidos.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>A reforma do PAT mexe em custos, contratos e na rotina de quem usa o cartão. Para RH e DP, novembro concentra duas tarefas: recadastrar a empresa e preparar a equipe para a interoperabilidade, com contratos revisados e comunicação clara. No planejamento do próximo ano, considere também o reajuste do <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/salario-minimo-2027-impacto-folha/\">salário mínimo de 2027</a>.</p>\n<p>Quer organizar os benefícios por colaborador e manter a equipe informada pelo app? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2025/decreto-12712-11-novembro-2025-798276-publicacaooriginal-176977-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Câmara dos Deputados: Decreto nº 12.712/2025</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/servicos/empregador/programa-de-alimentacao-do-trabalhador-pat/perguntas-e-respostas-maio2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: perguntas e respostas sobre o PAT (maio/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/julho/regras-do-auxilio-alimentacao-e-do-auxilio-refeicao-passam-a-valer-para-todas-as-empresas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: regras valem para todas as empresas (22/07/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/setembro/pat-empresas-e-nutricionistas-tem-60-dias-para-se-recadastrar-no-novo-sistema\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: recadastramento no novo sistema (10/09/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/servicos/empregador/programa-de-alimentacao-do-trabalhador-pat/ata_2_rocgepat_assinado_assinado_assinado_assinado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: ata da 2ª reunião do Comitê Gestor do PAT (setembro/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/vale-refeicao-alimentacao-novas-regras-pat.jpg","date_published":"2026-10-02T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["vale-refeição","vale-alimentação","PAT","benefícios","Decreto 12.712"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"vale-refeicao-alimentacao-novas-regras-pat","category":"Folha e benefícios","audience":["rh","dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/vale-refeicao-alimentacao-novas-regras-pat.svg","cover_alt":"Ilustração de cartões de vale-refeição e vale-alimentação de diferentes operadoras passando por uma maquininha de cartão universal","toc":[{"id":"o-que-o-decreto-12-712-mudou","text":"O que o Decreto 12.712 mudou","level":2},{"id":"as-regras-valem-tambem-fora-do-pat","text":"As regras valem também fora do PAT","level":3},{"id":"cronograma","text":"Cronograma","level":2},{"id":"a-disputa-na-justica","text":"A disputa na Justiça","level":2},{"id":"o-que-muda-para-as-empresas","text":"O que muda para as empresas","level":2},{"id":"contrato-com-a-operadora","text":"Contrato com a operadora","level":3},{"id":"recadastramento-no-novo-pat","text":"Recadastramento no novo PAT","level":3},{"id":"orientacao-a-equipe","text":"Orientação à equipe","level":3},{"id":"o-que-o-colaborador-precisa-saber","text":"O que o colaborador precisa saber","level":2},{"id":"o-que-observar-em-novembro","text":"O que observar em novembro","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-empresa-que-nao-esta-no-pat-precisa-seguir-as-novas-regras","text":"A empresa que não está no PAT precisa seguir as novas regras?","level":3},{"id":"meu-cartao-vai-passar-em-qualquer-maquininha-em-novembro","text":"Meu cartão vai passar em qualquer maquininha em novembro?","level":3},{"id":"a-empresa-ainda-pode-receber-desconto-da-operadora","text":"A empresa ainda pode receber desconto da operadora?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/saude-mental-afastamentos-inss-recorde/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/saude-mental-afastamentos-inss-recorde/","title":"Afastamentos por saúde mental batem recorde: o que o RH pode fazer","summary":"Benefícios do INSS por transtornos mentais chegaram a 546.254 em 2025, quase 16% a mais que em 2024. Veja o que o recorde indica e como RH e equipes podem agir.","content_html":"<p>A Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, quase 16% a mais que os 472.328 de 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social no fim de janeiro de 2026. Ansiedade e depressão lideram a lista, e as mulheres respondem por mais de 63% dos casos. Para o RH, o novo recorde é um alerta sobre absenteísmo, rotatividade e organização do trabalho; para os colaboradores, um lembrete de que buscar ajuda e conhecer os próprios direitos faz diferença.</p>\n<h2 id=\"o-que-os-numeros-mostram\">O que os números mostram</h2>\n<p>O total de 2024 já havia sido recorde na série histórica, e 2025 foi além. Os transtornos mentais responderam por cerca de 13% dos 4.126.112 benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS no ano, segundo a Agência Brasil. A ansiedade ficou em quarto lugar entre todas as causas de afastamento, e os episódios depressivos, em sexto; as dores nas costas seguem no topo.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Diagnóstico (CID-10)</th>\n<th>Benefícios em 2025</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Outros transtornos ansiosos (F41)</td>\n<td>166.489</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Episódios depressivos (F32)</td>\n<td>126.608</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Transtorno afetivo bipolar (F31)</td>\n<td>60.904</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Transtorno depressivo recorrente (F33)</td>\n<td>60.551</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Os dados contam benefícios concedidos, e não pessoas.</p>\n<h3 id=\"burnout-cresce-rapido\">Burnout cresce rápido</h3>\n<p>Na CID-11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve o burnout (código QD85) como um fenômeno ocupacional: uma síndrome resultante do estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso. No Brasil, o esgotamento (burnout) consta da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde, atualizada pela Portaria GM/MS nº 1.999/2023, associado a fatores como gestão organizacional, jornada e assédio. Levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) com dados do INSS mostra que os afastamentos de mais de 15 dias por burnout passaram de 1.760 em 2023 para 6.985 em 2025, com dados até novembro.</p>\n<h3 id=\"e-em-2026\">E em 2026?</h3>\n<p>Não há balanço oficial fechado. Um levantamento da Cajuína com dados abertos do INSS apontou 232.382 afastamentos por transtornos mentais no primeiro semestre, 13,2% a menos que um ano antes. O estudo alerta que fatores operacionais do INSS, como mutirões de perícia, influenciam a série e que é cedo para falar em reversão.</p>\n<h2 id=\"o-que-isso-significa-para-as-empresas\">O que isso significa para as empresas</h2>\n<p>O INSS só entra a partir do 16º dia: os primeiros 15 dias de afastamento por doença são pagos pela empresa (Lei nº 8.213/1991, art. 60, § 3º). Por isso, a estatística oficial mostra apenas os casos mais longos. Atestados curtos, faltas e queda de rendimento não aparecem nela, mas pesam na folha e na escala.</p>\n<p>Em operações com postos a cobrir, cada ausência vira hora extra, folguista ou substituto e pressiona quem fica. Sem gestão, o ciclo alimenta novos afastamentos e a rotatividade.</p>\n<p>Quando o INSS reconhece a relação com o trabalho, o benefício é acidentário, e as consequências aumentam: os depósitos de FGTS continuam durante a licença (Lei nº 8.036/1990, art. 15, § 5º), e o empregado tem garantia de emprego de, no mínimo, 12 meses após o fim do benefício (Lei nº 8.213/1991, art. 118). A perícia pode reconhecer essa natureza pelo nexo técnico epidemiológico entre a atividade da empresa e a doença, e a empresa pode contestar (art. 21-A).</p>\n<p>Há também a NR-01: desde 26 de maio de 2026, ela exige que os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho façam parte do gerenciamento de riscos ocupacionais. As multas estão suspensas pelo STF, mas a obrigação continua, como explicamos em <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/nr-01-riscos-psicossociais-stf-prazo/\">NR-01 e riscos psicossociais</a>.</p>\n<h2 id=\"sinais-que-merecem-atencao\">Sinais que merecem atenção</h2>\n<p>A OMS descreve o burnout em três dimensões: esgotamento de energia, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. Lideranças não devem diagnosticar ninguém, mas podem perceber mudanças e oferecer apoio. Nos dados da operação, vale observar:</p>\n<ul>\n<li>aumento de atestados curtos e faltas em um mesmo posto ou equipe;</li>\n<li>atrasos frequentes e intervalos não usufruídos;</li>\n<li>horas extras concentradas nas mesmas pessoas;</li>\n<li>conflitos e queixas de pressão excessiva ou de assédio;</li>\n<li>desligamentos e pedidos de transferência sob a mesma liderança.</li>\n</ul>\n<p>Sinais coletivos falam mais da organização do trabalho do que das pessoas, e é nela que a prevenção funciona melhor.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-rh-pode-fazer\">O que o RH pode fazer</h2>\n<ul>\n<li><strong>Prepare as lideranças.</strong> Gestores devem saber acolher, ouvir sem julgar e encaminhar ao serviço médico ou à rede de apoio, sem comentar diagnósticos com a equipe.</li>\n<li><strong>Revise carga, metas e escalas.</strong> O guia do Ministério do Trabalho sobre riscos psicossociais cita a sobrecarga como fator de risco e sugere priorizar tarefas, definir metas realistas, reforçar equipes e garantir pausas regulares.</li>\n<li><strong>Controle horas extras e descanso.</strong> A CLT exige 11 horas consecutivas de descanso entre duas jornadas (art. 66). Acompanhar banco de horas e horas extras por pessoa evita que o excesso vire rotina.</li>\n<li><strong>Abra canais de escuta.</strong> Pesquisas de clima anônimas e o canal de denúncias exigido pela Lei nº 14.457/2022 para empresas com CIPA ajudam a identificar problemas cedo.</li>\n<li><strong>Estruture o retorno ao trabalho.</strong> Pela NR-7, após ausência de 30 dias ou mais por doença ou acidente, o exame de retorno deve ocorrer antes de o empregado reassumir a função, e o médico avalia a necessidade de retorno gradativo. Acompanhe as primeiras semanas.</li>\n<li><strong>Proteja os dados de saúde.</strong> Pela LGPD, informações de saúde são dados pessoais sensíveis (art. 5º, II). Veja como organizar esse fluxo em <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/\">atestado médico com inteligência artificial</a>.</li>\n</ul>\n<p>No TIRVU+, painéis de absenteísmo mostram faltas, atrasos, atestados e afastamentos por posto, contrato e colaborador, e o controle de escalas e banco de horas ajuda a ver onde o excesso de horas se concentra.</p>\n<h2 id=\"o-que-os-colaboradores-precisam-saber\">O que os colaboradores precisam saber</h2>\n<ul>\n<li><strong>Atestado e INSS.</strong> A doença comprovada por atestado justifica a falta. A partir do 16º dia de afastamento, o benefício é pedido ao INSS pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.</li>\n<li><strong>O diagnóstico é seu.</strong> O médico só registra o CID no atestado por justa causa, dever legal ou a seu pedido, com a concordância expressa no documento (Resolução CFM nº 2.381/2024). A empresa deve tratar qualquer dado de saúde com sigilo.</li>\n<li><strong>CAT.</strong> Se a empresa não emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho, o próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato, o médico que o atendeu ou qualquer autoridade pública podem fazê-lo (Lei nº 8.213/1991, art. 22, § 2º).</li>\n<li><strong>Onde buscar ajuda.</strong> O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo 188, 24 horas, e por chat e e-mail. No SUS, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem de graça; os CAPS funcionam em regime de porta aberta, sem agendamento para o primeiro acolhimento. Em emergência, ligue 192 (SAMU).</li>\n</ul>\n<h3 id=\"b31-ou-b91-qual-a-diferenca\">B31 ou B91: qual a diferença?</h3>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th></th>\n<th>B31 (auxílio previdenciário)</th>\n<th>B91 (auxílio acidentário)</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Quando se aplica</td>\n<td>Doença sem relação reconhecida com o trabalho</td>\n<td>Acidente ou doença relacionada ao trabalho, reconhecida pelo INSS</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>FGTS no afastamento</td>\n<td>Depósito não obrigatório</td>\n<td>Depósitos continuam</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Garantia de emprego</td>\n<td>Sem garantia legal específica, salvo norma coletiva</td>\n<td>Mínimo de 12 meses após o fim do benefício</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Mapear faltas, atestados, afastamentos e horas extras por posto, contrato e liderança</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Capacitar lideranças para acolher e encaminhar, sem expor diagnósticos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar a política de atestados: CID não obrigatório e acesso restrito</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Divulgar a rede de apoio: CVV 188, UBS, CAPS e serviço médico da empresa</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Definir um roteiro de retorno ao trabalho com o médico do trabalho</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Avaliar com o SESMT a relação com o trabalho e emitir a CAT quando couber</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Levar os indicadores ao inventário de riscos psicossociais da NR-01</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"preciso-informar-o-diagnostico-a-empresa\">Preciso informar o diagnóstico à empresa?</h3>\n<p>Não. O atestado precisa comprovar o atendimento e os dias de afastamento. O CID só aparece se você autorizar.</p>\n<h3 id=\"burnout-e-considerado-doenca-do-trabalho\">Burnout é considerado doença do trabalho?</h3>\n<p>O burnout está na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde. O reconhecimento em cada caso, porém, depende de avaliação médica e, para fins previdenciários, da perícia do INSS.</p>\n<h3 id=\"quem-tem-direito-a-estabilidade-de-12-meses\">Quem tem direito à estabilidade de 12 meses?</h3>\n<p>Em regra, quem recebeu o auxílio acidentário, contada do fim do benefício. Em 2025, o TST fixou tese vinculante (Tema 125): a garantia não depende de afastamento acima de 15 dias nem do auxílio acidentário quando o nexo entre a doença ocupacional e o trabalho é reconhecido após o fim do contrato. Cada caso exige análise.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O recorde de afastamentos por saúde mental mostra que o tema já chegou à folha, à escala e ao clima das empresas. Como a estatística oficial só capta os casos mais longos, o RH tem espaço para agir antes: lideranças preparadas, carga de trabalho sob controle, canais de escuta e um retorno bem conduzido. E, para quem atravessa um momento difícil, a mensagem é simples: pedir ajuda é um direito, e há caminhos gratuitos e sigilosos para isso.</p>\n<p>Quer acompanhar faltas, atestados e horas extras por posto e agir antes do afastamento? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/desmad/raps/caps\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ministério da Saúde: CAPS</a></li>\n<li><a href=\"https://www.who.int/news/item/28-05-2019-burn-out-an-occupational-phenomenon-international-classification-of-diseases\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">OMS: burn-out como fenômeno ocupacional (28/05/2019)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/doencas-afastaram-41-milhoes-de-trabalhadores-de-suas-funcoes-em-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: afastamentos por doença em 2025 (27/01/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/novas-regras-sobre-saude-mental-no-trabalho-entram-em-vigor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: novas regras de saúde mental no trabalho (26/05/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.anamt.org.br/portal/2026/01/27/levantamento-anamt-com-dados-oficiais-do-inss-revela-crescimento-dos-afastamentos-decorrentes-de-problemas-de-saude-mental-entre-2023-e-2025/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ANAMT: levantamento com dados do INSS (27/01/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/saude-mental-afastamentos-inss-recorde.jpg","date_published":"2026-10-01T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["saúde mental","INSS","afastamentos","burnout","absenteísmo"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"saude-mental-afastamentos-inss-recorde","category":"Gestão de pessoas","audience":["rh","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/saude-mental-afastamentos-inss-recorde.svg","cover_alt":"Ilustração de uma cabeça de perfil com ondas suaves e um gráfico de barras em alta, representando os afastamentos por saúde mental","toc":[{"id":"o-que-os-numeros-mostram","text":"O que os números mostram","level":2},{"id":"burnout-cresce-rapido","text":"Burnout cresce rápido","level":3},{"id":"e-em-2026","text":"E em 2026?","level":3},{"id":"o-que-isso-significa-para-as-empresas","text":"O que isso significa para as empresas","level":2},{"id":"sinais-que-merecem-atencao","text":"Sinais que merecem atenção","level":2},{"id":"o-que-o-rh-pode-fazer","text":"O que o RH pode fazer","level":2},{"id":"o-que-os-colaboradores-precisam-saber","text":"O que os colaboradores precisam saber","level":2},{"id":"b31-ou-b91-qual-a-diferenca","text":"B31 ou B91: qual a diferença?","level":3},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"preciso-informar-o-diagnostico-a-empresa","text":"Preciso informar o diagnóstico à empresa?","level":3},{"id":"burnout-e-considerado-doenca-do-trabalho","text":"Burnout é considerado doença do trabalho?","level":3},{"id":"quem-tem-direito-a-estabilidade-de-12-meses","text":"Quem tem direito à estabilidade de 12 meses?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/","title":"Atestado médico com inteligência artificial: do papel ao fluxo digital no RH","summary":"Veja como a inteligência artificial lê o atestado médico a partir de uma foto, quais validações o RH deve manter e o que a CLT, o CFM e a LGPD exigem.","content_html":"<p>Em empresas de terceirização, o atestado médico costuma fazer uma viagem longa: sai do consultório na bolsa do colaborador, passa pelo supervisor do posto, às vezes vira foto no WhatsApp e só chega ao RH dias depois — quando chega. A inteligência artificial encurta esse caminho: o colaborador fotografa o documento, o sistema lê os dados e o RH recebe tudo organizado para conferir e aprovar. Neste guia, mostramos como esse fluxo funciona, quais validações não podem ser dispensadas e o que a legislação trabalhista, as normas do CFM e a LGPD exigem.</p>\n<h2 id=\"o-problema-do-atestado-em-papel-em-equipes-distribuidas\">O problema do atestado em papel em equipes distribuídas</h2>\n<p>Quando a operação está espalhada por dezenas de postos, cada atestado em papel vira um pequeno projeto logístico. Os problemas mais comuns:</p>\n<ul>\n<li><strong>Extravio:</strong> o documento se perde entre o posto, o supervisor e o escritório.</li>\n<li><strong>Ilegibilidade:</strong> letra difícil, carimbo borrado ou foto tremida escondem o nome do médico, o CRM ou a quantidade de dias.</li>\n<li><strong>Atraso:</strong> o atestado chega depois do fechamento da folha, a falta é descontada e, semanas depois, vira estorno e desgaste com o colaborador.</li>\n<li><strong>Digitação manual:</strong> alguém redigita datas, nome do médico e CRM — e cada digitação é uma chance de erro.</li>\n<li><strong>Falta de rastreabilidade:</strong> ninguém sabe ao certo quem recebeu, quando e o que foi decidido.</li>\n<li><strong>Exposição de dados de saúde:</strong> atestados circulando em grupos de mensagens ou esquecidos sobre a mesa do supervisor.</li>\n</ul>\n<p>A legislação não fixa um prazo específico para a entrega do atestado, como o próprio TST já destacou em material de orientação. Por isso, essa regra precisa estar clara na política interna, respeitando o que a norma coletiva da categoria eventualmente estabelecer.</p>\n<h2 id=\"o-que-a-legislacao-diz-sobre-atestados-e-faltas-justificadas\">O que a legislação diz sobre atestados e faltas justificadas</h2>\n<h3 id=\"doenca-comprovada-e-motivo-justificado\">Doença comprovada é motivo justificado</h3>\n<p>A Lei nº 605/1949, que trata do repouso semanal remunerado, inclui entre os motivos justificados de ausência &quot;a doença do empregado, devidamente comprovada&quot; (art. 6º, § 1º, &quot;f&quot;). O § 2º define uma ordem preferencial de médicos para emitir o atestado, que começa pelo médico da instituição de previdência social e só chega ao médico de escolha do empregado quando os demais não existirem na localidade. A Súmula 15 do TST reforça essa ordem, e a Súmula 282 atribui ao serviço médico da empresa, próprio ou conveniado, o abono dos primeiros 15 dias de ausência. Antes de recusar um atestado com base nessa ordem, alinhe o tema com o jurídico e confira a norma coletiva.</p>\n<h3 id=\"outras-ausencias-legais-tambem-dependem-de-comprovante\">Outras ausências legais também dependem de comprovante</h3>\n<p>O art. 473 da CLT lista faltas que não geram desconto, e várias exigem comprovação: doação voluntária de sangue (um dia a cada 12 meses), acompanhamento da esposa ou companheira em até seis consultas ou exames na gravidez, acompanhamento de filho de até 6 anos em consulta (um dia por ano) e exames preventivos de câncer (até três dias a cada 12 meses). Um bom fluxo digital trata esses comprovantes como trata os atestados.</p>\n<h3 id=\"os-15-primeiros-dias-e-a-regra-dos-60-dias\">Os 15 primeiros dias e a regra dos 60 dias</h3>\n<p>Nos afastamentos por doença, a empresa paga o salário integral dos primeiros 15 dias consecutivos (Lei nº 8.213/1991, art. 60, § 3º); depois, o caso segue para o INSS. No eSocial, o afastamento por doença não relacionada ao trabalho (evento S-2230) passa a ser de envio obrigatório, entre outras hipóteses, quando dura mais de 15 dias ou quando afastamentos pela mesma doença, dentro de 60 dias, somam mais de 15 dias — com prazo até o dia em que se completam 16 dias de afastamento. Atestado atrasado, portanto, pode comprometer também um prazo do eSocial.</p>\n<h2 id=\"o-que-um-atestado-precisa-conter\">O que um atestado precisa conter</h2>\n<p>A Resolução CFM nº 2.381/2024, que normatiza a emissão de documentos médicos, exige que todo documento traga, no mínimo: nome e CRM/UF do médico; RQE, quando houver; nome do paciente e CPF, quando houver; data de emissão; assinatura (qualificada, se eletrônico, ou com carimbo ou número do CRM, se manuscrito); contato profissional e endereço. No atestado de afastamento, deve constar ainda a quantidade de dias de dispensa.</p>\n<p>A mesma resolução diferencia documentos que costumam ser confundidos no RH:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Documento</th>\n<th>Quem emite</th>\n<th>O que comprova</th>\n<th>Efeito prático</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Atestado médico de afastamento</td>\n<td>Médico</td>\n<td>Atendimento e dias de dispensa necessários para a recuperação</td>\n<td>Justifica a ausência pelo período indicado</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Atestado de acompanhamento</td>\n<td>Médico</td>\n<td>Presença de quem acompanhou o paciente, com data e quantidade de dias</td>\n<td>Pode comprovar ausências como as do art. 473 da CLT</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Declaração de comparecimento</td>\n<td>Setor administrativo do estabelecimento de saúde</td>\n<td>Comparecimento ao atendimento, sem recomendação de afastamento</td>\n<td>Pode justificar a falta, desde que haja anuência do empregador</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h3 id=\"cid-so-com-autorizacao-do-paciente\">CID só com autorização do paciente</h3>\n<p>O diagnóstico, codificado ou não, só pode constar do atestado por justa causa, por dever legal ou a pedido do próprio paciente ou de seu representante legal — e, nesse último caso, a concordância deve estar expressa no documento (Resolução CFM nº 2.381/2024, art. 5º, §§ 3º e 4º). A Seção de Dissídios Coletivos do TST também já manteve a nulidade de cláusula coletiva que exigia o CID para validar atestados, por violar a intimidade e a privacidade do trabalhador (RO-213-66.2017.5.08.0000). Na prática, o fluxo digital não deve tornar o CID obrigatório e, quando ele aparecer, precisa ser tratado com acesso restrito.</p>\n<h2 id=\"como-a-inteligencia-artificial-le-um-atestado\">Como a inteligência artificial lê um atestado</h2>\n<p>As ferramentas de leitura combinam reconhecimento óptico de caracteres (OCR) com modelos de IA que entendem a estrutura do documento: não basta &quot;ler letras&quot;, é preciso saber o que é data, o que é CRM e o que é quantidade de dias. O fluxo típico:</p>\n<ol>\n<li><strong>Captura:</strong> o colaborador fotografa o atestado pelo aplicativo ou envia o PDF, se o documento for digital.</li>\n<li><strong>Extração:</strong> a IA identifica nome do paciente, data de emissão, início do afastamento, dias concedidos, nome do médico, CRM/UF e tipo de documento.</li>\n<li><strong>Revisão pelo colaborador:</strong> os campos aparecem preenchidos; ele confere, corrige o que for necessário e envia, com a imagem original anexada.</li>\n<li><strong>Análise do RH:</strong> o RH valida, aprova ou recusa, e a ausência é vinculada ao espelho de ponto.</li>\n</ol>\n<p>No TIRVU+, por exemplo, o colaborador só precisa revisar os dados que a IA preencheu a partir da foto e enviar; o RH analisa e aprova pelo painel web, sem redigitação.</p>\n<p>Um princípio importante: a IA sugere, mas quem decide é uma pessoa. Isso conversa com a LGPD, que garante ao titular o direito de pedir a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado (art. 20).</p>\n<h2 id=\"boas-praticas-de-validacao\">Boas práticas de validação</h2>\n<p>A leitura automática resolve a digitação; a validação continua sendo do RH. Os pontos que mais merecem atenção:</p>\n<ul>\n<li><strong>CRM ativo:</strong> a busca pública de médicos no portal do CFM permite conferir nome, CRM e UF.</li>\n<li><strong>Coerência de datas:</strong> emissão, início do afastamento e dias concedidos precisam bater entre si, com a escala e com as marcações de ponto. Atestado para um dia de folga não justifica falta alguma.</li>\n<li><strong>Duplicidades:</strong> o mesmo documento enviado duas vezes, ou dois atestados para o mesmo período, devem gerar alerta.</li>\n<li><strong>Documentos digitais:</strong> em atestados eletrônicos, verifique a assinatura no validador oficial do ITI (validar.iti.gov.br).</li>\n<li><strong>Tipo de documento:</strong> declaração de comparecimento não equivale a atestado de afastamento.</li>\n<li><strong>Soma de afastamentos:</strong> acompanhe as janelas de 60 dias e envolva o serviço médico da empresa nos casos recorrentes.</li>\n</ul>\n<p>E a plataforma Atesta CFM? Instituída pela Resolução CFM nº 2.382/2024 como sistema oficial de emissão e gerenciamento de atestados, ela está suspensa por decisão judicial, segundo o próprio CFM. Por ora, a conferência depende dos dados do documento e das consultas acima.</p>\n<p>Suspeitas de fraude pedem cuidado redobrado. O Código Penal tipifica o atestado falso dado por médico (art. 302) e o uso de documento falso (art. 304), e a CLT prevê justa causa por ato de improbidade (art. 482, &quot;a&quot;). Pela gravidade, qualquer suspeita deve ser apurada de forma documentada e com apoio jurídico: a IA aponta inconsistências, não culpados.</p>\n<h2 id=\"lgpd-atestado-e-dado-sensivel\">LGPD: atestado é dado sensível</h2>\n<p>Informação de saúde é dado pessoal sensível (LGPD, art. 5º, II), e seu tratamento só pode ocorrer nas hipóteses do art. 11 — no contexto trabalhista, costumam servir de base o cumprimento de obrigação legal ou regulatória e o exercício regular de direitos (art. 11, II, &quot;a&quot; e &quot;d&quot;). Na rotina, isso significa:</p>\n<ul>\n<li><strong>Necessidade:</strong> só quem precisa vê o atestado. O supervisor do posto — e o cliente, no <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente</a> — precisa saber que a ausência está justificada, não o conteúdo do documento.</li>\n<li><strong>Segurança:</strong> controle de acesso por perfil, registro de quem visualizou e armazenamento protegido (art. 46).</li>\n<li><strong>Canal oficial:</strong> nada de grupos de WhatsApp ou cópias impressas circulando.</li>\n<li><strong>Retenção definida:</strong> combine com o jurídico por quanto tempo guardar os documentos, considerando o prazo prescricional trabalhista (Constituição Federal, art. 7º, XXIX).</li>\n</ul>\n<p>Ambientes separados para colaboradores, gestores e clientes, como os do TIRVU+, ajudam a aplicar esse princípio sem depender da boa vontade de cada usuário.</p>\n<h2 id=\"papel-x-fluxo-digital-com-ia\">Papel x fluxo digital com IA</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Etapa</th>\n<th>Atestado em papel</th>\n<th>Fluxo digital com IA</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Entrega</td>\n<td>Física, depende de deslocamento</td>\n<td>Foto pelo app, no mesmo dia</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Leitura</td>\n<td>Manual, sujeita a ilegibilidade</td>\n<td>Extração automática, revisada pelo colaborador</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Lançamento</td>\n<td>Redigitação pelo RH</td>\n<td>Campos preenchidos e vinculados ao ponto</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Prazos do eSocial</td>\n<td>Risco com documentos atrasados</td>\n<td>Soma de afastamentos visível em tempo real</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Rastreabilidade</td>\n<td>Quase nenhuma</td>\n<td>Histórico de envio, análise e decisão</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Privacidade</td>\n<td>Documento passa de mão em mão</td>\n<td>Acesso restrito por perfil</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"checklist-para-implantar-o-atestado-digital\">Checklist para implantar o atestado digital</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Política de atestados publicada, com prazo de envio, canais aceitos e tipos de documento</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Colaboradores orientados a fotografar o documento e revisar os dados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Responsáveis pela análise definidos, com substitutos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Critérios de validação documentados: CRM, datas, duplicidades e tipo de documento</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Alertas configurados para a soma de afastamentos em 60 dias</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Perfis de acesso revisados com base no princípio da necessidade</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Integração com escala e espelho de ponto testada</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Prazo de retenção definido com o jurídico</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"qual-e-o-prazo-para-entregar-o-atestado-medico\">Qual é o prazo para entregar o atestado médico?</h3>\n<p>A legislação não fixa um prazo específico para a entrega, como o próprio TST já destacou em material de orientação. Por isso, o prazo precisa estar claro na política interna da empresa, respeitando o que a norma coletiva da categoria eventualmente estabelecer.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-pode-exigir-o-cid-no-atestado\">A empresa pode exigir o CID no atestado?</h3>\n<p>Na prática, o CID não deve ser obrigatório. A Resolução CFM nº 2.381/2024 só permite que o diagnóstico conste do atestado por justa causa, por dever legal ou a pedido do paciente ou de seu representante legal, e a Seção de Dissídios Coletivos do TST já manteve a nulidade de uma cláusula coletiva que exigia o CID para validar atestados, por violar a intimidade e a privacidade do trabalhador. Quando o CID aparecer, o acesso a ele deve ser restrito.</p>\n<h3 id=\"a-inteligencia-artificial-substitui-o-rh-na-analise-do-atestado\">A inteligência artificial substitui o RH na análise do atestado?</h3>\n<p>Não. A IA lê a foto e preenche os campos, mas a validação continua sendo do RH, que deve conferir CRM, datas, duplicidades e tipo de documento antes de aprovar ou recusar. A IA sugere e uma pessoa decide, em linha com a LGPD, que garante ao titular o direito de pedir a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado (art. 20).</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O atestado médico não precisa ser o documento mais frágil do RH. Com a leitura por inteligência artificial, o colaborador envia em minutos, o RH deixa de digitar e passa a validar, e a empresa ganha prazos sob controle e dados de saúde mais protegidos. O equilíbrio é claro: automação na captura, critério humano na decisão e respeito às regras do CFM e da LGPD. Para alinhar esse fluxo ao controle de jornada, leia também nosso <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/\">guia completo da Portaria 671</a>.</p>\n<p>Quer ver na prática como o TIRVU+ transforma a foto de um atestado em um registro pronto para aprovação, integrado ao ponto e à escala? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com nossa equipe</a> e agende uma demonstração.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.tst.jus.br/en/-/reportagem-especial-voce-sabe-qual-a-diferenca-entre-atestado-medico-e-atestado-de-comparecimento-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TST: a diferença entre atestado médico e atestado de comparecimento (2016)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l0605.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 605/1949, repouso semanal remunerado</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 8.213/1991, planos de benefícios da Previdência Social</a></li>\n<li><a href=\"https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2024/2381_2024.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CFM: Resolução nº 2.381/2024, emissão de documentos médicos</a></li>\n<li><a href=\"https://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/tst-mantem-nulidade-de-clausula-que-exigia-cid-em-atestados-medicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TST: nulidade de cláusula que exigia CID em atestados (2019)</a></li>\n<li><a href=\"https://validar.iti.gov.br/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ITI: validador de assinaturas digitais</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial.jpg","date_published":"2026-09-30T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["atestado médico","inteligência artificial","LGPD","gestão de RH","terceirização"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"atestado-medico-inteligencia-artificial","category":"Gestão operacional","audience":["rh","dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":11,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial.svg","cover_alt":"Ilustração abstrata de um celular fotografando um atestado médico, com os campos de dados destacados por linhas de leitura digital","toc":[{"id":"o-problema-do-atestado-em-papel-em-equipes-distribuidas","text":"O problema do atestado em papel em equipes distribuídas","level":2},{"id":"o-que-a-legislacao-diz-sobre-atestados-e-faltas-justificadas","text":"O que a legislação diz sobre atestados e faltas justificadas","level":2},{"id":"doenca-comprovada-e-motivo-justificado","text":"Doença comprovada é motivo justificado","level":3},{"id":"outras-ausencias-legais-tambem-dependem-de-comprovante","text":"Outras ausências legais também dependem de comprovante","level":3},{"id":"os-15-primeiros-dias-e-a-regra-dos-60-dias","text":"Os 15 primeiros dias e a regra dos 60 dias","level":3},{"id":"o-que-um-atestado-precisa-conter","text":"O que um atestado precisa conter","level":2},{"id":"cid-so-com-autorizacao-do-paciente","text":"CID só com autorização do paciente","level":3},{"id":"como-a-inteligencia-artificial-le-um-atestado","text":"Como a inteligência artificial lê um atestado","level":2},{"id":"boas-praticas-de-validacao","text":"Boas práticas de validação","level":2},{"id":"lgpd-atestado-e-dado-sensivel","text":"LGPD: atestado é dado sensível","level":2},{"id":"papel-x-fluxo-digital-com-ia","text":"Papel x fluxo digital com IA","level":2},{"id":"checklist-para-implantar-o-atestado-digital","text":"Checklist para implantar o atestado digital","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"qual-e-o-prazo-para-entregar-o-atestado-medico","text":"Qual é o prazo para entregar o atestado médico?","level":3},{"id":"a-empresa-pode-exigir-o-cid-no-atestado","text":"A empresa pode exigir o CID no atestado?","level":3},{"id":"a-inteligencia-artificial-substitui-o-rh-na-analise-do-atestado","text":"A inteligência artificial substitui o RH na análise do atestado?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite/","title":"Isenção do IR até R$ 5 mil: o que muda no holerite, no 13º e na declaração","summary":"Lei 15.270/2025 zera o IR de quem ganha até R$ 5 mil e reduz o desconto até R$ 7.350. Veja exemplos no holerite, o 13º, a PLR e a declaração de 2027.","content_html":"<p>Desde 1º de janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5.000,00 por mês em rendimentos tributáveis deixou de ter Imposto de Renda retido na fonte. A mudança vem da Lei nº 15.270/2025, sancionada em 26 de novembro de 2025, que criou uma redução do imposto — total até R$ 5 mil e parcial até R$ 7.350,00 — válida também para o 13º salário. Com o 13º chegando e a declaração de 2027 no horizonte, veja como a regra aparece no holerite e o que o DP precisa conferir.</p>\n<h2 id=\"como-a-reducao-funciona\">Como a redução funciona</h2>\n<p>A lei não mexeu nas faixas da tabela progressiva mensal, que é a mesma desde maio de 2025: isenção até R$ 2.428,80 e alíquota máxima de 27,5% acima de R$ 4.664,68. O que mudou foi a criação de um redutor, aplicado depois do cálculo tradicional (art. 3º-A da Lei nº 9.250/1995, incluído pela Lei nº 15.270):</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Rendimento tributável no mês</th>\n<th>Redução do imposto</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Até R$ 5.000,00</td>\n<td>Até R$ 312,89, de modo que o imposto fique zerado</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>De R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00</td>\n<td>R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento tributável)</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Acima de R$ 7.350,00</td>\n<td>Sem redução</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Dois detalhes importam na folha:</p>\n<ul>\n<li><strong>A faixa é verificada pelo rendimento bruto.</strong> Nos exemplos da Receita Federal, a tabela de redução usa o valor do salário, não a base depois de INSS, dependentes ou desconto simplificado. Horas extras, adicional noturno e outras verbas tributáveis do mês entram na conta.</li>\n<li><strong>A redução nunca passa do imposto apurado.</strong> Ela zera ou diminui o desconto, sem gerar crédito ao trabalhador.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"quem-e-afetado\">Quem é afetado</h2>\n<p>A regra vale para todo rendimento sujeito à tabela mensal: empregados CLT, servidores, aposentados e pensionistas. Segundo a Agência Brasil, o Ministério da Fazenda estima cerca de 16 milhões de beneficiados. Em terceirizadas de vigilância, limpeza e facilities, adicionais e horas extras deixam muitos salários perto do limite: um mês com mais horas pode passar de R$ 5 mil e gerar um desconto pequeno.</p>\n<p>Atenção a quem tem dois empregos: cada fonte pagadora aplica a redução separadamente, e a soma pode gerar imposto a pagar na declaração anual.</p>\n<h2 id=\"linha-do-tempo\">Linha do tempo</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>O que acontece</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>26/11/2025</td>\n<td>Lei nº 15.270 é sancionada</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>1º/01/2026</td>\n<td>Redução mensal vale para rendimentos pagos desde então; começa a retenção sobre dividendos</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>17/09/2026</td>\n<td>PL 5.397/2026 propõe, no Senado, corrigir as tabelas de redução pelo IPCA</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>23/11/2026</td>\n<td>eSocial passa a validar, na base da Receita, o CPF de dependentes do S-1210</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Até 18/12/2026</td>\n<td>Segunda parcela do 13º, o primeiro de fim de ano com a redução</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Fevereiro de 2027</td>\n<td>Informe de rendimentos de 2026, até o último dia útil</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"exemplos-no-holerite\">Exemplos no holerite</h2>\n<p>Premissas: tabela do INSS de 2026, sem dependentes ou outras deduções; a folha usa o mais vantajoso entre as deduções legais e o desconto simplificado mensal de R$ 607,20.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th></th>\n<th>Salário de R$ 4.800,00</th>\n<th>Salário de R$ 6.000,00</th>\n<th>Salário de R$ 8.000,00</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>INSS</td>\n<td>R$ 473,51</td>\n<td>R$ 641,51</td>\n<td>R$ 921,51</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Dedução usada</td>\n<td>Simplificada: R$ 607,20</td>\n<td>INSS: R$ 641,51</td>\n<td>INSS: R$ 921,51</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Base de cálculo</td>\n<td>R$ 4.192,80</td>\n<td>R$ 5.358,49</td>\n<td>R$ 7.078,49</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Imposto pela tabela</td>\n<td>R$ 267,89</td>\n<td>R$ 564,85</td>\n<td>R$ 1.037,85</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Redução</td>\n<td>R$ 267,89</td>\n<td>R$ 179,75</td>\n<td>R$ 0,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td><strong>IR retido</strong></td>\n<td><strong>R$ 0,00</strong></td>\n<td><strong>R$ 385,10</strong></td>\n<td><strong>R$ 1.037,85</strong></td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<ul>\n<li><strong>R$ 4.800,00:</strong> o redutor de até R$ 312,89 absorve todo o imposto. Em dezembro de 2025, esse mesmo salário tinha R$ 267,89 de IR retido.</li>\n<li><strong>R$ 6.000,00:</strong> a redução é R$ 978,62 − (0,133145 × R$ 6.000,00) = R$ 179,75. A fórmula usa os R$ 6.000,00 brutos, não a base de R$ 5.358,49.</li>\n<li><strong>R$ 8.000,00:</strong> acima de R$ 7.350,00, nada muda.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"13-salario-ferias-e-plr\">13º salário, férias e PLR</h2>\n<p><strong>13º salário.</strong> O imposto sobre o 13º é exclusivo na fonte e calculado à parte, e a lei estende a redução a ele de forma expressa (§ 3º do art. 3º-A). Um 13º de até R$ 5.000,00 fica sem IR; um de R$ 6.000,00 segue o exemplo acima e tem R$ 385,10 retidos. Prazos e cálculo com médias estão no guia do <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/decimo-terceiro-salario-2026-prazos-calculo/\">13º salário de 2026</a>.</p>\n<p><strong>Férias.</strong> O IR sobre férias e terço constitucional é calculado separadamente dos demais rendimentos do mês, pela tabela mensal (Regulamento do Imposto de Renda, art. 682), e também entra na regra. A lei não detalha o caso de salário e férias pagos no mesmo mês: confirme a parametrização com o fornecedor da folha.</p>\n<p><strong>PLR.</strong> A participação nos lucros continua com tabela exclusiva própria, anual, isenta até R$ 8.214,40 na versão em vigor desde maio de 2025, segundo a Receita. A lei estendeu a redução ao 13º, mas não à PLR.</p>\n<h2 id=\"declaracao-de-2027-e-compensacoes\">Declaração de 2027 e compensações</h2>\n<p>Na declaração de 2027 (ano-calendário 2026), há uma redução anual: rendimentos tributáveis de até R$ 60.000,00 ficam sem imposto, e entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200,00 o redutor é de R$ 8.429,73 − (0,095575 × rendimentos). O teto do desconto simplificado anual sobe para R$ 17.640,00. O 13º, tributado exclusivamente na fonte, fica fora dessa conta.</p>\n<p>Para compensar a perda de arrecadação, a lei criou a tributação mínima para rendas acima de R$ 600 mil por ano, com alíquota crescente que chega a 10% a partir de R$ 1,2 milhão, apurada pela primeira vez na declaração de 2027. Também criou a retenção de 10% sobre o total de lucros e dividendos pagos no mês por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física, quando passam de R$ 50 mil.</p>\n<p>Os valores da redução não têm correção automática. O PL 5.397/2026, do senador Esperidião Amin, propõe atualizá-los pelo IPCA a partir de 2027 e aguardava despacho no Senado no fim de setembro; a própria Lei 15.270 manda o Executivo enviar ao Congresso, em até um ano, um projeto de política de atualização dos valores do IRPF. Por ora, nada muda na folha.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-colaborador-deve-conferir-no-holerite\">O que o colaborador deve conferir no holerite</h2>\n<ul>\n<li><strong>Linha do IRRF:</strong> com até R$ 5.000,00 tributáveis no mês, ela deve vir zerada. Alguns sistemas mostram a redução à parte; outros, só o imposto final.</li>\n<li><strong>Total tributável do mês:</strong> some salário, horas extras e adicionais; é esse total que define a redução.</li>\n<li><strong>Dependentes:</strong> cada um deduz R$ 189,59 da base. Mantenha o CPF deles atualizado no RH, porque o eSocial vai validá-los.</li>\n<li><strong>Dois vínculos:</strong> reserve parte da renda para um possível imposto na declaração.</li>\n<li><strong>Informe de rendimentos:</strong> em fevereiro de 2027, compare-o com os holerites. No IRPF 2026, a Receita atribuiu boa parte das inconsistências da pré-preenchida a rubricas mal classificadas no eSocial, como salário, 13º e férias.</li>\n</ul>\n<p>No TIRVU+, que se integra ao sistema de folha, o holerite chega ao app pelo portal do colaborador, com assinatura eletrônica de validade ICP-Brasil, e o RH pode publicar comunicados explicando a mudança.</p>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Confirmar com o fornecedor da folha que a redução usa o rendimento tributável bruto do mês e fica limitada ao imposto apurado</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Simular a 2ª parcela do 13º com a redução antes de fechar a folha de dezembro</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Definir e documentar o tratamento de férias pagas no mesmo mês do salário</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar rubricas e conferir rendimentos e IRRF no S-1210, base do informe de rendimentos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Atualizar o CPF dos dependentes antes de 23/11/2026, conforme a Nota Técnica S-1.3 nº 07/2026 do eSocial</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Se a empresa distribui lucros, reter 10% do total pago no mês ao sócio que receber mais de R$ 50 mil e informar na EFD-Reinf</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Comunicar os colaboradores, com atenção a quem tem redução parcial ou dois vínculos</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"quem-ganha-r-5-200-00-perde-toda-a-isencao\">Quem ganha R$ 5.200,00 perde toda a isenção?</h3>\n<p>Não, a redução diminui aos poucos. Nas mesmas premissas dos exemplos, o imposto pela tabela seria de R$ 357,89 e a redução, de R$ 286,27, o que deixa R$ 71,62 de IR retido.</p>\n<h3 id=\"o-colaborador-precisa-pedir-a-isencao\">O colaborador precisa pedir a isenção?</h3>\n<p>Não. A empresa aplica a redução automaticamente no IRRF; a declaração anual segue obrigatória para quem se enquadra nas regras de entrega.</p>\n<h3 id=\"o-ir-do-13-tambem-e-zerado\">O IR do 13º também é zerado?</h3>\n<p>Sim, até R$ 5.000,00, com redução parcial até R$ 7.350,00: a lei aplica a mesma tabela de redução à tributação exclusiva do 13º.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>A Lei 15.270 mudou o holerite de milhões de trabalhadores sem alterar a tabela do IR: a redução entra depois do cálculo e olha para o rendimento bruto do mês. Para o DP, o fim de ano concentra os pontos de atenção — 13º, férias, dependentes e dados do eSocial que alimentam o informe e a declaração de 2027. Em casos específicos, como dois vínculos ou distribuição de lucros, valide o cálculo também com a contabilidade.</p>\n<p>Quer que seus colaboradores recebam e assinem o holerite pelo celular, com comunicados claros sobre as novas regras? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e conheça os <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/planos/\">planos</a>.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2025/lei-15270-26-novembro-2025-798354-publicacaooriginal-177117-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 — Câmara dos Deputados</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/tabelas/2026\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tributação de 2026 — Receita Federal</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/meu-imposto-de-renda/tabelas/exemplos-de-aplicacao-da-lei-15-270-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Exemplos de aplicação da Lei nº 15.270/2025 — Receita Federal</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/inss/pt-br/direitos-e-deveres/inscricao-e-contribuicao/tabela-de-contribuicao-mensal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tabela de contribuição mensal — INSS</a></li>\n<li><a href=\"https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/175813\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto de Lei nº 5.397/2026 — Senado Federal</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite.jpg","date_published":"2026-09-29T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["Imposto de Renda","Lei 15.270","holerite","13º salário","folha de pagamento"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite","category":"Folha e benefícios","audience":["dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite.svg","cover_alt":"Ilustração de um holerite com a linha do imposto de renda zerada e um selo de isenção ao lado","toc":[{"id":"como-a-reducao-funciona","text":"Como a redução funciona","level":2},{"id":"quem-e-afetado","text":"Quem é afetado","level":2},{"id":"linha-do-tempo","text":"Linha do tempo","level":2},{"id":"exemplos-no-holerite","text":"Exemplos no holerite","level":2},{"id":"13-salario-ferias-e-plr","text":"13º salário, férias e PLR","level":2},{"id":"declaracao-de-2027-e-compensacoes","text":"Declaração de 2027 e compensações","level":2},{"id":"o-que-o-colaborador-deve-conferir-no-holerite","text":"O que o colaborador deve conferir no holerite","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"quem-ganha-r-5-200-00-perde-toda-a-isencao","text":"Quem ganha R$ 5.200,00 perde toda a isenção?","level":3},{"id":"o-colaborador-precisa-pedir-a-isencao","text":"O colaborador precisa pedir a isenção?","level":3},{"id":"o-ir-do-13-tambem-e-zerado","text":"O IR do 13º também é zerado?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/licenca-paternidade-ampliada-lei-15371/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/licenca-paternidade-ampliada-lei-15371/","title":"Licença-paternidade de até 20 dias: o que muda com a Lei 15.371/2026","summary":"A Lei 15.371/2026 amplia a licença-paternidade para 10 dias em 2027 e cria o salário-paternidade. Veja prazos, eSocial, escalas e os direitos do pai.","content_html":"<p>Sancionada em 31 de março de 2026 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, a Lei nº 15.371/2026 regulamenta a licença-paternidade e cria o salário-paternidade, benefício pago pela Previdência Social. A partir de 1º de janeiro de 2027, o afastamento do pai passa de 5 para 10 dias e sobe por etapas até 20 dias em 2029, se a meta fiscal for cumprida. Para RH e DP, a mudança afeta escalas, folha e eSocial; para o colaborador, traz novos direitos e regras claras para pedir a licença.</p>\n<h2 id=\"o-que-muda-com-a-nova-lei\">O que muda com a nova lei</h2>\n<p>A Constituição de 1988 previu a licença-paternidade, mas deixou a duração para lei posterior. Até 31 de dezembro de 2026, segue valendo o prazo provisório de cinco dias do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Os principais pontos da nova regra:</p>\n<ul>\n<li><strong>Duração escalonada:</strong> 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 em 2029, contados do nascimento, da adoção ou da guarda judicial para fins de adoção.</li>\n<li><strong>Salário-paternidade:</strong> o período passa a ser pago como benefício previdenciário, igual à remuneração integral do empregado (pela média dos seis últimos meses, se variável).</li>\n<li><strong>Estabilidade:</strong> fica proibida a dispensa sem justa causa do início da licença até um mês após o fim.</li>\n<li><strong>Prorrogações:</strong> a internação da mãe ou do bebê ligada ao parto estende a licença pelo tempo da internação, e o filho com deficiência garante um terço a mais.</li>\n<li><strong>Pai solo:</strong> sem registro da mãe na certidão, ou na adoção feita só pelo pai, a licença equivale à licença-maternidade, inclusive em duração e estabilidade.</li>\n<li><strong>Dedicação à família:</strong> o pai não pode exercer atividade remunerada no período, e a licença pode ser suspensa ou negada se houver elementos concretos de violência doméstica ou abandono material.</li>\n</ul>\n<h3 id=\"a-condicao-fiscal-dos-20-dias\">A condição fiscal dos 20 dias</h3>\n<p>A última etapa não é automática. A lei condiciona os 20 dias ao cumprimento da meta fiscal da Lei de Diretrizes Orçamentárias “referente ao segundo ano”, dentro das margens de tolerância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem a meta, os 20 dias só valem a partir do segundo exercício seguinte àquele em que ela for cumprida.</p>\n<h2 id=\"linha-do-tempo\">Linha do tempo</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Período</th>\n<th>Licença obrigatória</th>\n<th>Com Empresa Cidadã</th>\n<th>Quem custeia os dias obrigatórios</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Até 31/12/2026</td>\n<td>5 dias</td>\n<td>20 dias</td>\n<td>Empresa (salário)</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>A partir de 1º/1/2027</td>\n<td>10 dias</td>\n<td>25 dias</td>\n<td>Previdência (salário-paternidade)</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>A partir de 1º/1/2028</td>\n<td>15 dias</td>\n<td>30 dias</td>\n<td>Previdência (salário-paternidade)</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>A partir de 1º/1/2029</td>\n<td>20 dias, se a meta fiscal for cumprida</td>\n<td>35 dias</td>\n<td>Previdência (salário-paternidade)</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>O Programa Empresa Cidadã (Lei nº 11.770/2008) continua somando 15 dias, agora sobre o prazo legal. Esses dias seguem pagos pela empresa, que pode deduzir o valor do imposto de renda devido se for tributada pelo lucro real. O empregado precisa pedir a prorrogação em até dois dias úteis após o parto e comprovar participação em atividade de orientação sobre paternidade responsável.</p>\n<h2 id=\"quem-tem-direito\">Quem tem direito</h2>\n<p>A licença vale para o empregado com carteira assinada, no nascimento, na adoção ou na guarda judicial para fins de adoção. Na terceirização, isso inclui quem atua em contratos com órgãos públicos, pois o vínculo é com a prestadora. Servidores estatutários seguem o próprio regime. Já o salário-paternidade alcança todos os segurados do INSS, inclusive avulsos, microempreendedores individuais (MEI), contribuintes individuais, facultativos e segurados especiais.</p>\n<h2 id=\"o-que-muda-para-a-empresa\">O que muda para a empresa</h2>\n<h3 id=\"quem-paga\">Quem paga</h3>\n<p>Até o fim de 2026, os cinco dias são salário pago pela empresa. A partir de 2027, a empresa paga o salário-paternidade na folha e é reembolsada pela Previdência “em prazo razoável”, conforme regulamento; micro e pequenas empresas também têm direito ao reembolso. Para domésticos, avulsos e empregados de MEI, o INSS paga diretamente. Até o fechamento deste texto, não localizamos o regulamento que define prazo e forma do reembolso.</p>\n<h3 id=\"esocial\">eSocial</h3>\n<p>A Nota Técnica S-1.3 nº 07/2026, de 4 de setembro, preparou o sistema:</p>\n<ul>\n<li><strong>Tabela 18:</strong> seis motivos de afastamento para a licença-paternidade (códigos 46 a 51), usados no evento S-2230 a partir de 1º de janeiro de 2027. Há códigos para a licença comum, o Empresa Cidadã, a adoção, o atestado médico, a deficiência e o pai solo.</li>\n<li><strong>Tabela 03:</strong> naturezas de rubrica 4052 e 4053 (salário-paternidade pago pelo empregador, mensal e 13º salário) e 9928 e 9929 (pago pela Previdência), válidas a partir de 1º de dezembro de 2026.</li>\n</ul>\n<p>As mudanças entram em produção em 14 de dezembro de 2026. Revise as incidências com a contabilidade: assim como o salário-maternidade, o salário-paternidade integra o salário de contribuição.</p>\n<h3 id=\"documentacao-estabilidade-e-ferias\">Documentação, estabilidade e férias</h3>\n<p>Para facilitar a gestão da escala, a lei exige aviso com pelo menos 30 dias de antecedência, com atestado médico da data provável do parto ou certidão da Vara da Infância e da Juventude; depois, vêm a certidão de nascimento ou o termo de guarda. No parto antecipado, o afastamento é imediato.</p>\n<p>Se o contrato for encerrado entre o aviso e o início da licença, impedindo o seu gozo, o período de estabilidade deve ser indenizado em dobro. O empregado pode emendar as férias à licença se avisar com 30 dias de antecedência, e o período custeado pela Previdência não conta como falta para as férias.</p>\n<h2 id=\"como-planejar-a-cobertura-em-postos-24-horas\">Como planejar a cobertura em postos 24 horas</h2>\n<p>Em vigilância, portaria e facilities, cada licença exige um substituto com a qualificação prevista no contrato. Algumas contas ajudam:</p>\n<ul>\n<li>na escala 12x36, dez dias de licença equivalem a cerca de cinco plantões; com o Empresa Cidadã, os 25 dias de 2027 somam 12 ou 13;</li>\n<li>com férias emendadas, a ausência pode chegar a 40 dias seguidos já em 2027;</li>\n<li>parto antecipado e internação tornam o retorno incerto, então a cobertura precisa de folga.</li>\n</ul>\n<p>Use o aviso de 30 dias: registre a data provável na escala, reserve o folguista e combine a substituição com o cliente.</p>\n<p>Em contratos públicos, a planilha de custos costuma prever a reposição em licença-paternidade com base nos cinco dias atuais. A Lei nº 14.133/2021 admite a revisão de preços quando novas disposições legais têm repercussão comprovada nos custos (art. 134); avalie o reequilíbrio com o jurídico.</p>\n<p>No TIRVU+, a gestão de escalas e banco de horas permite reservar a cobertura do posto a partir da data informada pelo colaborador, e a gestão de férias ajuda a encaixar o descanso emendado.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-colaborador-precisa-saber\">O que o colaborador precisa saber</h2>\n<ol>\n<li><strong>Avise com antecedência:</strong> pelo menos 30 dias antes da data prevista, com o atestado ou a certidão da Vara da Infância.</li>\n<li><strong>Parto antes da hora:</strong> o afastamento começa imediatamente; avise assim que puder e entregue os documentos depois.</li>\n<li><strong>Após o nascimento:</strong> apresente a certidão de nascimento ou o termo de guarda.</li>\n<li><strong>Empresa Cidadã:</strong> se a empresa participa, peça os 15 dias extras em até dois dias úteis após o parto.</li>\n<li><strong>Férias emendadas:</strong> informe a intenção com 30 dias de antecedência.</li>\n</ol>\n<p>MEI e autônomos pedem o salário-paternidade diretamente ao INSS, conforme o regulamento. No TIRVU+, o colaborador envia os documentos pelo app, no portal do colaborador, e assina o comunicado com assinatura eletrônica com validade ICP-Brasil, o que registra a data do aviso. Veja também como digitalizar atestados no artigo sobre <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/atestado-medico-inteligencia-artificial/\">atestado médico com inteligência artificial</a>.</p>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Atualizar a política de licenças e criar um canal de aviso com registro de data</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Parametrizar as rubricas (4052, 4053, 9928 e 9929) e o S-2230 (códigos 46 a 51)</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar folguistas e reserva técnica nos postos 24 horas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Mapear contratos públicos afetados e avaliar o reequilíbrio</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Confirmar o fluxo do Empresa Cidadã, se houver adesão</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Acompanhar o regulamento do reembolso</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Informar os colaboradores sobre os novos direitos</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"meu-filho-nasce-no-fim-de-dezembro-de-2026-valem-os-10-dias\">Meu filho nasce no fim de dezembro de 2026. Valem os 10 dias?</h3>\n<p>Em regra, vale a lei vigente na data do nascimento, que até 31 de dezembro de 2026 prevê cinco dias. Como a nova lei não traz regra para licenças que começam em 2026 e terminam em 2027, esses casos merecem orientação jurídica.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-pode-demitir-o-pai-durante-a-licenca\">A empresa pode demitir o pai durante a licença?</h3>\n<p>Não sem justa causa: a proteção vai do início da licença até um mês após o fim. A dispensa por justa causa continua possível nas hipóteses da CLT.</p>\n<h3 id=\"o-pai-adotante-tambem-tem-direito\">O pai adotante também tem direito?</h3>\n<p>Sim, na adoção e na guarda judicial para fins de adoção. Na adoção conjunta, um adotante recebe a licença-maternidade e o outro, a licença-paternidade.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>A Lei nº 15.371/2026 encerra quase quatro décadas de prazo provisório e transforma o afastamento do pai em um direito mais longo, protegido por estabilidade e custeado pela Previdência. Para as empresas, 2027 começa com folha e eSocial parametrizados, documentação organizada e escalas preparadas para coberturas maiores. Em postos 24 horas, o aviso de 30 dias é peça de planejamento, e não burocracia.</p>\n<p>Quer preparar escalas, férias e documentos da sua operação para a nova licença-paternidade? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e organize coberturas e comunicações.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://legis.senado.leg.br/norma/42975603/publicacao/42998279\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 15.371, de 31 de março de 2026 — Senado Federal</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica/manuais/nota-tecnica-s-1-3-07-2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nota Técnica S-1.3 nº 07/2026 — eSocial</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica/leiautes-esocial-versao-s-1-3-nt-07-2026/tabelas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tabelas do eSocial S-1.3, consolidadas até a NT 07/2026</a></li>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2008/lei-11770-9-setembro-2008-580284-normaatualizada-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 11.770/2008, texto atualizado — Câmara dos Deputados</a></li>\n<li><a href=\"https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/04/01/sancionado-o-aumento-gradual-da-licenca-paternidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sancionado o aumento gradual da licença-paternidade — Agência Senado</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/licenca-paternidade-ampliada-lei-15371.jpg","date_published":"2026-09-25T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["licença-paternidade","salário-paternidade","Lei 15.371","eSocial","escalas"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"licenca-paternidade-ampliada-lei-15371","category":"Gestão de pessoas","audience":["rh","dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/licenca-paternidade-ampliada-lei-15371.svg","cover_alt":"Ilustração de um calendário com dias de licença destacados ao lado de um carrinho de bebê e de um coração","toc":[{"id":"o-que-muda-com-a-nova-lei","text":"O que muda com a nova lei","level":2},{"id":"a-condicao-fiscal-dos-20-dias","text":"A condição fiscal dos 20 dias","level":3},{"id":"linha-do-tempo","text":"Linha do tempo","level":2},{"id":"quem-tem-direito","text":"Quem tem direito","level":2},{"id":"o-que-muda-para-a-empresa","text":"O que muda para a empresa","level":2},{"id":"quem-paga","text":"Quem paga","level":3},{"id":"esocial","text":"eSocial","level":3},{"id":"documentacao-estabilidade-e-ferias","text":"Documentação, estabilidade e férias","level":3},{"id":"como-planejar-a-cobertura-em-postos-24-horas","text":"Como planejar a cobertura em postos 24 horas","level":2},{"id":"o-que-o-colaborador-precisa-saber","text":"O que o colaborador precisa saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"meu-filho-nasce-no-fim-de-dezembro-de-2026-valem-os-10-dias","text":"Meu filho nasce no fim de dezembro de 2026. 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A cerca virtual (geofence) responde a essa pergunta no momento da marcação, mas só funciona bem quando leva em conta a precisão real do GPS, as tentativas de fraude, a falta de sinal e as regras da LGPD. Este guia mostra como configurar tudo isso na prática.</p>\n<h2 id=\"o-que-e-cerca-virtual-no-registro-de-ponto\">O que é cerca virtual no registro de ponto</h2>\n<p>A cerca virtual é um perímetro digital desenhado em torno de um local de trabalho: um ponto central, com as coordenadas do posto, e um raio em metros. No momento da marcação, o aplicativo captura a posição do celular e calcula a distância até o centro do posto. Dentro do raio, a marcação é confirmada no local; fora dele, o sistema sinaliza uma exceção.</p>\n<p>Um esclarecimento importante: a Portaria MTP nº 671/2021 não exige geolocalização. Ela exige registro fiel das marcações, identificação inequívoca do trabalhador e, no comprovante de quem atua em atividade externa ou em instalações de terceiros, o local da prestação do serviço (art. 79, IV). A cerca virtual é uma camada de gestão e de prevenção de fraudes que se soma a essas obrigações. Os detalhes legais estão no nosso <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/\">guia completo da Portaria 671</a>.</p>\n<h3 id=\"como-funciona-passo-a-passo\">Como funciona, passo a passo</h3>\n<ol>\n<li>O posto é cadastrado com endereço e coordenadas, de preferência conferidas no local.</li>\n<li>O gestor define o raio da cerca daquele posto.</li>\n<li>Na marcação, o app registra a localização e a precisão estimada da leitura.</li>\n<li>O sistema compara a posição com a cerca: dentro, fora ou inconclusiva, quando a precisão é baixa demais para decidir.</li>\n<li>A marcação é gravada e, se houver exceção, sinalizada para análise.</li>\n</ol>\n<h2 id=\"a-realidade-da-precisao-do-gps\">A realidade da precisão do GPS</h2>\n<p>O GPS do celular não é uma régua. Segundo o GPS.gov, portal oficial do governo dos Estados Unidos sobre o sistema, smartphones com GPS costumam ter precisão de cerca de 4,9 metros a céu aberto, e essa precisão piora perto de prédios, pontes e árvores. Uso em ambientes internos ou subterrâneos e reflexos do sinal também degradam a leitura.</p>\n<p>Além disso, cada leitura vem acompanhada de uma estimativa de precisão. No Android, por exemplo, ela é informada como um raio em metros com 68% de confiança: há 68% de chance de a posição real estar dentro desse círculo e, portanto, uma chance real de estar fora dele.</p>\n<p>O que isso significa na prática:</p>\n<ul>\n<li><strong>Raio pequeno demais gera falsos alertas</strong>, principalmente em áreas urbanas densas e locais fechados.</li>\n<li><strong>Raio grande demais perde o sentido</strong>, porque aceita marcações feitas a quarteirões de distância.</li>\n<li><strong>A precisão de cada leitura deve pesar na decisão:</strong> uma leitura imprecisa fora da cerca merece tratamento diferente de uma leitura precisa.</li>\n</ul>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Tipo de local</th>\n<th>Desafio típico</th>\n<th>Recomendação</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Área aberta (estacionamento, pátio, obra)</td>\n<td>Sinal bom e perímetro amplo</td>\n<td>Raio que cubra toda a área de trabalho</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Prédio comercial ou condomínio vertical</td>\n<td>Reflexos de sinal entre edifícios</td>\n<td>Raio com folga e análise da precisão estimada</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Shopping, hospital ou subsolo</td>\n<td>Sinal fraco ou ausente nas áreas internas</td>\n<td>Marcar em ponto com sinal ou usar tablet fixo no posto</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Rotas de ronda e manutenção externa</td>\n<td>O local muda ao longo do dia</td>\n<td>Várias cercas ou cercas temporárias por serviço</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"gps-falso-como-identificar-localizacao-simulada\">GPS falso: como identificar localização simulada</h2>\n<p>Aplicativos de &quot;GPS falso&quot; permitem informar ao celular uma posição inventada. Os próprios sistemas operacionais oferecem sinais para identificar isso: no Android, a localização vem marcada como simulada (mock) quando é fornecida por um provedor de teste; no iOS 15 ou superior, há um indicador de que a posição foi gerada por simulação de software.</p>\n<p>Nenhum sinal isolado é infalível, por isso vale combinar camadas:</p>\n<ul>\n<li>sinalização automática de localizações marcadas como simuladas;</li>\n<li>detecção de saltos impossíveis, como marcações em bairros distantes com poucos minutos de diferença;</li>\n<li>comparação da precisão estimada com o padrão habitual do posto;</li>\n<li><a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto/\">reconhecimento facial com prova de vida</a>, para garantir que quem marca é o próprio colaborador.</li>\n</ul>\n<p>Trate cada alerta como indício, não como prova: ouça o colaborador antes de qualquer medida.</p>\n<h2 id=\"postos-rotativos-e-equipes-volantes\">Postos rotativos e equipes volantes</h2>\n<p>Folguistas, coberturas de férias e supervisores que circulam entre clientes são rotina na terceirização, e uma cerca fixa por pessoa não dá conta disso. O caminho é vincular a cerca ao posto, e não ao colaborador, e cruzar cada marcação com a escala do dia. A pergunta deixa de ser &quot;ele estava na cerca dele?&quot; e passa a ser &quot;ele estava no posto em que deveria estar neste turno?&quot;. Para rondas e serviços pontuais, vale prever cercas específicas para cada ponto de passagem ou atendimento.</p>\n<p>No TIRVU+, a cerca virtual é configurada por posto, e postos, contratos e escalas ficam na mesma plataforma, o que facilita conferir quem deveria estar em cada lugar.</p>\n<h2 id=\"sem-sinal-o-ponto-offline-com-o-horario-original\">Sem sinal? O ponto offline com o horário original</h2>\n<p>Subsolos, áreas rurais e falhas de operadora fazem parte da rotina de campo. A Portaria 671 prevê que as marcações do REP-P (o registrador eletrônico de ponto via programa) venham de coletores on-line, admitindo excepcionalmente a marcação off-line, que deve ser enviada assim que o coletor voltar a se conectar (Anexo IX, itens 4 e 5). O registro guarda, separadamente, a data e a hora da marcação e a data e a hora de gravação, além da identificação do coletor e de um código hash (Anexo IX, item 10). Além disso, o leiaute oficial do AFD, o Arquivo Fonte de Dados entregue à fiscalização, indica marcação a marcação se ela foi feita on-line ou off-line. Segundo as perguntas e respostas oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, a marcação off-line não é obrigatória para o REP-P, mas, para equipes de campo, ela faz muita diferença.</p>\n<p>No TIRVU+, o ponto pode ser registrado sem internet e é sincronizado depois, preservando o horário original da marcação.</p>\n<p>Boas práticas para o modo offline:</p>\n<ul>\n<li>identifique no painel as marcações feitas offline, para facilitar a auditoria;</li>\n<li>revise com atenção as que chegarem com muito atraso;</li>\n<li>guarde a localização capturada no momento da marcação, quando disponível, e não a do momento da sincronização.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"bloquear-ou-sinalizar-quem-esta-fora-da-cerca\">Bloquear ou sinalizar quem está fora da cerca?</h2>\n<p>Essa é a decisão mais importante da configuração. A Portaria 671 não trata de cerca virtual, mas determina que o sistema registre fielmente as marcações, sem ações que desvirtuem seus fins legais (art. 74), e prevê a apreensão de documentos e equipamentos quando forem constatadas &quot;parametrizações e bloqueios na marcação&quot; (art. 98). Por isso, a abordagem mais prudente tende a ser não impedir o registro, e sim tratá-lo como exceção. Valide essa decisão com o seu jurídico.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Abordagem</th>\n<th>Como funciona</th>\n<th>Vantagem</th>\n<th>Ponto de atenção</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Bloquear a marcação</td>\n<td>O app impede o registro fora do raio</td>\n<td>Simplicidade</td>\n<td>A jornada real pode ficar sem registro, o que pode conflitar com o dever de registro fiel</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Registrar e sinalizar</td>\n<td>A marcação é gravada com um alerta</td>\n<td>Preserva o registro e cria trilha de auditoria</td>\n<td>Exige rotina de análise dos alertas</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Registrar com justificativa</td>\n<td>O colaborador informa o motivo ao marcar fora da cerca</td>\n<td>Dá contexto imediato ao gestor</td>\n<td>As justificativas precisam ser revisadas</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"lgpd-localizacao-tambem-e-dado-pessoal\">LGPD: localização também é dado pessoal</h2>\n<p>A localização vinculada a um colaborador identificado é dado pessoal (LGPD, art. 5º, I), e a própria Portaria 671 determina que empregadores e empresas envolvidas no tratamento observem a LGPD (art. 101). Os princípios que mais pesam aqui:</p>\n<ul>\n<li><strong>Finalidade e adequação (art. 6º, I e II):</strong> a localização serve para validar a marcação. Usá-la para outro fim exige nova análise.</li>\n<li><strong>Necessidade (art. 6º, III):</strong> colete a posição no momento da marcação, e não ao longo do dia. Rastreamento contínuo seria outra finalidade, com outra justificativa.</li>\n<li><strong>Transparência (arts. 6º, VI, e 9º):</strong> informe com clareza o que é coletado, quando, por quanto tempo, com quem é compartilhado, inclusive com o cliente em um <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente</a>, e quais são os direitos do titular.</li>\n<li><strong>Segurança (arts. 6º, VII, e 46):</strong> restrinja quem vê mapas e coordenadas e registre os acessos.</li>\n</ul>\n<p>Defina e documente a base legal do tratamento (art. 7º) com o encarregado e o jurídico. Se a escolha for o legítimo interesse, a LGPD exige tratar apenas os dados estritamente necessários e adotar medidas de transparência (art. 10, §§ 1º e 2º), e o registro das operações de tratamento ganha ainda mais peso (art. 37). Estabeleça também um prazo de retenção coerente com a finalidade (arts. 15 e 16).</p>\n<h2 id=\"checklist-de-configuracao-da-cerca-virtual\">Checklist de configuração da cerca virtual</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Confirme no local as coordenadas de cada posto.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Defina o raio por tipo de local, considerando a precisão observada.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Escolha a política para marcações fora da cerca: sinalizar, exigir justificativa ou ambos.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Cadastre exceções: serviços externos, coberturas, rondas e eventos.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Configure alertas para o gestor: fora da cerca, localização simulada, baixa precisão e marcação offline.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Defina quem analisa os alertas e em quanto tempo.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Comunique a política aos colaboradores e treine as lideranças.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Documente base legal, retenção e controle de acesso aos dados de localização.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Rode um piloto em postos representativos e ajuste os raios com base nos dados.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-portaria-671-exige-geolocalizacao-no-ponto-eletronico\">A Portaria 671 exige geolocalização no ponto eletrônico?</h3>\n<p>Não. A Portaria MTP nº 671/2021 exige registro fiel das marcações, identificação inequívoca do trabalhador e, no comprovante de quem atua em atividade externa ou em instalações de terceiros, o local da prestação do serviço (art. 79, IV). A cerca virtual é uma camada de gestão e de prevenção de fraudes que se soma a essas obrigações.</p>\n<h3 id=\"o-que-acontece-se-o-colaborador-bater-o-ponto-fora-da-cerca-virtual\">O que acontece se o colaborador bater o ponto fora da cerca virtual?</h3>\n<p>Depende da política escolhida, mas a abordagem mais prudente tende a ser gravar a marcação e sinalizá-la como exceção, em vez de impedir o registro, já que a Portaria 671 exige registro fiel (art. 74) e prevê apreensão quando forem constatadas &quot;parametrizações e bloqueios na marcação&quot; (art. 98). Valide essa decisão com o jurídico e trate cada alerta como indício, não como prova, ouvindo o colaborador antes de qualquer medida.</p>\n<h3 id=\"a-cerca-virtual-acompanha-a-localizacao-do-colaborador-o-dia-todo\">A cerca virtual acompanha a localização do colaborador o dia todo?</h3>\n<p>Não. A posição é capturada no momento da marcação, para validá-la, e o princípio da necessidade da LGPD (art. 6º, III) indica coletá-la só nesse momento, e não ao longo do dia. Rastreamento contínuo seria outra finalidade, com outra justificativa.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>Uma cerca virtual bem configurada reduz fraudes e dúvidas sobre presença sem criar atrito com quem trabalha corretamente. O segredo está em três escolhas: raio compatível com a realidade do GPS, sinalização em vez de bloqueio cego e transparência total com o colaborador.</p>\n<p>Quer ver a cerca virtual por posto e o ponto offline do TIRVU+ funcionando na sua operação? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> ou conheça os <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/planos/\">planos</a>.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/legislacao/portarias-1/portarias-vigentes-3/WORDPortarian671de8denovembrode2021compilada21.07.2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: Portaria MTP nº 671/2021, texto compilado em 21/07/2026</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gps.gov/gps-accuracy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">GPS.gov: precisão do GPS</a></li>\n<li><a href=\"https://developer.android.com/reference/android/location/Location\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Android Developers: classe Location (precisão e localização simulada)</a></li>\n<li><a href=\"https://developer.apple.com/documentation/corelocation/cllocationsourceinformation/issimulatedbysoftware\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Apple Developer: isSimulatedBySoftware (localização simulada no iOS)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/cerca-virtual-geolocalizacao-ponto.jpg","date_published":"2026-09-24T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["cerca virtual","geolocalização","equipes de campo","ponto eletrônico","LGPD"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"cerca-virtual-geolocalizacao-ponto","category":"Ponto eletrônico","audience":["rh","dp"],"featured":false,"reading_minutes":10,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/cerca-virtual-geolocalizacao-ponto.svg","cover_alt":"Ilustração abstrata de um mapa com marcadores de localização envolvidos por círculos de raio, representando a cerca virtual de postos de trabalho","toc":[{"id":"o-que-e-cerca-virtual-no-registro-de-ponto","text":"O que é cerca virtual no registro de ponto","level":2},{"id":"como-funciona-passo-a-passo","text":"Como funciona, passo a passo","level":3},{"id":"a-realidade-da-precisao-do-gps","text":"A realidade da precisão do GPS","level":2},{"id":"gps-falso-como-identificar-localizacao-simulada","text":"GPS falso: como identificar localização simulada","level":2},{"id":"postos-rotativos-e-equipes-volantes","text":"Postos rotativos e equipes volantes","level":2},{"id":"sem-sinal-o-ponto-offline-com-o-horario-original","text":"Sem sinal? 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As mudanças vieram com a Portaria MTE nº 1.115/2026 e com resoluções do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado (CGCONSIG), que também fixaram teto de juros para as operações garantidas e limitaram o custo total do crédito. Para o DP, mudam a rotina mensal e o cálculo da rescisão; para o empregado, as condições de contratação.</p>\n<h2 id=\"como-funciona-o-credito-do-trabalhador\">Como funciona o Crédito do Trabalhador</h2>\n<p>O programa nasceu com a Medida Provisória nº 1.292/2025, convertida na Lei nº 15.179/2025, que alterou a Lei do Crédito Consignado (Lei nº 10.820/2003). A parcela é descontada em folha e repassada ao banco pela empresa.</p>\n<ul>\n<li><strong>Quem pode contratar:</strong> empregados com carteira assinada, inclusive rurais, domésticos e empregados de MEI, além de diretores não empregados com direito ao FGTS.</li>\n<li><strong>Onde:</strong> no app Carteira de Trabalho Digital ou nos canais de bancos habilitados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); autorização por telefone não vale.</li>\n<li><strong>Limite:</strong> as parcelas podem comprometer até 35% da remuneração disponível, que é a soma das verbas sujeitas ao INSS menos INSS, imposto de renda retido e outros descontos obrigatórios.</li>\n<li><strong>Condições:</strong> até 96 parcelas, sem tarifa de abertura de crédito e sem carência.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-mudou-em-2026\">O que mudou em 2026</h2>\n<h3 id=\"garantias-do-fgts-e-da-rescisao\">Garantias do FGTS e da rescisão</h3>\n<p>A Portaria MTE nº 1.115 e a Resolução CGCONSIG nº 3, ambas de 25 de junho de 2026, permitem oferecer em garantia:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Garantia</th>\n<th>Limite</th>\n<th>Quando pode ser usada</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Verbas rescisórias</td>\n<td>35%, até o saldo devedor</td>\n<td>Em qualquer forma de desligamento</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Saldo do FGTS</td>\n<td>Até 10%</td>\n<td>Dispensa sem justa causa, rescisão indireta, culpa recíproca ou força maior; só no saque-rescisão</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Multa do FGTS</td>\n<td>Até 100%</td>\n<td>Mesmas hipóteses, em qualquer modalidade de saque</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>O uso depende de autorização expressa do trabalhador na plataforma, e os valores ficam bloqueados em favor do banco. As garantias valem para crédito novo, refinanciamento e portabilidade, mas não para renegociação.</p>\n<h3 id=\"custo-do-credito\">Custo do crédito</h3>\n<p>A Resolução CGCONSIG nº 2, de 23 de abril, só permite cobrar juros, encargos por atraso, tributos e seguro prestamista contratado expressamente, e limita o Custo Efetivo Total (CET) mensal a 1 ponto percentual acima da taxa de juros. Nas operações com garantia, as Resoluções nº 3 e nº 4 fixaram juros máximos de 1,99% ao mês e cobertura de 100% do valor da operação, tanto na Carteira de Trabalho Digital quanto, desde 25 de julho, nos canais próprios dos bancos.</p>\n<h2 id=\"linha-do-tempo\">Linha do tempo</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>Marco</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>23/4/2026</td>\n<td>Resolução CGCONSIG nº 2 limita encargos e CET</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>25/6/2026</td>\n<td>Portaria MTE nº 1.115 e Resolução nº 3 criam as garantias</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>26/6/2026</td>\n<td>Garantias ficam disponíveis no app e nos bancos</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>23/7/2026</td>\n<td>Passa a valer o novo desconto sobre verbas rescisórias</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>25/7/2026</td>\n<td>Resolução nº 4 amplia a cobertura nos canais dos bancos</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>11/8/2026</td>\n<td>MTE detalha a consulta de contratos na rescisão</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"obrigacoes-do-dp\">Obrigações do DP</h2>\n<h3 id=\"rotina-mensal\">Rotina mensal</h3>\n<p>Entre os dias 21 e 25 de cada mês, o empregador recebe aviso no Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) e deve consultar os contratos no Portal Emprega Brasil a tempo de incluir as parcelas na folha. Depois:</p>\n<ul>\n<li>descontar respeitando os 35% e, se o saldo não bastar, fazer desconto parcial e avisar o empregado;</li>\n<li>usar a rubrica de natureza 9253 no eSocial e discriminar cada operação no holerite;</li>\n<li>recolher pela guia do FGTS Digital, no mesmo vencimento do FGTS mensal (dia 20 do mês seguinte); o empregador doméstico usa o DAE.</li>\n</ul>\n<p>Se não houver remuneração para descontar, como em afastamentos sem salário, o próprio empregado paga a parcela ao banco.</p>\n<h3 id=\"na-rescisao\">Na rescisão</h3>\n<p>Desde 23 de julho de 2026, o desconto rescisório depende de duas informações do banco: o saldo devedor atualizado e o percentual das verbas rescisórias dado em garantia. A base soma à remuneração disponível as férias vencidas, proporcionais e indenizadas, o terço de férias e o aviso prévio. Segundo o MTE (11 de agosto):</p>\n<ol>\n<li>consulte cada contrato ativo (API ou Portal Emprega Brasil) no cálculo da rescisão;</li>\n<li>se o saldo ou o percentual não estiver disponível, não faça o desconto;</li>\n<li>envie o evento S-2299 de preferência no mesmo dia da consulta;</li>\n<li>guarde o último saldo consultado, porque depois do S-2299 o contrato não aparece mais na consulta.</li>\n</ol>\n<p>O valor descontado é recolhido pelo FGTS Digital. Já as garantias do FGTS não passam pela folha: o agente operador do FGTS as executa a pedido do banco, primeiro sobre o saldo e depois sobre a multa.</p>\n<h3 id=\"troca-de-emprego\">Troca de emprego</h3>\n<p>A consignação é redirecionada automaticamente para outro vínculo ativo ou para o próximo emprego. Nos contratos da época da MP, isso depende de previsão contratual; os anteriores a ela não migram. Com mais de um vínculo, vale o de maior margem; na transferência entre empresas do mesmo grupo econômico, as garantias acompanham o trabalhador.</p>\n<h3 id=\"penalidades\">Penalidades</h3>\n<p>Descontar e não repassar sai caro: a Lei nº 15.179/2025 prevê Termo de Débito Salarial emitido pela fiscalização, com força de título executivo, e multa de 30% sobre o valor retido. O empregador ainda responde pelo valor atualizado, por perdas e danos e por sanções administrativas, civis e penais. A Portaria nº 506/2026 acrescenta IPCA, juros de 0,033% ao dia e multa de 2% no atraso, quando o FGTS Digital e o DAE incorporarem o cálculo.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-empregado-precisa-saber\">O que o empregado precisa saber</h2>\n<ul>\n<li><strong>Compare o CET, não só os juros.</strong> A proposta no app mostra valor liberado, parcela, total a pagar, taxa e CET. Em abril, segundo a Agência Brasil, as taxas do consignado CLT variavam de 1,63% a 6,87% ao mês.</li>\n<li><strong>Pese a garantia.</strong> Ela reduz os juros, mas, em caso de demissão, parte da rescisão e do FGTS vai para o banco.</li>\n<li><strong>Cuide do orçamento.</strong> Os 35% são um teto, não uma meta. O programa foi pensado para trocar dívidas mais caras, como rotativo do cartão e cheque especial; nesse caso, compare o custo total.</li>\n<li><strong>Use seus direitos.</strong> É possível desistir em até 7 dias após receber o dinheiro, devolvendo o valor, pedir portabilidade a qualquer tempo e receber o cálculo da quitação antecipada em até cinco dias úteis.</li>\n<li><strong>Confira o holerite.</strong> Cada empréstimo aparece em linha própria e deve bater com os contratos listados na Carteira de Trabalho Digital. Em caso de divergência, procure o DP e o banco; reclamações podem ir ao consumidor.gov.br.</li>\n<li><strong>Desconfie de golpes.</strong> Só bancos habilitados pelo MTE podem operar, e autorização dada por telefone não é aceita.</li>\n</ul>\n<p>No TIRVU+, o colaborador acessa os holerites pelo app, no portal do colaborador, e pode conferir mês a mês a linha do desconto. Veja também o que muda no contracheque com a <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/isencao-imposto-de-renda-5-mil-holerite/\">isenção do imposto de renda</a>.</p>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Garantir a consulta mensal ao Portal Emprega Brasil após os avisos do DET</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar a rubrica 9253 e a discriminação de cada operação no holerite</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Ajustar o cálculo rescisório à base das garantias</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Na rescisão, consultar os contratos, enviar o S-2299 no mesmo dia e guardar o saldo consultado</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Conferir o recolhimento no FGTS Digital até o vencimento</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Orientar os colaboradores sobre CET, garantias e golpes pelos comunicados do portal do colaborador do TIRVU+</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"se-eu-pedir-demissao-o-fgts-quita-o-emprestimo\">Se eu pedir demissão, o FGTS quita o empréstimo?</h3>\n<p>Não. As garantias do FGTS só podem ser usadas em dispensa sem justa causa, rescisão indireta, culpa recíproca ou força maior. A garantia de 35% das verbas rescisórias vale em qualquer desligamento, e o saldo restante segue para o próximo emprego ou pode ser renegociado com o banco.</p>\n<h3 id=\"a-empresa-pode-impedir-que-eu-contrate\">A empresa pode impedir que eu contrate?</h3>\n<p>Não. A decisão é do trabalhador, e a empresa não pode criar exigências fora da lei nem interferir na escolha do banco; cabe a ela descontar e repassar.</p>\n<h3 id=\"o-que-acontece-se-a-empresa-descontar-e-nao-repassar\">O que acontece se a empresa descontar e não repassar?</h3>\n<p>A empresa fica sujeita ao Termo de Débito Salarial e à multa de 30%. Se o banco cobrar uma parcela que já aparece descontada no holerite, guarde o contracheque e procure o banco e o DP.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O Crédito do Trabalhador ficou mais amplo e mais regulado em 2026, com garantias, teto de juros nas operações garantidas e limite para o custo total. Para o DP, o ponto crítico é a rescisão: consultar o saldo devedor, enviar o S-2299 rapidamente e registrar o que foi consultado. Para o empregado, o essencial é comparar o CET e entender o destino da garantia em caso de demissão.</p>\n<p>Quer dar ao seu time acesso simples a holerites e comunicados, com orientações claras sobre o consignado? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e organize essa comunicação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2025/lei-15179-24-julho-2025-797781-publicacaooriginal-175998-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei nº 15.179/2025 — Câmara dos Deputados</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/legislacao/portarias-1/portarias-vigentes-3/word-portaria-mte-no-435-de-20-de-marco-de-2025-compilada-em-26-06-2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portaria MTE nº 435/2025, compilada até a Portaria nº 1.115/2026 — MTE</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/cgconsig-comite-gestor-das-operacoes-de-credito-consignado/resolucoes/resolucao-no-3-de-25-06-2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resolução CGCONSIG/MTE nº 3, de 25 de junho de 2026 — MTE</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/credito-do-trabalhador/empregador/comunicado-aos-empregadores/20260811_comunicado-consulta-consignado-rescisao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Comunicado do MTE sobre desconto de verbas rescisórias (11/08/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/ministerio-restringe-tarifas-e-limita-custo-do-cr%C3%A9dito-consignado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ministério restringe tarifas e limita custo do crédito consignado — Agência Brasil</a></li>\n</ul>\n<p><em>As informações sobre crédito têm caráter educativo e não constituem recomendação financeira.</em></p>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/credito-do-trabalhador-consignado-clt-fgts.jpg","date_published":"2026-09-22T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["Crédito do Trabalhador","consignado CLT","FGTS","eSocial","rescisão"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"credito-do-trabalhador-consignado-clt-fgts","category":"Folha e benefícios","audience":["dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/credito-do-trabalhador-consignado-clt-fgts.svg","cover_alt":"Ilustração de um celular com uma oferta de crédito, um holerite com a parcela descontada e um cofre do FGTS","toc":[{"id":"como-funciona-o-credito-do-trabalhador","text":"Como funciona o Crédito do Trabalhador","level":2},{"id":"o-que-mudou-em-2026","text":"O que mudou em 2026","level":2},{"id":"garantias-do-fgts-e-da-rescisao","text":"Garantias do FGTS e da rescisão","level":3},{"id":"custo-do-credito","text":"Custo do crédito","level":3},{"id":"linha-do-tempo","text":"Linha do tempo","level":2},{"id":"obrigacoes-do-dp","text":"Obrigações do DP","level":2},{"id":"rotina-mensal","text":"Rotina mensal","level":3},{"id":"na-rescisao","text":"Na rescisão","level":3},{"id":"troca-de-emprego","text":"Troca de emprego","level":3},{"id":"penalidades","text":"Penalidades","level":3},{"id":"o-que-o-empregado-precisa-saber","text":"O que o empregado precisa saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"se-eu-pedir-demissao-o-fgts-quita-o-emprestimo","text":"Se eu pedir demissão, o FGTS quita o empréstimo?","level":3},{"id":"a-empresa-pode-impedir-que-eu-contrate","text":"A empresa pode impedir que eu contrate?","level":3},{"id":"o-que-acontece-se-a-empresa-descontar-e-nao-repassar","text":"O que acontece se a empresa descontar e não repassar?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/pejotizacao-stf-tema-1389/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/pejotizacao-stf-tema-1389/","title":"Pejotização no STF: o que está em jogo no Tema 1389 para o RH","summary":"O STF ainda não julgou o Tema 1389, mas as ações sobre pejotização voltaram a andar na Justiça do Trabalho. Veja os riscos e como revisar os contratos PJ.","content_html":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não decidiu se é lícito contratar trabalhadores como pessoa jurídica (PJ) ou autônomos quando a relação tem características de emprego, a chamada pejotização. A questão está no Tema 1389 da repercussão geral, relatado pelo ministro Gilmar Mendes, e o julgamento seguia sem data em 19 de setembro de 2026. Enquanto isso, desde junho, as ações sobre o tema voltaram a tramitar nas Varas do Trabalho e nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), depois de mais de um ano de suspensão nacional.</p>\n<p>Este texto reflete o andamento do caso na data de publicação.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-stf-vai-decidir\">O que o STF vai decidir</h2>\n<p>O caso paradigma é o ARE 1.532.603, em que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) negou vínculo de emprego entre um corretor e uma seguradora ligados por contrato de franquia. O STF reconheceu a repercussão geral em 12 de abril de 2025, e a tese que for fixada valerá para todos os processos semelhantes. Segundo a Agência Brasil, o Plenário vai responder a três perguntas:</p>\n<ol>\n<li><strong>Competência:</strong> se a Justiça do Trabalho é a única competente para julgar alegações de fraude em contratos civis de prestação de serviços.</li>\n<li><strong>Licitude:</strong> se é legal contratar autônomo ou pessoa jurídica para prestar serviços, à luz do entendimento do STF sobre a terceirização de atividade-fim.</li>\n<li><strong>Ônus da prova:</strong> se cabe ao trabalhador ou à empresa provar que o contrato foi firmado para fraudar a relação de emprego.</li>\n</ol>\n<p>Para o relator, a discussão abrange todas as modalidades de contratação civil e comercial, não só a franquia. Ficaram de fora as relações intermediadas por aplicativos, como as de motoristas e entregadores, tratadas no Tema 1291.</p>\n<p>Em fevereiro de 2026, segundo o InfoMoney, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a constitucionalidade de formas de contratação alternativas ao emprego e a competência da Justiça comum para julgar primeiro a validade desses contratos. O parecer não vincula o STF.</p>\n<h2 id=\"o-que-mudou-em-junho-de-2026\">O que mudou em junho de 2026</h2>\n<p>Em decisão divulgada em 18 de junho de 2026, Gilmar Mendes retirou a suspensão nacional, determinada em 14 de abril de 2025, para a primeira e a segunda instâncias da Justiça do Trabalho. Segundo o TST, o relator viu na paralisação um significativo represamento de processos. Na prática:</p>\n<ul>\n<li>Varas e TRTs voltaram a ouvir testemunhas, produzir provas e julgar.</li>\n<li>Após o acórdão do TRT, o processo fica suspenso no próprio tribunal, sem prazo aberto para recurso de revista, conforme despacho de 19 de junho detalhado pelo TRT-15.</li>\n<li>No TST, os processos sobre o tema continuam parados até o julgamento definitivo da tese.</li>\n</ul>\n<p>Ou seja, as provas que a empresa tem, ou não tem, contam agora.</p>\n<h2 id=\"terceirizacao-licita-nao-e-pejotizacao\">Terceirização lícita não é pejotização</h2>\n<p>Desde as Leis 13.429/2017 e 13.467/2017, a Lei 6.019/1974 permite transferir a execução de qualquer atividade, inclusive a principal, a uma empresa prestadora de serviços com capacidade econômica compatível. Em 2018, o STF confirmou a licitude da terceirização de atividade-fim (ADPF 324 e Tema 725), mantida a responsabilidade subsidiária da contratante, que deve verificar a idoneidade e a capacidade econômica da terceirizada.</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Aspecto</th>\n<th>Terceirização regular</th>\n<th>Pejotização irregular</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Quem é contratado</td>\n<td>Empresa com estrutura e equipe próprias</td>\n<td>O próprio trabalhador, por meio de um CNPJ</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Quem dirige o trabalho</td>\n<td>A prestadora, que contrata, remunera e dirige seus empregados</td>\n<td>O contratante, como se fosse empregador</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Trabalhadores</td>\n<td>Registrados pela prestadora, sob a CLT</td>\n<td>Sem registro, com rotina de empregado</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Risco do contratante</td>\n<td>Responsabilidade subsidiária</td>\n<td>Reconhecimento direto do vínculo</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>A Lei 6.019 também prevê quarentena de 18 meses: não pode ser contratada a empresa cujos sócios tenham prestado serviços ao contratante nesse período, salvo aposentados (art. 5º-C), e o empregado demitido não pode voltar à mesma empresa como empregado de terceirizada antes desse prazo (art. 5º-D).</p>\n<h2 id=\"sinais-de-vinculo-de-emprego\">Sinais de vínculo de emprego</h2>\n<p>Pela CLT, é empregado quem presta serviços como pessoa física, de forma não eventual, sob dependência do empregador e mediante salário (art. 3º), e são nulos os atos destinados a fraudar a legislação trabalhista (art. 9º). Desde 2017, o art. 442-B prevê que a contratação de autônomo com todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, afasta a condição de empregado. Na Justiça do Trabalho, porém, pesa como o trabalho acontece de fato. Os sinais de alerta mais comuns:</p>\n<ul>\n<li><strong>Subordinação:</strong> horário fixado e controlado, ordens diretas, metas e punições como as de um empregado.</li>\n<li><strong>Pessoalidade:</strong> o PJ não pode mandar outra pessoa em seu lugar.</li>\n<li><strong>Habitualidade:</strong> trabalho contínuo e integrado à rotina da equipe.</li>\n<li><strong>Pagamento com cara de salário:</strong> valor fixo mensal, sem relação com entregas, e “férias” ou “13º” pagos informalmente.</li>\n<li><strong>Integração:</strong> crachá, e-mail, uniforme e escala iguais aos dos empregados, ou ex-empregado recontratado como PJ.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"os-riscos-para-a-empresa\">Os riscos para a empresa</h2>\n<p>Se o vínculo for reconhecido, a empresa responde pelos direitos do período, com registro em carteira, encargos e contribuições, e pode ser multada em R$ 3.000,00 por empregado não registrado (R$ 800,00 para microempresas e empresas de pequeno porte), pelo art. 47 da CLT. O trabalhador pode cobrar os últimos cinco anos, em ação proposta até dois anos após o fim do contrato (Constituição, art. 7º, XXIX).</p>\n<p>Exemplo simplificado: um PJ que recebeu R$ 8.000,00 por mês durante três anos tem o vínculo reconhecido. Só três verbas somam R$ 79.040,00:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Verba</th>\n<th>Cálculo</th>\n<th>Valor</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>13º salário</td>\n<td>R$ 8.000,00 × 3</td>\n<td>R$ 24.000,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Férias + 1/3</td>\n<td>(R$ 8.000,00 + 1/3) × 3</td>\n<td>R$ 32.000,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>FGTS (8%)</td>\n<td>R$ 640,00 × 36</td>\n<td>R$ 23.040,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Total</td>\n<td></td>\n<td>R$ 79.040,00</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>A conta não inclui multa de 40% do FGTS, férias em dobro, horas extras, verbas rescisórias, contribuições previdenciárias, juros e correção.</p>\n<h2 id=\"como-o-rh-deve-revisar-os-contratos\">Como o RH deve revisar os contratos</h2>\n<ol>\n<li><strong>Compare o papel com a rotina:</strong> para cada PJ, MEI ou autônomo, verifique com os gestores se há horário controlado, ordens diretas ou impossibilidade de substituição.</li>\n<li><strong>Separe os processos:</strong> prestador PJ não deve entrar na escala, no ponto nem nas regras internas dos empregados.</li>\n<li><strong>Alinhe contrato e prática:</strong> objeto definido por entregas, autonomia sobre os meios, possibilidade de substituição e liberdade para atender outros clientes.</li>\n<li><strong>Regularize quando a rotina for de empregado</strong>, com apoio jurídico, em vez de esperar a tese.</li>\n<li><strong>Na terceirização, fiscalize a prestadora:</strong> idoneidade, capacidade econômica e registro dos empregados alocados.</li>\n</ol>\n<p>Na terceirização regular, quem registra jornada, escalas e documentos da equipe é a prestadora. No TIRVU+, por exemplo, holerites, documentos e comunicados ficam no portal do colaborador, com assinatura eletrônica de validade ICP-Brasil, o que ajuda a mostrar ao cliente quem emprega a equipe alocada, tema do nosso artigo sobre o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente na terceirização</a>.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-trabalhador-pj-precisa-saber\">O que o trabalhador PJ precisa saber</h2>\n<ul>\n<li>O STF ainda não decidiu; até lá, valem a CLT e a análise caso a caso.</li>\n<li>Contrato PJ não é proibido, mas um CNPJ não afasta direitos se, na prática, houver subordinação, pessoalidade, habitualidade e pagamento com cara de salário.</li>\n<li>Como PJ, você paga os próprios tributos e não tem, por lei, FGTS, 13º ou férias remuneradas. Considere isso ao negociar o valor.</li>\n<li>Guarde registros de como o trabalho acontece, como mensagens, escalas e comprovantes de pagamento. O prazo para reclamar é de até dois anos após o fim da relação.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Listar contratos com PJ, MEI e autônomos e classificá-los por risco</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Tirar prestadores PJ da escala e do ponto dos empregados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Conferir a quarentena de 18 meses antes de contratar ex-empregados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar cláusulas de objeto, entregas, autonomia e substituição</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Documentar a fiscalização das empresas terceirizadas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar as provisões das ações em andamento, que voltaram a ser instruídas</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Acompanhar o julgamento do Tema 1389</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"contratar-pj-e-proibido\">Contratar PJ é proibido?</h3>\n<p>Não. A lei admite contratar autônomos e empresas, e o STF já validou a terceirização de qualquer atividade. O risco é usar o contrato PJ para encobrir uma relação de emprego.</p>\n<h3 id=\"o-que-acontece-quando-o-stf-julgar-o-tema-1389\">O que acontece quando o STF julgar o Tema 1389?</h3>\n<p>A tese valerá para todos os processos semelhantes, inclusive os que aguardam nos TRTs e no TST, e deve definir quem julga esses casos, quando a contratação é lícita e quem prova a fraude.</p>\n<h3 id=\"terceirizar-a-atividade-fim-continua-permitido\">Terceirizar a atividade-fim continua permitido?</h3>\n<p>Sim. A Lei 6.019/1974 e o STF admitem a terceirização de qualquer atividade, com prestadora que tenha capacidade econômica e dirija seus empregados. O Tema 1389 trata da contratação do próprio trabalhador como PJ.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O Tema 1389 deve redefinir as regras para contratos PJ, mas ainda não tem data de julgamento, e os processos voltaram a ser instruídos. Para RH e DP, a melhor postura é não apostar no resultado: revisar contratos, separar terceirização de pejotização e corrigir rotinas que pareçam emprego. A mesma lógica de registros organizados vale para o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao/\">controle de EPI na terceirização</a>.</p>\n<p>Quer organizar documentos, comunicados e assinaturas da sua equipe registrada, com validade ICP-Brasil? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.tst.jus.br/-/stf-retira-suspensao-de-processos-sobre-pejotizacao-na-primeira-instancia-e-nos-trts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TST: STF retira suspensão de processos sobre pejotização (18/06/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://trt15.jus.br/legislacao/normas-institucionais/comunicados/comunicado-gp-vpj-cr-no-0012026\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TRT-15: Comunicado GP-VPJ-CR nº 001/2026 (07/07/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/stf-suspende-todas-acoes-do-pais-sobre-pejotizacao-de-trabalhadores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: STF suspende ações sobre pejotização (14/04/2025)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.infomoney.com.br/politica/pgr-envia-ao-supremo-parecer-favoravel-a-pejotizacao-do-trabalho/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">InfoMoney: parecer da PGR no Tema 1389 (06/02/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://conjur.com.br/2026-jun-18/gilmar-libera-retomada-de-acoes-sobre-pejotizacao-na-justica-do-trabalho-ate-julgamento-de-tema-na-corte/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ConJur: Gilmar libera ações sobre pejotização (18/06/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/pejotizacao-stf-tema-1389.jpg","date_published":"2026-09-19T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["pejotização","STF","Tema 1389","vínculo empregatício","terceirização"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"pejotizacao-stf-tema-1389","category":"Legislação","audience":["rh","dp"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/pejotizacao-stf-tema-1389.svg","cover_alt":"Ilustração de uma balança que pesa um crachá de empregado contra um documento de registro de empresa, diante das colunas de um tribunal","toc":[{"id":"o-que-o-stf-vai-decidir","text":"O que o STF vai decidir","level":2},{"id":"o-que-mudou-em-junho-de-2026","text":"O que mudou em junho de 2026","level":2},{"id":"terceirizacao-licita-nao-e-pejotizacao","text":"Terceirização lícita não é pejotização","level":2},{"id":"sinais-de-vinculo-de-emprego","text":"Sinais de vínculo de emprego","level":2},{"id":"os-riscos-para-a-empresa","text":"Os riscos para a empresa","level":2},{"id":"como-o-rh-deve-revisar-os-contratos","text":"Como o RH deve revisar os contratos","level":2},{"id":"o-que-o-trabalhador-pj-precisa-saber","text":"O que o trabalhador PJ precisa saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"contratar-pj-e-proibido","text":"Contratar PJ é proibido?","level":3},{"id":"o-que-acontece-quando-o-stf-julgar-o-tema-1389","text":"O que acontece quando o STF julgar o Tema 1389?","level":3},{"id":"terceirizar-a-atividade-fim-continua-permitido","text":"Terceirizar a atividade-fim continua permitido?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao/","title":"Controle de EPI na terceirização: o que a NR-6 exige e como evitar passivo","summary":"Entenda o que a NR-6 exige no controle de EPI e uniformes na terceirização, como a falta de registro vira passivo trabalhista e como digitalizar as entregas.","content_html":"<p>Na terceirização, o equipamento de proteção individual não fica guardado em um único almoxarifado: ele está espalhado por dezenas de postos, clientes e turnos. Quando um auditor fiscal, um cliente ou uma reclamação trabalhista pergunta &quot;onde está a prova de que esse EPI foi entregue, trocado e usado?&quot;, a resposta precisa aparecer em minutos — e não depender de uma ficha de papel esquecida no posto. Este guia resume o que a NR-6 exige, como a falta de registro se transforma em passivo e como organizar um controle digital por posto.</p>\n<h2 id=\"por-que-o-epi-e-um-ponto-sensivel-na-terceirizacao\">Por que o EPI é um ponto sensível na terceirização</h2>\n<p>Em empresas de vigilância, limpeza, facilities e manutenção, o controle de EPI enfrenta desafios próprios:</p>\n<ul>\n<li><strong>Pulverização:</strong> cada posto tem seu estoque, seus riscos e sua rotina.</li>\n<li><strong>Rotatividade e coberturas:</strong> folguistas e substitutos circulam por vários postos e precisam do EPI certo em cada um.</li>\n<li><strong>Distância da gestão:</strong> o supervisor visita o posto periodicamente, não todos os dias.</li>\n<li><strong>Papel que se perde:</strong> fichas preenchidas no posto raramente chegam íntegras ao arquivo.</li>\n</ul>\n<p>Há também o olhar do cliente. Pela Lei nº 6.019/1974, é responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores quando o serviço é prestado em suas dependências ou em local combinado em contrato (art. 5º-A, § 3º). Faz sentido, portanto, que tomadores mais estruturados peçam evidências de entrega de EPI — e quem as tem organizadas sai na frente.</p>\n<h2 id=\"o-que-a-nr-6-exige-da-empresa\">O que a NR-6 exige da empresa</h2>\n<p>A base legal está na CLT: a empresa deve fornecer gratuitamente EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento (art. 166), e o equipamento só pode ser vendido ou utilizado com Certificado de Aprovação, o CA (art. 167). A NR-6 detalha as obrigações da organização no item 6.5.1:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Obrigação (NR-6, item 6.5.1)</th>\n<th>Como fica na prática</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>a) adquirir somente EPI aprovado</td>\n<td>Conferir o CA na consulta pública do sistema CAEPI, do Ministério do Trabalho e Emprego, antes da compra</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>b) orientar e treinar o empregado</td>\n<td>Registrar orientações e treinamentos, com data e conteúdo</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>c) fornecer gratuitamente, adequado ao risco e em perfeito estado</td>\n<td>Seguir o que foi definido no gerenciamento de riscos, respeitando a hierarquia das medidas de prevenção</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>d) registrar o fornecimento</td>\n<td>Livros, fichas ou sistema eletrônico, inclusive biométrico</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>e) exigir o uso</td>\n<td>Fiscalizar no posto e documentar a fiscalização</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção, quando aplicável</td>\n<td>Seguir as instruções do fabricante ou importador</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>g) substituir imediatamente quando danificado ou extraviado</td>\n<td>Manter estoque e processo de troca ágeis</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>h) comunicar irregularidades</td>\n<td>Informar o órgão nacional competente em segurança e saúde no trabalho</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Dois detalhes costumam passar despercebidos. Se a empresa adotar sistema eletrônico, ele precisa permitir a extração de relatórios (item 6.5.1.1). E a seleção do EPI deve ser registrada, podendo integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com participação do SESMT, quando houver, e após ouvir os trabalhadores usuários e a CIPA ou o representante nomeado (itens 6.5.2.1 e 6.5.2.2).</p>\n<h3 id=\"e-as-obrigacoes-do-trabalhador\">E as obrigações do trabalhador?</h3>\n<p>O empregado deve usar o EPI fornecido, apenas para a finalidade a que se destina, cuidar da limpeza, guarda e conservação, comunicar extravio ou dano e cumprir as orientações sobre o uso adequado (item 6.6.1). A CLT considera ato faltoso a recusa injustificada ao uso dos EPIs fornecidos (art. 158, parágrafo único, &quot;b&quot;). Mas, para aplicar qualquer medida disciplinar, a empresa precisa provar que entregou, orientou e cobrou — e isso, de novo, depende de registro.</p>\n<h2 id=\"ca-validade-e-troca-tres-controles-diferentes\">CA, validade e troca: três controles diferentes</h2>\n<p>É comum misturar esses prazos, mas cada um exige atenção própria:</p>\n<ul>\n<li><strong>CA:</strong> o EPI deve ser comercializado com CA válido (item 6.9.2.1). A conferência, portanto, acontece na compra.</li>\n<li><strong>Validade do equipamento:</strong> depois de adquirido, o fornecimento deve respeitar as condições de armazenamento e o prazo de validade informados pelo fabricante ou importador (item 6.9.2.1.1).</li>\n<li><strong>Troca:</strong> além da substituição imediata em caso de dano ou extravio, alguns itens têm vida útil limitada pelo número de higienizações, informação que o fabricante deve indicar (item 6.8.1.1).</li>\n</ul>\n<p>Como todo EPI deve trazer marcados o nome do fabricante ou importador, o lote de fabricação e o número do CA (item 6.9.3), vale registrar esses dados no momento da entrega. É isso que permite rastrear, por exemplo, quem recebeu um lote com problema.</p>\n<h2 id=\"como-a-falta-de-registro-vira-passivo-trabalhista\">Como a falta de registro vira passivo trabalhista</h2>\n<p>O ponto central está na jurisprudência do TST. A Súmula 80 afirma que a eliminação da insalubridade mediante fornecimento de aparelhos protetores aprovados exclui o adicional. A Súmula 289 faz a ressalva decisiva: o simples fornecimento não exime o empregador do pagamento, cabendo a ele tomar medidas que reduzam ou eliminem a nocividade, &quot;entre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado&quot;.</p>\n<p>Traduzindo para a operação: para afastar o adicional de insalubridade (CLT, arts. 191 e 192), a empresa precisa demonstrar uma cadeia completa — EPI adequado e com CA, entregue, trocado no prazo e efetivamente usado. Quem não consegue provar a entrega, a troca e a fiscalização do uso fica sem seu principal argumento.</p>\n<p>E essa prova pode ser exigida anos depois. O trabalhador pode reclamar créditos dos últimos cinco anos, em ação proposta até dois anos após o fim do contrato (Constituição Federal, art. 7º, XXIX). Ou seja: o registro precisa ser recuperável mesmo quando o posto ou o contrato com o cliente já terminou.</p>\n<h2 id=\"o-epi-no-esocial-o-evento-s-2240\">O EPI no eSocial: o evento S-2240</h2>\n<p>O evento S-2240 (Condições Ambientais do Trabalho – Agentes Nocivos) informa a exposição do trabalhador a agentes nocivos e, quando há exposição, declara os EPCs instalados e os EPIs disponibilizados. Para cada EPI, informa-se o número do CA (ou do documento de avaliação) e se os equipamentos são eficazes para neutralizar a exposição. O envio deve ocorrer até o dia 15 do mês seguinte à admissão do trabalhador ou à alteração das condições informadas.</p>\n<p>Dois pontos do Manual de Orientação do eSocial merecem destaque. Primeiro: a informação sobre EPI no S-2240 não substitui a obrigação de registrar a entrega dos equipamentos. Segundo: os eventos de SST são a forma de cumprir a obrigação de elaborar e atualizar o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), que é eletrônico desde 1º de janeiro de 2023. Declarar EPI eficaz no eSocial sem lastro nas fichas de entrega cria uma inconsistência difícil de explicar em uma fiscalização ou em um processo.</p>\n<h2 id=\"uniformes-tambem-precisam-de-controle\">Uniformes também precisam de controle</h2>\n<p>Uniforme comum não se confunde com EPI, que é o dispositivo concebido para proteger contra riscos ocupacionais e precisa de CA (NR-6, itens 6.3.1 e 6.4.1). Ainda assim, ele gera obrigações e custos. A CLT permite ao empregador definir o padrão de vestimenta, inclusive com logomarcas, e atribui ao trabalhador a higienização do uniforme, salvo quando forem necessários procedimentos ou produtos diferentes dos usados em roupas comuns (art. 456-A). Controlar tamanhos, quantidades, trocas e devolução no desligamento evita perdas e discussões. Confira também o que a convenção coletiva da categoria estabelece sobre o tema.</p>\n<h2 id=\"entrega-digital-com-assinatura-eletronica\">Entrega digital com assinatura eletrônica</h2>\n<p>A NR-6 admite expressamente o registro do fornecimento em sistema eletrônico. Um fluxo digital bem desenhado funciona assim:</p>\n<ol>\n<li>O supervisor seleciona o colaborador e os itens entregues, com CA, lote, tamanho e quantidade.</li>\n<li>O colaborador confirma o recebimento e assina eletronicamente no aplicativo, com data, hora e localização registradas.</li>\n<li>O registro entra no histórico do colaborador e do posto, pronto para gerar relatórios.</li>\n<li>O sistema calcula a próxima troca de cada item e avisa antes do vencimento.</li>\n</ol>\n<p>Quanto à validade jurídica, a MP nº 2.200-2/2001 admite meios de comprovação de autoria e integridade de documentos eletrônicos diferentes da certificação ICP-Brasil, desde que aceitos pelas partes (art. 10, § 2º). Por isso, vale prever o uso da assinatura eletrônica no contrato de trabalho ou em termo específico.</p>\n<p>No TIRVU+, a entrega de uniformes e EPIs é registrada com a assinatura digital do colaborador no app, com validade jurídica ICP-Brasil, e o sistema emite alertas de vencimento e troca. O estoque fica visível por posto — inclusive o de descartáveis: quando o registro individual for inviável, a NR-6 exige que eles estejam disponíveis na embalagem original, em quantidade suficiente e com reposição imediata (item 6.5.1.2).</p>\n<h2 id=\"papel-x-controle-digital\">Papel x controle digital</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Aspecto</th>\n<th>Ficha em papel</th>\n<th>Controle digital</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Registro da entrega</td>\n<td>Depende de a ficha chegar ao arquivo</td>\n<td>Imediato, com data, hora e local</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Assinatura</td>\n<td>Manuscrita, sujeita a extravio</td>\n<td>Eletrônica, vinculada ao colaborador</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Prazos de troca</td>\n<td>Controle manual ou inexistente</td>\n<td>Alertas automáticos por item</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Estoque por posto</td>\n<td>Planilhas desatualizadas</td>\n<td>Visível em tempo real</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Relatórios</td>\n<td>Montados à mão</td>\n<td>Extraídos em minutos</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Evidência para o cliente</td>\n<td>Cópias enviadas sob demanda</td>\n<td>Disponível para consulta</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"checklist-de-conformidade-em-epi\">Checklist de conformidade em EPI</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Seleção dos EPIs registrada e integrada ao PGR</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> CA conferido no CAEPI antes de cada compra</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Registro individual de entrega com item, CA, lote, quantidade, data e assinatura</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Orientações e treinamentos documentados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Prazos de validade e de troca definidos por item, conforme o fabricante</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Fiscalização do uso no posto, registrada em checklists</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Estoque mínimo por posto, incluindo descartáveis</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> S-2240 coerente com o que é efetivamente entregue</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Registros guardados e recuperáveis por anos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Evidências organizadas para apresentar ao cliente</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"entregar-o-epi-basta-para-nao-pagar-o-adicional-de-insalubridade\">Entregar o EPI basta para não pagar o adicional de insalubridade?</h3>\n<p>Não. Pela Súmula 289 do TST, o simples fornecimento do equipamento não exime o empregador do pagamento: ele precisa adotar medidas que reduzam ou eliminem a nocividade, inclusive as relativas ao uso efetivo do EPI pelo empregado. Na prática, a empresa precisa provar que o EPI adequado e com CA foi entregue, trocado no prazo e efetivamente usado.</p>\n<h3 id=\"a-ficha-de-epi-pode-ser-digital-com-assinatura-eletronica\">A ficha de EPI pode ser digital, com assinatura eletrônica?</h3>\n<p>Sim. A NR-6 aceita o registro do fornecimento em sistema eletrônico, inclusive biométrico, desde que ele permita extrair relatórios (item 6.5.1.1). Quanto à assinatura, a MP nº 2.200-2/2001 admite meios de comprovar a autoria e a integridade de documentos eletrônicos diferentes da certificação ICP-Brasil, se as partes concordarem, por isso vale prever a assinatura eletrônica no contrato de trabalho ou em termo específico.</p>\n<h3 id=\"o-s-2240-do-esocial-substitui-a-ficha-de-entrega-de-epi\">O S-2240 do eSocial substitui a ficha de entrega de EPI?</h3>\n<p>Não. Segundo o Manual de Orientação do eSocial, a informação sobre EPI no S-2240 não substitui a obrigação de registrar a entrega dos equipamentos. Declarar EPI eficaz no eSocial sem as fichas de entrega como lastro cria uma inconsistência difícil de explicar na fiscalização ou em um processo.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>Na terceirização, o controle de EPI é ao mesmo tempo obrigação legal, proteção do trabalhador e argumento comercial. A NR-6 deixa claro o que precisa ser feito, e a Súmula 289 do TST mostra que entregar não basta: é preciso provar a entrega, a troca e o uso efetivo. Empresas que digitalizam esse registro reduzem passivo, respondem rápido à fiscalização e ainda podem compartilhar as evidências com o tomador, como mostramos no artigo sobre o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente na terceirização</a>.</p>\n<p>Quer organizar a entrega de EPIs e uniformes da sua operação com assinatura digital ICP-Brasil, alertas de troca e estoque por posto? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6019.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 6.019/1974 (trabalho temporário e terceirização)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-06-atualizada-2025-ii.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: NR-6, texto atualizado</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/equipamentos-de-protecao-individual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MTE: consulta pública de CA (CAEPI)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/antigas_2001/2200-2.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Medida Provisória nº 2.200-2/2001</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao.jpg","date_published":"2026-09-17T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["NR-6","EPI","terceirização","segurança do trabalho","eSocial"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"controle-epi-nr6-terceirizacao","category":"Legislação","audience":["rh","dp"],"featured":false,"reading_minutes":10,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao.svg","cover_alt":"Ilustração de um capacete de segurança ao lado de uma ficha digital de EPI com itens conferidos, assinatura eletrônica, calendário de validade e escudo de conformidade","toc":[{"id":"por-que-o-epi-e-um-ponto-sensivel-na-terceirizacao","text":"Por que o EPI é um ponto sensível na terceirização","level":2},{"id":"o-que-a-nr-6-exige-da-empresa","text":"O que a NR-6 exige da empresa","level":2},{"id":"e-as-obrigacoes-do-trabalhador","text":"E as obrigações do trabalhador?","level":3},{"id":"ca-validade-e-troca-tres-controles-diferentes","text":"CA, validade e troca: três controles diferentes","level":2},{"id":"como-a-falta-de-registro-vira-passivo-trabalhista","text":"Como a falta de registro vira passivo trabalhista","level":2},{"id":"o-epi-no-esocial-o-evento-s-2240","text":"O EPI no eSocial: o evento S-2240","level":2},{"id":"uniformes-tambem-precisam-de-controle","text":"Uniformes também precisam de controle","level":2},{"id":"entrega-digital-com-assinatura-eletronica","text":"Entrega digital com assinatura eletrônica","level":2},{"id":"papel-x-controle-digital","text":"Papel x controle digital","level":2},{"id":"checklist-de-conformidade-em-epi","text":"Checklist de conformidade em EPI","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"entregar-o-epi-basta-para-nao-pagar-o-adicional-de-insalubridade","text":"Entregar o EPI basta para não pagar o adicional de insalubridade?","level":3},{"id":"a-ficha-de-epi-pode-ser-digital-com-assinatura-eletronica","text":"A ficha de EPI pode ser digital, com assinatura eletrônica?","level":3},{"id":"o-s-2240-do-esocial-substitui-a-ficha-de-entrega-de-epi","text":"O S-2240 do eSocial substitui a ficha de entrega de EPI?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/salario-minimo-2027-impacto-folha/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/salario-minimo-2027-impacto-folha/","title":"Salário mínimo 2027: projeção de R$ 1.741 e o impacto na folha","summary":"Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741. Veja como o valor é calculado e o impacto em folha, pisos, benefícios e contratos públicos de terceirização.","content_html":"<p>O governo federal enviou ao Congresso, em 31 de agosto de 2026, o Projeto de Lei Orçamentária de 2027 com um salário mínimo projetado de R$ 1.741,00 a partir de janeiro. São R$ 120 a mais que os R$ 1.621,00 atuais, alta de 7,4%. O valor ainda é uma estimativa: o número oficial será fixado por decreto no fim do ano, depois que o IBGE divulgar a inflação de novembro.</p>\n<p>Este texto reflete as projeções oficiais e os dados disponíveis na data de publicação.</p>\n<h2 id=\"como-o-valor-e-calculado\">Como o valor é calculado</h2>\n<p>A política de valorização do mínimo está na Lei nº 14.663/2023. O reajuste soma duas parcelas:</p>\n<ul>\n<li><strong>Inflação:</strong> a variação do INPC, índice de preços do IBGE, acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior.</li>\n<li><strong>Ganho real:</strong> o crescimento do PIB de dois anos antes. Para 2027, vale o PIB de 2025, que cresceu 2,3%, segundo o IBGE.</li>\n</ul>\n<p>Se a conta der centavos, o valor sobe para o real inteiro seguinte. Desde a Lei nº 15.077/2024, há uma trava: entre 2025 e 2030, o ganho real não pode ser menor que 0,6% nem maior que o crescimento real permitido às despesas pelo arcabouço fiscal, que tem teto de 2,5% ao ano.</p>\n<p>Para 2027, a projeção do Ministério da Fazenda combina INPC estimado em 4,93% com ganho real de 2,3%. Em abril, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) apontava R$ 1.717; a alta veio de projeções de inflação maiores.</p>\n<h3 id=\"o-que-pode-mudar-ate-dezembro\">O que pode mudar até dezembro</h3>\n<p>O valor final depende do INPC efetivo. Até agosto, o índice acumulava 3,98% em 12 meses, segundo dados do IBGE noticiados pela Agência Brasil, abaixo dos 4,93% projetados para novembro. Cada 0,5 ponto de INPC muda o mínimo em cerca de R$ 8. Cenários pela fórmula da lei, com ganho real de 2,3%:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>INPC em 12 meses até novembro</th>\n<th>Salário mínimo de 2027</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>4,00%</td>\n<td>R$ 1.725</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>4,50%</td>\n<td>R$ 1.733</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>4,93% (projeção oficial)</td>\n<td>R$ 1.741</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>5,30%</td>\n<td>R$ 1.747</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"linha-do-tempo\">Linha do tempo</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Data</th>\n<th>Etapa</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>23/12/2025</td>\n<td>Decreto nº 12.797 fixa o mínimo de 2026 em R$ 1.621,00</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Março/2026</td>\n<td>IBGE informa crescimento de 2,3% do PIB em 2025</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Abril/2026</td>\n<td>PLDO 2027 projeta R$ 1.717</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>31/08/2026</td>\n<td>Projeto de Orçamento de 2027 projeta R$ 1.741</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Dezembro/2026</td>\n<td>IBGE divulga o INPC de novembro, e o decreto fixa o valor</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>01/01/2027</td>\n<td>Novo mínimo em vigor</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"impacto-na-folha-de-pagamento\">Impacto na folha de pagamento</h2>\n<p>O efeito direto recai sobre quem recebe o mínimo ou um piso colado nele, mas o reajuste se espalha por outras rubricas:</p>\n<ul>\n<li><strong>Valor-hora e valor-dia:</strong> o decreto divulga o mínimo mensal, diário (1/30) e horário (1/220); em 2026, são R$ 54,04 e R$ 7,37. Salários de jornadas parciais e de aprendizes, que têm garantido o salário mínimo hora, precisam ser recalculados.</li>\n<li><strong>Adicional de insalubridade:</strong> pela CLT (art. 192), é de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo, base que em regra prevalece, salvo norma coletiva mais favorável. No grau máximo, passaria de R$ 648,40 para R$ 696,40.</li>\n<li><strong>INSS do empregado:</strong> a primeira faixa da tabela acompanha o mínimo (em 2026, até R$ 1.621,00, com alíquota de 7,5%).</li>\n<li><strong>Descontos atrelados ao mínimo</strong>, como pensões alimentícias fixadas em percentual dele, mudam em janeiro.</li>\n</ul>\n<h3 id=\"exemplo-de-custo\">Exemplo de custo</h3>\n<p>Para quem ganha o mínimo, a alta projetada é de R$ 120 por mês. Somando 12 salários, 13º e férias com 1/3 (13,33 salários no ano), são R$ 1.600,00 a mais por empregado, e o FGTS de 8% acrescenta R$ 128,00. Numa equipe de 100 pessoas nessa faixa, o custo direto adicional chega a R$ 172.800,00 no ano, antes da contribuição patronal ao INSS e de outros encargos, que dependem do regime tributário.</p>\n<h2 id=\"pisos-estaduais-e-convencoes-coletivas\">Pisos estaduais e convenções coletivas</h2>\n<p>Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm pisos regionais, autorizados pela Lei Complementar nº 103/2000 para quem não tem piso definido em lei federal ou norma coletiva. A mesma lei veda o uso dessa autorização no segundo semestre de anos com eleição para governador, como 2026; por isso, novos valores estaduais tendem a ficar para 2027.</p>\n<p>Nas convenções coletivas, atenção às categorias com piso próximo do mínimo: se o piso ficar abaixo do novo valor, vale o mínimo a partir de 1º de janeiro, mesmo antes da próxima negociação.</p>\n<h2 id=\"beneficios-ligados-ao-minimo\">Benefícios ligados ao mínimo</h2>\n<ul>\n<li><strong>Piso do INSS:</strong> nenhum benefício que substitua o salário pode ser menor que o mínimo; os acima do piso seguem o INPC.</li>\n<li><strong>BPC (Benefício de Prestação Continuada):</strong> equivale a um salário mínimo.</li>\n<li><strong>Seguro-desemprego:</strong> nenhuma parcela pode ser inferior ao mínimo.</li>\n<li><strong>Abono salarial PIS/Pasep:</strong> vale até um mínimo, proporcional aos meses trabalhados no ano-base. Desde a Emenda Constitucional nº 135/2024, o limite de renda para ter direito é corrigido pelo INPC, e não mais pelo mínimo, até chegar a 1,5 salário mínimo, o que reduz aos poucos a faixa coberta.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"contratos-de-terceirizacao-com-o-setor-publico\">Contratos de terceirização com o setor público</h2>\n<p>Em contratos de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra, o reajuste do mínimo é custo que precisa chegar ao preço. Pela Lei nº 14.133/2021 (art. 135), esses contratos são repactuados mediante demonstração analítica da variação dos custos:</p>\n<ul>\n<li>os custos de mão de obra têm data vinculada ao acordo, à convenção ou ao dissídio coletivo da categoria;</li>\n<li>o pedido parte da contratada, com a planilha de custos e formação de preços ou o novo instrumento coletivo;</li>\n<li>vale o intervalo mínimo de um ano, e a repactuação pode ser dividida por categoria;</li>\n<li>a administração deve responder preferencialmente em até um mês (art. 92, § 6º).</li>\n</ul>\n<p>Há ainda um cuidado de prazo: o pedido de reequilíbrio deve ser feito durante a vigência do contrato e antes de eventual prorrogação (art. 131, parágrafo único). Mapeie os contratos com salários no mínimo ou pisos atrelados a ele e deixe as planilhas prontas para o decreto. Nos contratos privados, revise as cláusulas de reajuste e antecipe a conversa com o cliente; dados de presença e cobertura ajudam, como mostramos no artigo sobre o <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao/\">portal do cliente na terceirização</a>.</p>\n<h2 id=\"como-planejar-o-orcamento-de-2027\">Como planejar o orçamento de 2027</h2>\n<ol>\n<li>Use R$ 1.741 como cenário-base e simule um cenário mais baixo, já que o INPC até agosto está abaixo da projeção.</li>\n<li>Liste quem recebe o mínimo, os pisos e adicionais calculados sobre ele e os descontos atrelados.</li>\n<li>Projete o efeito em 13º, férias, FGTS e encargos, mês a mês.</li>\n<li>Separe os contratos que exigirão repactuação ou renegociação, com as datas-base das convenções.</li>\n<li>Atualize o orçamento em dezembro, quando o decreto sair.</li>\n</ol>\n<p>Com ponto eletrônico, escalas e banco de horas no TIRVU+, as horas de cada equipe e posto ficam organizadas para o DP recalcular valor-hora, adicionais e a planilha de cada contrato.</p>\n<h2 id=\"o-que-o-colaborador-precisa-saber\">O que o colaborador precisa saber</h2>\n<ul>\n<li>O novo mínimo vale a partir de 1º de janeiro de 2027, e o primeiro salário reajustado é pago até o quinto dia útil de fevereiro.</li>\n<li>Parte do aumento fica no INSS (7,5% na primeira faixa) e, para quem usa vale-transporte, o desconto de até 6% do salário também cresce: num aumento de R$ 120, são R$ 9,00 a mais de INSS e até R$ 7,20 a mais de vale-transporte.</li>\n<li>Aposentados no piso, beneficiários do BPC e quem recebe abono ou seguro-desemprego no valor mínimo também terão reajuste.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-que-fazer-agora\">O que fazer agora</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Incluir R$ 1.741 no orçamento de 2027, com um cenário alternativo</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Mapear empregados no mínimo, aprendizes e contratos de jornada parcial</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar adicionais e descontos calculados sobre o mínimo</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Conferir pisos estaduais e convenções coletivas de cada base</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Preparar planilhas de custos para repactuar contratos públicos</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Revisar cláusulas de reajuste dos contratos privados</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Planejar a comunicação do novo valor às equipes</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"o-salario-minimo-de-2027-ja-esta-definido\">O salário mínimo de 2027 já está definido?</h3>\n<p>Não. R$ 1.741 é a projeção do Projeto de Orçamento. O valor oficial depende do INPC até novembro e sai por decreto, normalmente no fim de dezembro.</p>\n<h3 id=\"quem-trabalha-meio-periodo-pode-receber-menos-que-o-minimo\">Quem trabalha meio período pode receber menos que o mínimo?</h3>\n<p>Pode receber o mínimo proporcional às horas contratadas quando a jornada é menor que 8 horas diárias ou 44 semanais, conforme a Orientação Jurisprudencial 358 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O valor-hora não pode ficar abaixo do mínimo.</p>\n<h3 id=\"o-reajuste-garante-repactuacao-automatica-do-contrato-publico\">O reajuste garante repactuação automática do contrato público?</h3>\n<p>Não. A contratada precisa pedir e demonstrar a variação dos custos, com planilha ou instrumento coletivo.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O salário mínimo de 2027 deve ficar perto de R$ 1.741, mas o número exato só sai em dezembro. Para o DP, o caminho é trabalhar com cenários, mapear tudo o que está atrelado ao mínimo, de salários e adicionais a descontos e contratos, e deixar planilhas e comunicação prontas para janeiro.</p>\n<p>Quer as horas, escalas e benefícios da equipe organizados para o reajuste de 2027? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o TIRVU+ funcionando na sua operação.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2025/decreto-12797-23-dezembro-2025-798569-publicacaooriginal-177587-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Câmara dos Deputados: Decreto nº 12.797/2025</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/governo-federal-apresenta-projeto-de-orcamento-de-2027-com-previsao-de-superavit-primario-de-r-18-6-bilhoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ministério da Fazenda: Projeto de Orçamento de 2027 (01/09/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2021/lei-14133-1-abril-2021-791222-publicacaooriginal-162591-pl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Câmara dos Deputados: Lei nº 14.133/2021</a></li>\n<li><a href=\"https://www.camara.leg.br/noticias/1301496-orcamento-de-2027-tem-salario-minimo-de-r-1-741-e-reducao-de-despesas-com-pessoal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Câmara: Orçamento de 2027 tem mínimo de R$ 1.741 (31/08/2026)</a></li>\n<li><a href=\"https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/inpc-tem-variacao-negativa-em-agosto-e-soma-398-em-12-meses\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agência Brasil: INPC de agosto soma 3,98% em 12 meses (11/09/2026)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/salario-minimo-2027-impacto-folha.jpg","date_published":"2026-09-15T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["salário mínimo","folha de pagamento","orçamento 2027","terceirização","repactuação"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"salario-minimo-2027-impacto-folha","category":"Folha e benefícios","audience":["dp","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":8,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/salario-minimo-2027-impacto-folha.svg","cover_alt":"Ilustração de um gráfico de linha em alta sobre cédulas de dinheiro, ao lado de um calendário aberto em janeiro de 2027","toc":[{"id":"como-o-valor-e-calculado","text":"Como o valor é calculado","level":2},{"id":"o-que-pode-mudar-ate-dezembro","text":"O que pode mudar até dezembro","level":3},{"id":"linha-do-tempo","text":"Linha do tempo","level":2},{"id":"impacto-na-folha-de-pagamento","text":"Impacto na folha de pagamento","level":2},{"id":"exemplo-de-custo","text":"Exemplo de custo","level":3},{"id":"pisos-estaduais-e-convencoes-coletivas","text":"Pisos estaduais e convenções coletivas","level":2},{"id":"beneficios-ligados-ao-minimo","text":"Benefícios ligados ao mínimo","level":2},{"id":"contratos-de-terceirizacao-com-o-setor-publico","text":"Contratos de terceirização com o setor público","level":2},{"id":"como-planejar-o-orcamento-de-2027","text":"Como planejar o orçamento de 2027","level":2},{"id":"o-que-o-colaborador-precisa-saber","text":"O que o colaborador precisa saber","level":2},{"id":"o-que-fazer-agora","text":"O que fazer agora","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"o-salario-minimo-de-2027-ja-esta-definido","text":"O salário mínimo de 2027 já está definido?","level":3},{"id":"quem-trabalha-meio-periodo-pode-receber-menos-que-o-minimo","text":"Quem trabalha meio período pode receber menos que o mínimo?","level":3},{"id":"o-reajuste-garante-repactuacao-automatica-do-contrato-publico","text":"O reajuste garante repactuação automática do contrato público?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}},{"id":"https://tirvu.com.br/pt/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto/","url":"https://tirvu.com.br/pt/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto/","title":"Reconhecimento facial e prova de vida: como acabar com o ponto amigo","summary":"Reconhecimento facial com prova de vida no ponto eletrônico: como funciona, quais fraudes evita (foto, vídeo, máscara) e o que a LGPD exige da biometria.","content_html":"<p>O &quot;ponto amigo&quot;, quando um colega registra a marcação no lugar de outro, é uma das fraudes mais difíceis de flagrar em operações com muitos postos e pouca supervisão presencial. O reconhecimento facial com prova de vida fecha essa porta, mas traz uma responsabilidade nova: o rosto usado para identificar alguém é dado biométrico e, pela LGPD, dado pessoal sensível. Veja como a tecnologia funciona, quais ataques ela precisa barrar e como implantá-la com segurança jurídica.</p>\n<h2 id=\"por-que-cracha-pin-e-senha-nao-resolvem\">Por que crachá, PIN e senha não resolvem</h2>\n<p>Crachás, PINs e senhas identificam um objeto ou um segredo, não uma pessoa: basta emprestá-los. A Portaria MTP nº 671/2021 exige que o REP-P, o registrador eletrônico de ponto via programa, receba &quot;de forma inequívoca&quot; a identificação do trabalhador (Anexo IX, item 8.1), mas não define o método. A biometria facial é uma forma de vincular a marcação a quem está, de fato, diante da câmera. As demais exigências da norma estão no nosso <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/portaria-671-ponto-eletronico-guia-completo/\">guia completo da Portaria 671</a>.</p>\n<h2 id=\"como-funciona-o-reconhecimento-facial\">Como funciona o reconhecimento facial</h2>\n<p>Em linhas gerais, e seguindo a descrição do estudo da ANPD sobre biometria e reconhecimento facial (Radar Tecnológico nº 2, de 2024), o processo tem três etapas:</p>\n<ol>\n<li><strong>Detecção:</strong> a câmera localiza um rosto na imagem.</li>\n<li><strong>Extração:</strong> o software mede pontos de referência da face e gera um template biométrico, uma representação matemática do rosto.</li>\n<li><strong>Comparação:</strong> o template é confrontado com o cadastro e gera uma pontuação de semelhança; acima de um limiar definido, a correspondência é aceita.</li>\n</ol>\n<p>A comparação pode ser feita de duas formas:</p>\n<ul>\n<li><strong>Verificação (1:1):</strong> o rosto é comparado com o template de quem se identificou, para confirmar se é a mesma pessoa.</li>\n<li><strong>Identificação (1:N):</strong> o rosto é buscado em uma base com vários cadastros, para descobrir quem é.</li>\n</ul>\n<p>Para o ponto, a verificação 1:1 normalmente basta e envolve comparar o rosto com um único cadastro. Seja qual for o modelo, a ANPD lembra que a acurácia varia conforme a tecnologia e a diversidade da população atendida, e pode cair com imagem de baixa qualidade, posição do rosto, iluminação e oclusões. O resultado são falsos positivos (aceitar a pessoa errada) e falsos negativos (rejeitar a pessoa certa). Calibrar o limiar é sempre um equilíbrio entre segurança e conveniência.</p>\n<h2 id=\"os-ataques-foto-video-e-mascara\">Os ataques: foto, vídeo e máscara</h2>\n<p>Tentar enganar a câmera é o que a série de normas ISO/IEC 30107 chama de ataque de apresentação: a apresentação de um artefato ou de características humanas ao sistema de captura com a intenção de interferir em seu funcionamento. As formas mais conhecidas:</p>\n<ul>\n<li><strong>Foto do colaborador</strong>, impressa ou exibida na tela de outro aparelho. Como lembram as diretrizes de identidade digital do NIST, o instituto de padrões dos Estados Unidos, basta tirar uma foto para obter a imagem do rosto de alguém: biometria não é segredo.</li>\n<li><strong>Vídeo reproduzido</strong> diante da câmera, o chamado replay.</li>\n<li><strong>Máscaras</strong>, inclusive de silicone.</li>\n</ul>\n<p>Existe ainda o <strong>ataque de injeção</strong>, em que o fraudador não mostra nada à câmera: ele tenta inserir uma imagem ou um vídeo diretamente no fluxo de dados do aplicativo. Esse tipo de ataque fica fora do alcance da detecção de ataques de apresentação e exige controles próprios, como a verificação de integridade do aplicativo e do dispositivo.</p>\n<h2 id=\"prova-de-vida-a-camada-que-barra-a-fraude\">Prova de vida: a camada que barra a fraude</h2>\n<p>A prova de vida, ou detecção de ataques de apresentação (PAD, na sigla em inglês), verifica se há uma pessoa real e presente diante da câmera. Há duas abordagens principais:</p>\n<ul>\n<li><strong>Passiva:</strong> analisa a própria imagem ou o vídeo capturado, sem pedir nada ao usuário.</li>\n<li><strong>Ativa (desafio-resposta):</strong> pede uma interação em tempo real, como um movimento de cabeça, e confere a resposta.</li>\n</ul>\n<h3 id=\"o-que-dizem-as-referencias-tecnicas\">O que dizem as referências técnicas</h3>\n<p>Nas diretrizes de identidade digital do NIST (SP 800-63B-4), a prova de vida é obrigatória quando o reconhecimento facial é usado na autenticação; para impressão digital e íris, ela é recomendada. Uma avaliação independente do próprio NIST, publicada em 2023 (NIST IR 8491), testou 82 algoritmos passivos de 45 desenvolvedores e concluiu que:</p>\n<ul>\n<li>a precisão varia muito entre algoritmos e tipos de ataque;</li>\n<li>a detecção de fotos impressas, replays e máscaras flexíveis de silicone foi bem atendida por vários desenvolvedores, enquanto outros tipos de ataque geraram taxas de erro altas em todas as implementações testadas;</li>\n<li>muitos algoritmos erram menos quando analisam uma sequência de vídeo do que uma única foto.</li>\n</ul>\n<p>A lição prática: não existe prova de vida infalível, existe prova de vida bem avaliada. Pergunte ao fornecedor como a solução foi testada e se seguiu metodologias reconhecidas, como a ISO/IEC 30107-3 (testes e relatórios de detecção de ataques de apresentação) e a ISO/IEC 30107-4 (perfil de testes para dispositivos móveis).</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Ataque</th>\n<th>Como acontece</th>\n<th>Contramedida</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Foto impressa ou em tela</td>\n<td>Imagem do colaborador apresentada à câmera</td>\n<td>Prova de vida passiva e/ou desafio-resposta</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Vídeo (replay)</td>\n<td>Gravação reproduzida em outra tela</td>\n<td>Prova de vida, de preferência com análise de sequência de vídeo</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Máscara</td>\n<td>Réplica do rosto, inclusive em silicone</td>\n<td>Prova de vida testada contra esse tipo de ataque</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Injeção</td>\n<td>Imagem inserida direto no fluxo do app</td>\n<td>Integridade do app e do dispositivo e validações no servidor</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Colega marcando pelo outro</td>\n<td>Uso do celular ou do crachá de terceiros</td>\n<td>Verificação facial 1:1 a cada marcação</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>No TIRVU+, a marcação de ponto usa reconhecimento facial com prova de vida, tanto no aplicativo quanto no tablet instalado no posto.</p>\n<h2 id=\"lgpd-biometria-e-dado-pessoal-sensivel\">LGPD: biometria é dado pessoal sensível</h2>\n<p>A LGPD classifica como dado pessoal sensível o &quot;dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural&quot; (art. 5º, II). Por isso, o tratamento só pode ocorrer nas hipóteses do art. 11:</p>\n<ul>\n<li><strong>Com consentimento (art. 11, I)</strong>, dado de forma específica e destacada, para finalidades específicas.</li>\n<li><strong>Sem consentimento (art. 11, II)</strong>, quando o tratamento for indispensável para uma das situações listadas na lei, como o cumprimento de obrigação legal ou regulatória (alínea &quot;a&quot;) ou a &quot;garantia da prevenção à fraude e à segurança do titular, nos processos de identificação e autenticação de cadastro em sistemas eletrônicos&quot; (alínea &quot;g&quot;), resguardados os direitos do art. 9º e exceto quando prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular.</li>\n</ul>\n<p>No ponto com reconhecimento facial, a alínea &quot;g&quot; dialoga diretamente com o objetivo, que é identificar o colaborador e prevenir fraudes na marcação. Ainda assim, ela exige demonstrar que o tratamento é indispensável e que os direitos do titular não prevalecem no caso concreto. Documente essa análise com o encarregado e o jurídico.</p>\n<h3 id=\"e-o-consentimento\">E o consentimento?</h3>\n<p>Se a escolha for o consentimento, lembre que ele precisa ser livre (art. 5º, XII) e pode ser revogado a qualquer momento (art. 8º, § 5º). Na prática, isso significa oferecer uma forma alternativa de marcação a quem não consentir ou mudar de ideia.</p>\n<p>O tema também está no radar regulatório: a ANPD incluiu os dados biométricos no item 5 da sua Agenda Regulatória 2025-2026 e abriu, em 2025, uma tomada de subsídios sobre o assunto. Vale acompanhar as próximas orientações.</p>\n<h2 id=\"boas-praticas-para-usar-biometria-no-ponto\">Boas práticas para usar biometria no ponto</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Transparência (art. 9º):</strong> antes do cadastro facial, informe finalidade, dados coletados, forma e duração do tratamento, compartilhamentos e direitos do titular.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Finalidade e necessidade (art. 6º, I e III):</strong> use a biometria apenas para identificar o colaborador no ponto, sem reaproveitar imagens para outros fins nem classificar pessoas por idade, gênero ou emoção.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Retenção (arts. 15 e 16):</strong> elimine o template quando a finalidade terminar, por exemplo no desligamento, salvo hipótese legal de conservação. Já as marcações de ponto não podem ser apagadas nem alteradas no prazo legal (Portaria 671, Anexo IX, item 7).</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Segurança desde a concepção (art. 46):</strong> criptografia, controle de acesso e registro de quem consulta dados biométricos. A ANPD lembra que, quanto mais servidores e bases armazenam templates, maior o número de alvos potenciais para ataques; evite cópias desnecessárias.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Incidentes (art. 48):</strong> pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024, o incidente de segurança que possa acarretar risco ou dano relevante aos titulares deve ser comunicado à ANPD e aos titulares no prazo de três dias úteis.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Encarregado (art. 41):</strong> divulgue a identidade e o contato do encarregado pelo tratamento de dados.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Relatório de impacto (art. 38):</strong> a ANPD pode exigir o relatório de impacto à proteção de dados, inclusive de dados sensíveis. Tenha o seu pronto.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Revisão humana (art. 20):</strong> o titular pode pedir a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado que afetem seus interesses. Garanta uma alternativa quando o rosto não for reconhecido.</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> <strong>Testes com a sua equipe:</strong> acompanhe as taxas de rejeição em diferentes condições de luz e perfis de colaboradores, atento ao alerta da ANPD sobre efeitos discriminatórios.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"tablet-no-posto-ou-celular-do-colaborador\">Tablet no posto ou celular do colaborador?</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Critério</th>\n<th>Tablet (quiosque) no posto</th>\n<th>Celular do colaborador</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Ambiente de captura</td>\n<td>Mais controlado: posição fixa e iluminação previsível</td>\n<td>Variável: câmeras e iluminação diferentes</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Local da marcação</td>\n<td>O aparelho fica no posto</td>\n<td>Depende do GPS e da <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/cerca-virtual-geolocalizacao-ponto/\">cerca virtual</a></td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Quem não tem smartphone</td>\n<td>Atende todos</td>\n<td>Exige aparelho compatível</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Equipes volantes e rondas</td>\n<td>Limitado ao posto</td>\n<td>Acompanha o colaborador</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Privacidade</td>\n<td>A captura não passa por aparelhos pessoais</td>\n<td>A coleta deve se limitar ao momento da marcação</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Riscos</td>\n<td>Fila na troca de turno, dano ou furto do aparelho</td>\n<td>GPS falso e aparelhos desatualizados</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Os dois modelos podem conviver na mesma operação: tablet nos postos fixos com grande fluxo de pessoas e aplicativo para supervisores, folguistas e equipes de rua. O TIRVU+ oferece os dois formatos, com aplicativo para iOS e Android e tablet no posto para marcação facial.</p>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-empresa-precisa-do-consentimento-do-colaborador-para-usar-reconhecimento-facial-no-ponto\">A empresa precisa do consentimento do colaborador para usar reconhecimento facial no ponto?</h3>\n<p>Não necessariamente. Pela LGPD, o dado biométrico também pode ser tratado sem consentimento para garantir a prevenção à fraude nos processos de identificação e autenticação (art. 11, II, &quot;g&quot;), desde que a empresa demonstre que o tratamento é indispensável e que os direitos do titular não prevalecem no caso concreto. Se a base escolhida for o consentimento, ele precisa ser livre e pode ser revogado a qualquer momento.</p>\n<h3 id=\"uma-foto-consegue-enganar-o-reconhecimento-facial\">Uma foto consegue enganar o reconhecimento facial?</h3>\n<p>Foto, vídeo e máscara são as formas mais conhecidas de tentar enganar a câmera, e a prova de vida existe justamente para barrá-las, verificando se há uma pessoa real diante dela. Na avaliação do NIST publicada em 2023, vários desenvolvedores detectaram bem fotos impressas, replays e máscaras flexíveis de silicone, mas não existe prova de vida infalível: pergunte ao fornecedor como a solução foi testada.</p>\n<h3 id=\"e-se-o-sistema-de-ponto-nao-reconhecer-o-rosto-do-colaborador\">E se o sistema de ponto não reconhecer o rosto do colaborador?</h3>\n<p>É o chamado falso negativo, quando o sistema rejeita a pessoa certa; a acurácia pode cair com imagem de baixa qualidade, posição do rosto, iluminação e oclusões. O titular, por sua vez, pode pedir a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado que afetem seus interesses (art. 20 da LGPD). Por isso, a boa prática é garantir uma forma alternativa de marcação.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>O reconhecimento facial com prova de vida ataca o ponto amigo na raiz, porque vincula cada marcação a uma pessoa real diante da câmera. Mas a tecnologia só entrega segurança, inclusive jurídica, quando vem acompanhada de prova de vida bem avaliada, base legal documentada, transparência com o colaborador e um caminho alternativo para quando o rosto não for reconhecido.</p>\n<p>Quer acabar com o ponto amigo sem abrir mão da LGPD? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Fale com a equipe da Tirvu</a> e veja o reconhecimento facial com prova de vida do TIRVU+ na prática, ou conheça os <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/planos/\">planos</a>.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 13.709/2018 (LGPD)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/anpd/pt-br/centrais-de-conteudo/documentos-tecnicos-orientativos/radar-tecnologico-biometria-anpd-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Radar Tecnológico nº 2 sobre biometria e reconhecimento facial (ANPD, gov.br)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/anpd/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/outras-acoes/ts-01-2025-nota-tecnica-17-de-abertura.pdf/@@display-file/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nota Técnica nº 17/2025 sobre biometria (ANPD, gov.br)</a></li>\n<li><a href=\"https://bibliotecadigital.mj.gov.br/bitstream/1/12879/2/RES_ANPD_2024_15.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resolução CD/ANPD nº 15/2024 sobre comunicação de incidentes de segurança (Ministério da Justiça)</a></li>\n<li><a href=\"https://pages.nist.gov/800-63-4/sp800-63b/authenticators/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">NIST SP 800-63B-4, diretrizes de identidade digital (NIST)</a></li>\n<li><a href=\"https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/ir/2023/NIST.IR.8491.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">NIST IR 8491, avaliação de algoritmos passivos de prova de vida (NIST)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.iso.org/standard/79520.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ISO/IEC 30107-3:2023, testes de detecção de ataques de apresentação (ISO)</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto.jpg","date_published":"2026-09-10T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["reconhecimento facial","prova de vida","biometria","LGPD","ponto amigo"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto","category":"Ponto eletrônico","audience":["rh","colaborador"],"featured":false,"reading_minutes":10,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto.svg","cover_alt":"Ilustração abstrata de um rosto estilizado formado por pontos e linhas, ao lado de um escudo de verificação, representando reconhecimento facial com prova de 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contratos de terceirização.","content_html":"<p>Na terceirização de serviços, um contrato raramente é perdido por um único erro. Ele se desgasta aos poucos: um posto descoberto que o cliente percebe antes do supervisor, um relatório que chega por WhatsApp dias depois, uma fatura contestada sem dados para defendê-la. O portal do cliente inverte essa lógica: em vez de pedir informação, o tomador acompanha a operação por conta própria, e a transparência passa a jogar a favor da renovação.</p>\n<h2 id=\"por-que-clientes-de-terceirizacao-trocam-de-fornecedor\">Por que clientes de terceirização trocam de fornecedor</h2>\n<p>Preço importa, mas o desgaste da relação costuma vir de problemas operacionais que se acumulam até a renovação:</p>\n<ul>\n<li><strong>Falta de visibilidade:</strong> o cliente não sabe se o posto está coberto agora — só descobre quando alguém reclama.</li>\n<li><strong>Relatórios informais:</strong> fotos e mensagens soltas no WhatsApp, planilhas que mudam de formato a cada mês e nenhum histórico confiável.</li>\n<li><strong>Surpresas:</strong> troca de colaborador sem aviso, ocorrência comunicada tarde, demora para repor uma falta.</li>\n<li><strong>Discussões de fatura:</strong> sem uma base de dados comum, cada glosa vira uma negociação.</li>\n<li><strong>Insegurança jurídica:</strong> o tomador sabe que pode responder por falhas do prestador e quer evidências de que está tudo em ordem.</li>\n</ul>\n<h2 id=\"o-tomador-tambem-responde-o-pano-de-fundo-juridico\">O tomador também responde: o pano de fundo jurídico</h2>\n<p>A preocupação do cliente com a operação do prestador não é excesso de zelo. Ela tem base legal.</p>\n<h3 id=\"contratos-privados\">Contratos privados</h3>\n<p>A Lei nº 6.019/1974, com as alterações da Lei nº 13.429/2017, estabelece que a empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços (art. 5º-A, § 5º). A Súmula 331 do TST segue a mesma linha: o inadimplemento das obrigações trabalhistas pelo empregador implica a responsabilidade subsidiária do tomador (item IV), que abrange todas as verbas da condenação referentes ao período da prestação (item VI). Além disso, cabe à contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade quando o trabalho é realizado em suas dependências ou em local combinado em contrato (art. 5º-A, § 3º).</p>\n<h3 id=\"contratos-publicos\">Contratos públicos</h3>\n<p>Na Administração Pública, a Lei nº 14.133/2021 exige que a execução do contrato seja acompanhada e fiscalizada por fiscais designados, que devem anotar em registro próprio todas as ocorrências relacionadas à execução (art. 117, § 1º). Nos serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra:</p>\n<ul>\n<li>o contratado deve possibilitar a fiscalização da distribuição, do controle e da supervisão dos recursos humanos alocados ao contrato (art. 6º, XVI, &quot;c&quot;);</li>\n<li>quando solicitado, deve comprovar o cumprimento das obrigações trabalhistas e do FGTS, incluindo registro de ponto, recibos de salário, depósitos do FGTS, férias e vale-transporte e vale-alimentação (art. 50);</li>\n<li>a Administração responde solidariamente pelos encargos previdenciários e subsidiariamente pelos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização (art. 121, § 2º), e pode adotar medidas como condicionar o pagamento à comprovação de quitação das obrigações trabalhistas vencidas (art. 121, § 3º).</li>\n</ul>\n<p>Em fevereiro de 2025, ao julgar o Tema 1.118 da repercussão geral, o STF definiu que a responsabilização da Administração exige prova de comportamento negligente — e que há negligência quando ela permanece inerte após ser formalmente notificada de que a contratada descumpre obrigações trabalhistas. A mesma tese reforça o dever de adotar as medidas do art. 121, § 3º, como condicionar o pagamento à comprovação de quitação das obrigações trabalhistas do mês anterior.</p>\n<p>Na prática, o fornecedor que entrega essas evidências organizadas facilita o trabalho do fiscal, reduz glosas e deixa de ser um risco para o gestor do contrato. Isso é retenção.</p>\n<h2 id=\"o-que-mostrar-no-portal-do-cliente\">O que mostrar no portal do cliente</h2>\n<p>O portal não precisa mostrar tudo; precisa mostrar o que o cliente usa para avaliar o serviço. Uma estrutura que funciona bem:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Módulo</th>\n<th>O que o cliente vê</th>\n<th>Por que importa</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Presença por posto e turno</td>\n<td>Entradas e saídas validadas, com localização</td>\n<td>Confirma a cobertura sem depender de ligação</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Cobertura</td>\n<td>Percentual de postos-turno cobertos no período</td>\n<td>Resume o cumprimento do contrato em um número</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Ocorrências</td>\n<td>Livro de ocorrências digital, com fotos e status</td>\n<td>Substitui o caderno do posto e cria histórico</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Checklists</td>\n<td>Inspeções realizadas e não conformidades</td>\n<td>Evidencia a qualidade do serviço</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Ordens de serviço</td>\n<td>Solicitações, prazos e conclusão</td>\n<td>Dá transparência às demandas do próprio cliente</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Rondas</td>\n<td>Pontos visitados e horários</td>\n<td>Comprova a execução em contratos de vigilância</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Documentos</td>\n<td>Comprovantes trabalhistas, entregas de EPI e relatórios</td>\n<td>Atende à fiscalização sem troca de e-mails</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>Em contratos públicos, dois módulos ganham peso extra. O livro de ocorrências digital conversa com o dever do fiscal de anotar as ocorrências da execução (art. 117, § 1º): quando o registro nasce no posto, com data, hora e foto, os dois lados discutem o mesmo fato. E a área de documentos pode antecipar, de forma organizada por competência, aquilo que o art. 50 permite à Administração solicitar.</p>\n<p>Para a presença ser confiável, a origem do dado importa. Marcações com <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/cerca-virtual-geolocalizacao-ponto/\">cerca virtual e geolocalização</a> e validação por <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/reconhecimento-facial-prova-de-vida-ponto/\">reconhecimento facial com prova de vida</a> dão ao cliente a segurança de que quem marcou é quem estava no posto. Já os comprovantes de equipamentos podem vir direto do <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/blog/controle-epi-nr6-terceirizacao/\">controle de EPI</a>.</p>\n<h3 id=\"o-que-nao-mostrar\">O que não mostrar</h3>\n<p>Transparência não significa expor dados pessoais além do necessário. A LGPD exige que o tratamento se limite ao mínimo necessário para a finalidade (art. 6º, III), e dados de saúde e biométricos são sensíveis (art. 5º, II). O cliente precisa saber que uma ausência está justificada, não ver o atestado; precisa saber que a marcação foi validada, não acessar a biometria do colaborador.</p>\n<h2 id=\"indicadores-de-sla-que-fazem-sentido\">Indicadores de SLA que fazem sentido</h2>\n<p>Um bom portal transforma a operação em indicadores combinados com o cliente. Alguns exemplos:</p>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Indicador</th>\n<th>Como calcular</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Taxa de cobertura</td>\n<td>Postos-turno cobertos ÷ postos-turno contratados × 100</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Pontualidade</td>\n<td>Entradas dentro da tolerância ÷ entradas previstas × 100</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Tempo de reposição</td>\n<td>Tempo entre a ausência identificada e a chegada do substituto</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Ocorrências no prazo</td>\n<td>Ocorrências tratadas no prazo ÷ total de ocorrências × 100</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Conformidade de checklists</td>\n<td>Itens conformes ÷ itens verificados × 100</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Ordens de serviço no SLA</td>\n<td>OS concluídas no prazo ÷ total de OS × 100</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<p>As metas devem estar no contrato; o portal apenas mede, com o mesmo critério para os dois lados.</p>\n<p>Nos contratos públicos federais, essa lógica tem nome: Instrumento de Medição de Resultado (IMR). A IN SEGES/MP nº 5/2017 o define como o mecanismo que estabelece, em bases objetivamente observáveis e comprováveis, os níveis esperados de qualidade do serviço e as respectivas adequações de pagamento. Segundo o Portal de Compras do Governo Federal, o IMR substituiu o antigo Acordo de Nível de Serviço, e a IN SEGES/ME nº 98/2022 autoriza a aplicação da IN 5/2017, no que couber, às contratações regidas pela Lei nº 14.133/2021, que também admite remuneração variável vinculada ao desempenho (art. 144). Quando os indicadores saem de dados registrados na origem, a medição deixa de ser uma disputa de versões.</p>\n<h2 id=\"como-implantar-o-portal-com-seus-clientes\">Como implantar o portal com seus clientes</h2>\n<ol>\n<li><strong>Comece com um piloto:</strong> escolha um ou dois clientes, de preferência um satisfeito e um mais exigente.</li>\n<li><strong>Combine os indicadores:</strong> revise o contrato e defina com o gestor do cliente o que será medido e como.</li>\n<li><strong>Garanta o dado na origem:</strong> ponto, ocorrências, checklists e rondas precisam ser registrados no aplicativo, no posto, e não reconstruídos depois.</li>\n<li><strong>Configure os acessos:</strong> perfis para gestor do contrato, fiscal e outras áreas, cada um vendo apenas o que precisa.</li>\n<li><strong>Faça um onboarding curto:</strong> meia hora mostrando onde está cada informação vale mais que um manual.</li>\n<li><strong>Use o portal na reunião mensal:</strong> troque a apresentação montada à mão pelos dados do próprio portal.</li>\n<li><strong>Assuma a transparência:</strong> o que deu errado vai aparecer, e o plano de ação também deve aparecer.</li>\n</ol>\n<p>No TIRVU+, o cliente tem um ambiente próprio, separado dos ambientes de gestores e colaboradores, onde acompanha presença, ocorrências e relatórios em tempo real.</p>\n<h2 id=\"whatsapp-e-planilhas-x-portal-do-cliente\">WhatsApp e planilhas x portal do cliente</h2>\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Aspecto</th>\n<th>WhatsApp e planilhas</th>\n<th>Portal do cliente</th>\n</tr>\n</thead>\n<tbody><tr>\n<td>Atualização</td>\n<td>Quando alguém lembra</td>\n<td>Em tempo real</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Histórico</td>\n<td>Espalhado em conversas</td>\n<td>Centralizado e pesquisável</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Padronização</td>\n<td>Muda a cada mês</td>\n<td>Mesmos indicadores sempre</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Evidência para fiscalização</td>\n<td>Difícil de reunir</td>\n<td>Disponível para consulta</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Proteção de dados</td>\n<td>Fotos e documentos circulando</td>\n<td>Acesso por perfil</td>\n</tr>\n<tr>\n<td>Percepção do cliente</td>\n<td>&quot;Preciso cobrar para saber&quot;</td>\n<td>&quot;Acompanho quando quiser&quot;</td>\n</tr>\n</tbody></table>\n<h2 id=\"checklist-antes-de-abrir-o-portal\">Checklist antes de abrir o portal</h2>\n<ul>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Indicadores e metas alinhados com o contrato</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Postos, turnos e escalas cadastrados corretamente</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Equipes usando o app para ponto, ocorrências e checklists</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Perfis de acesso definidos para cada pessoa do cliente</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Regras de privacidade revisadas, sem exposição de dados de saúde ou biometria</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Rotina de resposta a ocorrências com prazos claros</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Documentos de conformidade organizados por competência</li>\n<li><input disabled=\"\" type=\"checkbox\"> Reunião de onboarding agendada com o cliente</li>\n</ul>\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes</h2>\n<h3 id=\"a-empresa-contratante-responde-pelas-dividas-trabalhistas-da-terceirizada\">A empresa contratante responde pelas dívidas trabalhistas da terceirizada?</h3>\n<p>Sim, de forma subsidiária. A Lei nº 6.019/1974 torna a contratante subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas do período em que os serviços foram prestados (art. 5º-A, § 5º). A Súmula 331 do TST segue a mesma linha: se o empregador não cumpre essas obrigações, o tomador responde subsidiariamente por todas as verbas da condenação referentes ao período da prestação.</p>\n<h3 id=\"quando-a-administracao-publica-responde-pelas-dividas-trabalhistas-da-terceirizada\">Quando a Administração Pública responde pelas dívidas trabalhistas da terceirizada?</h3>\n<p>Nos serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra, a Lei nº 14.133/2021 prevê que a Administração responde solidariamente pelos encargos previdenciários e subsidiariamente pelos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização (art. 121, § 2º). Ao julgar o Tema 1.118, em fevereiro de 2025, o STF definiu que essa responsabilização exige prova de comportamento negligente, o que ocorre quando a Administração permanece inerte após ser formalmente notificada de que a contratada descumpre obrigações trabalhistas.</p>\n<h3 id=\"o-portal-do-cliente-deve-mostrar-atestados-e-dados-biometricos-dos-colaboradores\">O portal do cliente deve mostrar atestados e dados biométricos dos colaboradores?</h3>\n<p>Não. A LGPD exige que o tratamento se limite ao mínimo necessário para a finalidade (art. 6º, III), e dados de saúde e biométricos são sensíveis (art. 5º, II). O cliente precisa saber que a ausência está justificada e que a marcação foi validada, sem ver o atestado nem acessar a biometria do colaborador.</p>\n<h2 id=\"conclusao\">Conclusão</h2>\n<p>Clientes não renovam contratos só pelo preço: renovam quando confiam na operação. O portal do cliente transforma confiança em algo verificável, com presença, cobertura, ocorrências e documentos acessíveis a qualquer momento. Para o tomador, isso reduz risco jurídico e trabalho de fiscalização; para o prestador, vira argumento de retenção e de diferenciação nas próximas concorrências.</p>\n<p>Quer oferecer aos seus clientes um portal com presença, ocorrências e relatórios em tempo real? <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/contato/\">Converse com a equipe da Tirvu</a> e conheça o TIRVU+, ou veja os <a href=\"https://tirvu.com.br/pt/planos/\">planos disponíveis</a>.</p>\n<h2 id=\"fontes\">Fontes</h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6019.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 6.019/1974 (trabalho temporário e terceirização)</a></li>\n<li><a href=\"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14133.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Planalto: Lei nº 14.133/2021 (licitações e contratos)</a></li>\n<li><a href=\"https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/tema.asp?num=1118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">STF: Tema 1.118 da repercussão geral</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/compras/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/instrucoes-normativas/instrucao-normativa-no-5-de-26-de-maio-de-2017-atualizada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portal de Compras: IN SEGES/MP nº 5/2017</a></li>\n<li><a href=\"https://www.gov.br/compras/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/instrucoes-normativas/instrucao-normativa-seges-me-no-98-de-26-de-dezembro-de-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portal de Compras: IN SEGES/ME nº 98/2022</a></li>\n</ul>\n<p><em>Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica especializada.</em></p>\n","image":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao.jpg","date_published":"2026-08-27T12:00:00Z","authors":[{"name":"Equipe Tirvu"}],"tags":["portal do cliente","terceirização","SLA","fiscalização de contratos","retenção de clientes"],"language":"pt-BR","_tirvu":{"slug":"portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao","category":"Gestão operacional","audience":["rh"],"featured":false,"reading_minutes":10,"cover_svg":"https://tirvu.com.br/uploads/blog/portal-do-cliente-transparencia-terceirizacao.svg","cover_alt":"Ilustração abstrata de um painel web compartilhado, com indicadores de cobertura de postos, mapa de unidades e gráficos de desempenho","toc":[{"id":"por-que-clientes-de-terceirizacao-trocam-de-fornecedor","text":"Por que clientes de terceirização trocam de fornecedor","level":2},{"id":"o-tomador-tambem-responde-o-pano-de-fundo-juridico","text":"O tomador também responde: o pano de fundo jurídico","level":2},{"id":"contratos-privados","text":"Contratos privados","level":3},{"id":"contratos-publicos","text":"Contratos públicos","level":3},{"id":"o-que-mostrar-no-portal-do-cliente","text":"O que mostrar no portal do cliente","level":2},{"id":"o-que-nao-mostrar","text":"O que não mostrar","level":3},{"id":"indicadores-de-sla-que-fazem-sentido","text":"Indicadores de SLA que fazem sentido","level":2},{"id":"como-implantar-o-portal-com-seus-clientes","text":"Como implantar o portal com seus clientes","level":2},{"id":"whatsapp-e-planilhas-x-portal-do-cliente","text":"WhatsApp e planilhas x portal do cliente","level":2},{"id":"checklist-antes-de-abrir-o-portal","text":"Checklist antes de abrir o portal","level":2},{"id":"perguntas-frequentes","text":"Perguntas frequentes","level":2},{"id":"a-empresa-contratante-responde-pelas-dividas-trabalhistas-da-terceirizada","text":"A empresa contratante responde pelas dívidas trabalhistas da terceirizada?","level":3},{"id":"quando-a-administracao-publica-responde-pelas-dividas-trabalhistas-da-terceirizada","text":"Quando a Administração Pública responde pelas dívidas trabalhistas da terceirizada?","level":3},{"id":"o-portal-do-cliente-deve-mostrar-atestados-e-dados-biometricos-dos-colaboradores","text":"O portal do cliente deve mostrar atestados e dados biométricos dos colaboradores?","level":3},{"id":"conclusao","text":"Conclusão","level":2},{"id":"fontes","text":"Fontes","level":2}]}}]}